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Cartas
Sexo Sobre a reportagem
"A vida sem muito sexo" (19 de março), acho
que as mulheres, principalmente as casadas, estão cansadas
de mentiras, mau desempenho sexual, traição, fingimento,
desculpas esfarrapadas. Tenho várias amigas que reclamam
do parceiro na vida sexual. A maioria deles deixa a desejar,
mas diz no mercado que são os melhores. Por isso, o número
de separações entre casais tem aumentado
a cada ano. Acredito que muitos
casais pensarão duas vezes antes de responder às
pesquisas e não ficarão frustrados com índices
consideravelmente altos de atividade sexual.
Marcílio Marques Moreira VEJA surpreende e
encanta novamente com textos de primeiríssima qualidade,
como na edição 2.052, na qual o embaixador Marcílio
Marques Moreira expõe, de forma clara e abrangente, as
complexidades do comportamento ético dos indivíduos
em geral e, particularmente, da classe política (Amarelas,
19 de março). A certeza da impunidade levou ao descambo
da consciência legal dos indivíduos, desenhando-se
uma imagem do país segundo a qual as instituições
caminham para a falência geral. Por um momento, sinceramente
pensei que seria eu o errado por achar gravíssimo parar
o carro na vaga do deficiente, sair dele na cara-de-pau e ainda
ficar bravo quando alguém reclama. Num país que
só sabe fazer leis, mas não fazer cumpri-las,
é de esperar que o povo aja dessa maneira. Somos assim
porque merecemos sê-lo. Lúcida, didática,
explicativa. É assim que defino a entrevista com o ex-ministro
Marcílio Marques Moreira. De suas lições
se extrai uma conclusão: o Brasil ainda está muito
longe de ter uma sociedade verdadeiramente comprometida com
os valores da retidão, da ética e da seriedade. Lendo a entrevista
com o embaixador Marcílio Marques Moreira, concluí
que, no Brasil, em todas as esferas, estão sobrando espertos
e faltando otários.
Reparação injusta O governo está
se especializando em dar dinheiro a ONGs, sindicatos e, agora,
a terroristas, como o Lamarca. A opção pela resistência
armada contra a ditadura é vista pelo governo como uma
defesa dos ideais de liberdade e cidadania. As pessoas se esquecem
de que o uso de violência não pode ser justificado
como forma de buscar a democracia. O resultado são absurdos
como esse que vimos na reportagem "Terror premiado"
(19 de março). Se vivêssemos num país sério
e justo, o senhor Diógenes Oliveira deveria pagar uma
indenização pelo resto da vida ao rapaz que teve
a perna amputada, e não receber do povo brasileiro um
prêmio pela sua "luta" contra o regime militar. Convivi com Orlando
Lovecchio Filho, na década de 1960, em Santos. Era um
jovem de bem com a vida, cuja maior paixão eram a aviação
e sua futura carreira como piloto comercial. Após o estúpido
e covarde ato terrorista, que ceifou sua perna e todos os seus
sonhos, passou a ser considerado suspeito do atentado; pecha
que o perseguiu por vários anos. Entretanto, o que mais
indigna é a postura cínica e revoltante do terrorista:
"A lei nem sempre é justa". Aproveitando a
oportunidade, seria bom lembrar dos pais idosos daquele jovem
recruta (Mário Kozel Filho) também covardemente
assassinado por essa gangue, agora premiada.
Etanol Com a reportagem "70
questões para entender o etanol" (19 de março),
VEJA deu uma enorme contribuição para que a população
entenda melhor esse combustível, que, apesar de ser usado
no Brasil há mais de trinta anos, continua desconhecido
em seus vários aspectos técnicos. Nesse sentido,
gostaria de fazer uma pequena complementação aos
itens 8 e 9, que tratam do etanol de celulose. Nas pesquisas
já realizadas no Brasil, já se conseguiu produzir
240 litros de etanol com 1 tonelada de palhas e bagaço
de cana (ricos em celulose), três vezes mais que os 80
litros conseguidos com a simples moagem, ou seja, podemos triplicar
a nossa produção com a mesma área plantada.
