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Edição 1 795 - 26 de março de 2003
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CINEMA

Fotos divulgação
Durval Discos: lado A e lado B


Durval Discos
(Brasil, 2003. A partir de sexta-feira em São Paulo e Porto Alegre) – Na concepção da diretora Anna Muylaert, esse é um filme com lado A e lado B, como os discos de vinil que o Durval do título vende em sua loja. No lado A, fica a comédia de costumes. Durval (Ary França) e sua mãe, Carmita (Etty Fraser), moram e trabalham, sozinhos e solitários, numa casa em São Paulo. Ele estacionou na adolescência, e ela está entrando na senilidade – razão pela qual o filho a convence a contratar uma empregada. Chega Célia (Letícia Sabatella), que some logo na primeira noite, deixando em seu lugar uma menina, com um bilhete em que pede aos patrões para cuidar de Kiki, sua filha, por dois dias. Aí o filme dá sua virada. Já apaixonados pela menina, a única coisa viva em sua rotina, mãe e filho descobrem pelo noticiário que Kiki não é exatamente filha de Célia. Mas não conseguem abrir mão dela. Quanto mais adiam a decisão de entregá-la à polícia, mais fundo atolam no drama. Esse lado B de Durval Discos dá seus pulos, mas eles não chegam a diminuir o interesse do filme. Há que destacar ainda a criatividade visual da diretora e as boas atuações de França e Etty, que somam para uma produção de tom bem mais pessoal do que é norma no cinema brasileiro recente.

 

LIVRO

Mr. Phillips, de John Lanchester (tradução de Cristina Laguna Sangiuliano Bôa; Best-Seller; 254 páginas; 32 reais) – Ex-crítico de gastronomia do jornal inglês The Observer, John Lanchester viu sua carreira literária deslanchar em meados dos anos 90, quando arrancou elogios rasgados com seu romance de estréia, Gula. Narrado em primeira pessoa, num estilo marcado pelo humor e pelo sarcasmo, o livro lhe rendeu comparações com um autor do porte de Vladimir Nabokov (do clássico Lolita). Lançado no exterior há três anos e agora no Brasil, Mr. Phillips mostra que a prosa de Lanchester continua afiada. Toda a ação transcorre num único dia da vida do personagem-título. Mr. Phillips é um contador cinqüentão, casado e pai de dois filhos, que leva uma existência pacata num subúrbio de Londres – até o dia em que é demitido do emprego no qual permaneceu por 26 anos. Enquanto toma coragem para contar a má notícia à mulher, Mr. Phillips perambula pela cidade e reflete sobre os temas que mais o afligem – como o sexo, que ele pouco pratica e sobre o qual muito fantasia. Leia trechos do livro.

 

TELEVISÃO

Tutancâmon: faraó assassinado?

O Assassinato de Tutancâmon (domingo, dia 30, às 21h, no Discovery) – Elevado ao trono com apenas 9 anos de idade e morto precocemente, aos 18, o faraó Tutancâmon foi uma das figuras mais intrigantes do Antigo Egito – no qual reinou no século XIV a.C. Desde a descoberta de sua tumba, em 1922, cientistas têm aventado a hipótese de que ele foi vítima de assassinato. Nesse documentário, a moderna medicina forense é usada na tentativa de comprovar a tese. Quem conduz a investigação são os detetives americanos Gregory Cooper e Mike King. Com o auxílio de especialistas, eles examinam radiografias da múmia do faraó e chegam à conclusão de que Tutancâmon foi golpeado na cabeça antes de morrer. Também a partir delas, é feita uma reconstituição de sua face. Além de interessante do ponto de vista científico, o documentário tem um certo clima de seriado policial. Com base nas intrigas políticas do Egito da Antiguidade – recriado por meio de dramatizações e computação gráfica –, Cooper e King especulam sobre os prováveis suspeitos na morte do faraó.


Reuters
Jackson, com os filhos: ele garante que fez sexo para ser pai


The Michael Jackson Interview
(domingo, dia 30, às 21h, na Sony) – Em fevereiro passado, pouco depois de o jornalista inglês Martin Bashir provocar (mais) estrago em sua imagem, com o polêmico documentário Living with Michael Jackson, o cantor americano saiu a campo para tentar mostrar que não era um sujeito tão esquisito quanto parecia naquele programa. Com imagens captadas por um câmera a seu serviço durante as filmagens de Bashir, ele fez outro documentário, no qual pretendia provar que suas falas haviam sido editadas de forma mal-intencionada. Mas a versão do cantor, que estréia agora na TV paga, foi um tiro que saiu pela culatra: além de não desacreditar Bashir, ela só reforça a impressão de que o mundo de Michael Jackson é mesmo uma doideira. Uma das cenas mais insólitas é protagonizada pela enfermeira Debbie Rowe, mãe de seus dois filhos mais velhos. Ela jura que foi sua a idéia de fazer as crianças usar máscaras em público. E afirma, constrangida, que fez sexo com o cantor para ter os bebês.

 

DISCO

 
Divulgação
J. Miranda

Zé Ramalho: caixa com quinze CDs do cantor paraibano

 

Os Onze Grandes Sucessos de Sua Carreira, Zé Ramalho (Sony Music) – Entre 1978 e 1992, o cantor e compositor paraibano Zé Ramalho lançou seus melhores trabalhos. Depois de despontar, no início dos anos 70, como músico de apoio de Alceu Valença e de lançar um disco de rock psicodélico (Paebirú, de 1975), ele finalmente estabeleceu as personas que o consagrariam: a de "Bob Dylan do sertão", pelo ar trovadoresco com que interpretava suas músicas, e a de "Antônio Conselheiro do rock", por causa do tom apocalíptico de suas letras – ainda que em Força Verde, faixa-título do álbum de 1982, os versos tenham sido surrupiados da revista em quadrinhos Hulk. Os onze discos que Zé Ramalho lançou no período estão sendo agora reeditados com diversas faixas-bônus e, coisa rara em se tratando de relançamentos, um encarte com letras e fichas técnicas. Para quem gosta, é uma boa oportunidade de ouvir novamente sucessos como Admirável Gado Novoe Vila do Sossego e conhecer obras menos badaladas – caso de Orquídea Negra, parceria de Ramalho com Jorge Mautner. Ouça sucessos da caixa.

 

DVD

Paramount Pictures
Duelistas: a estréia de Ridley Scott


Os Duelistas
(The Duellists, Inglaterra, 1977. Paramount) – O inglês Ridley Scott estreou na direção de longas-metragens com essa adaptação de um conto de Joseph Conrad, o autor de O Coração das Trevas. Durante quinze anos, no período das guerras napoleônicas, dois soldados do Exército francês (Harvey Keitel e Keith Carradine) se enfrentam obsessivamente em duelos, que se iniciam por causa de um incidente sem importância, mas logo se tornam a razão – ou a desrazão – determinante de suas vidas. Um dos pontos altos do filme é a maneira como Scott contrasta a neurose desses enfrentamentos com a beleza idílica e ordenada do campo francês no início do século XIX. Outro é a constatação de que o diretor não escolheu esse tema por acaso: de Alien – O Oitavo Passageiro a Gladiador, quase todos os seus filmes tratam, no fundo, de duelos tão violentos quanto irracionais. Entre os extras, há um bate-papo entre Scott e o cineasta americano Kevin Reynolds (do horroroso Waterworld) sobre Os Duelistas e também o primeiro curta do inglês, Menino e Bicicleta, estrelado pelo seu irmão Tony Scott – que viria a se tornar o diretor de Top Gun.

 

 

   
 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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