Os americanos, por sua vez, estão investindo 385 milhões
de dólares para construir seis instalações
industriais experimentais utilizando a hidrólise a fim
de produzir 130 milhões de galões de etanol celulósico
a partir da palha e do sabugo de milho. O objetivo é
atingir a meta do plano Bush "vinte anos em dez"
de produzir 35 bilhões de galões de etanol
em 2017. Como bem informou VEJA, é uma questão
de tempo para que os primeiros litros cheguem ao mercado. Excelente trabalho
jornalístico; é o melhor manual de defesa
do combustível "verde-amarelo". Pena, apenas,
que, das 51 plantas autorizadas pela ANP, 31 já deixaram
de funcionar. Entre elas, as três que foram inauguradas
com muito barulho pelo presidente Lula. Equívocos como
o da mamona como fonte de matéria-prima (é inviável
economicamente e não atende sequer às normas da
própria ANP) e a utilização da agricultura
familiar, além de trapalhadas da Petrobras, estão
inviabilizando a produção "verde-amarela"
de biodiesel. O mercado do biodiesel é estimado em quatro
vezes o mercado do etanol. Bem elaboradas as
perguntas contidas na reportagem "70 questões para
entender o etanol". É muito importante que a população
tenha conhecimento das fontes de energia alternativa. Embora
a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar
tenha se iniciado na década de 70, a maioria das pessoas
ainda não conhece o bastante outra fonte de energia que
não seja o petróleo. O artigo de VEJA é
um dos mais bem escritos para entender o papel do álcool
de cana. Explica com muitos dados a contribuição
brasileira para o combate ao aquecimento global e para a sustentabilidade
da civilização do automóvel. Todavia não
é simples explicar o que está nos compêndios
modernos de biologia e química, que engenheiros e até
políticos e economistas deviam entender. Para usar hidrogênio
precisamos produzi-lo, gastando energia. As plantas fazem isso
usando a energia do sol. Podemos utilizar diretamente a energia
do sol, mas esse processo ainda não está pronto
para o emprego em grande escala. É mais fácil
usar a cana e outras plantas. Podemos utilizar eletricidade
ou calor para decompor a água ou o metanol para produzir
hidrogênio. Não existe hidrogênio livre.
Dizer que o hidrogênio é o combustível é
o mesmo que dizer que o fio elétrico produz energia elétrica.
O fio, como o hidrogênio, é o transportador da
energia que deve ser produzida.
Herdeiros de ACM Parabéns, VEJA,
pela forma como relatou os fatos que envolvem a partilha de
bens da família do senador ACM ("A herança
maldita de ACM", 19 de março). O que o leitor precisa
saber é tão-somente o que aconteceu e o que está
acontecendo para depois, querendo, tirar as próprias
conclusões, a fim de opinar sobre a briga interna na
família ou sobre as nuances políticas envolvidas
no caso. Dessa forma, a revista ganha os parabéns pela
completa isenção ao narrar os fatos. Muito obrigada!
Fanatismo na novela Já está
mais do que comprovado que não basta ter um bom elenco
ou uma boa direção se estivermos diante de um
texto capenga, totalmente inverossímil, com personagens
sem sustentação e escopo, caindo no patético.
É o que podemos ver na telinha em Duas Caras.
Marcelo Marthe acertou em cheio ao falar da personagem Edivânia,
que deu um show de intolerância na novela ao exorcizar
um colchão king-size ("Fogueira santa", 19
de março). Concordo que as novelas
exageram quando querem chamar atenção para algum
tema, mas no caso dos evangélicos sou forçada
a reconhecer que até hoje todos os que conheci tentaram
me "converter". Costumam ser intolerantes, fanáticos
e parecem usar uma viseira que os impede de perceber que Deus
é único e o que muda, de uma religião para
outra, é apenas a forma de louvá-lo. Quando é criada
uma personagem caricata de uma beata católica, nenhum
evangélico diz nada. Não me lembro de tanta polêmica
com relação à Perpétua (interpretada
por Joana Fomm) de Tieta e a muitos outros personagens
de católicos fanáticos que praticavam o mal. Para
que tanta hipocrisia?
Vida das noivas Cumprimento a jornalista
Sandra Brasil pela reportagem "A maratona para o sim"
(19 de março). O casamento é o momento mais esperado
pelas mulheres brasileiras. Umas sonham desde criança
com tal dia. Antigamente, era só chegar à data,
maquiar-se, pentear-se, vestir-se e ir para o local. Atualmente,
não. Os preparativos demoram meses e até anos.
Só tenho interesse em saber por que tanto tempo assim.
Fazer plásticas, corrigir o rosto, emagrecer 10 quilos
e fazer peeling para o casamento é realmente uma desculpa
perfeita para lidar com antigos complexos. O melhor é
fazer o simples, que com certeza ficará natural e mais
bonito, do que o complicado, que poderá dar errado. Enfim,
parabéns pela reportagem.
Imigração Na Espanha, como em
qualquer outro país, a questão da imigração
é complexa. Não se esgota numa discussão
única. As palavras são pequenas para descrever
a dor exposta no rosto sem identidade dos imigrantes. Olhar
de dor, muita dor. Não são fugitivos de guerra.
Não são criminosos em fuga. Para os especialistas
em mudança climática, essas crianças e
jovens, homens e mulheres de idade indefinida são as
vítimas mais visíveis do aquecimento global da
Terra ("Globalização de populações",
19 de março). Sou uma brasileira
que acaba de voltar da Espanha após mais de dois anos
naquele país, onde fiz um mestrado e trabalhei. Além
de todos os problemas e oportunidades citados na reportagem,
os espanhóis realmente demonstraram ser xenófobos.
Viver na Espanha é viver como cidadão de segunda
categoria e sentir diariamente que você não faz
parte da sociedade espanhola. Espero que a imagem do espanhol
como povo alegre e receptivo esteja caindo por terra.
J.R. Guzzo Em Dom Quixote,
de Miguel de Cervantes, Sancho Pança, o fiel escudeiro,
acolhe seu antigo vizinho, o mouro Ricote, que estava proibido
de retornar à Espanha. Cervantes mostra que a decisão
do banimento de Ricote era contrária ao sentimento popular.
Alheios à burocracia oficial, Sancho e Ricote comemoraram
o reencontro comendo e bebendo, como amigos que eram. Em outro
episódio, Dom Quixote espeta com sua lança os
guardas que conduziam prisioneiros condenados. Esse amante da
liberdade e inimigo de todas as formas de opressão precisa
retornar urgentemente à Espanha ("O guarda do aeroporto",
19 de março).
Hipertensão É salutar a
evolução dos anti-hipertensivos, porém,
como sinal de alerta, gostaria de deixar registrado o meu caso.
Como médico aposentado, aos 61 anos de idade, fui surpreendido
ao constatar que os meus níveis de tensão arterial
estavam em 14 por 9. Sem fazer uso de medicamentos, comecei
a caminhar durante 45 minutos três vezes por semana, restringi
o sal e passei a usar adoçante dietético no lugar
do açúcar. Ao cabo de dois meses, tinha perdido
3 quilos do peso corporal, e a pressão arterial havia
baixado para 11 por 7. Infelizmente, a ausência de simples
medidas preventivas, como as que tomei quando a hipertensão
ainda era leve, tem levado muitos à incapacidade física
ou à morte por acidentes vasculares cerebrais ("12
por 8, a missão", 19 de março).
Holofote A respeito da nota
"Colombo ameaça renunciar à CPI" (Holofote,
19 de março), causa-me estranheza o fato de ter sido
atribuída ao relator da CPI das ONGs a responsabilidade
pela inclusão de requerimentos na pauta da comissão.
Não creio que tal informação tenha sido
transmitida à coluna pelo senador Colombo, uma vez que
o próprio regimento interno do Senado determina que a
competência para o ordenamento e a direção
dos trabalhos de qualquer comissão da Casa cabe a seu
presidente.
VEJA.com Hoje, preocupado com
a crise no mercado mundial, pela primeira vez acessei o site
de VEJA (www.veja.com.br) e fiquei surpreso e entusiasmado com
o que vi. Um site limpo, atraente e noticiando os fatos de uma
forma clara, precisa e gostosa de ler. Parabéns por estar
sempre na ponta do jornalismo brasileiro. Já está
na hora de vocês criarem uma empresa de TV. Seria sensacional.
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