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O Solaris de Soderbergh é menor que
o de Tarkovsky. Nem por isso vale menos
Isabela
Boscov
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| Clooney,
com
Natascha Mc Elhone: uma
segunda chance |

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O
diretor Steven Soderbergh usou de uma ótima analogia para definir
o seu Solaris (Estados Unidos, 2002), que estréia
nesta sexta-feira no país. Segundo ele, o russo Andrei Tarkovsky
tirou uma sequóia do livro do polonês Stanislaw Lem, com
sua célebre versão de 1972. Já ele próprio
não pretendeu mais do que encontrar ali um bonsai. A comparação
não dá conta só da ambição diversa
com que o russo e o americano abordaram a ficção científica
publicada por Lem em 1961. Ela é apropriada também porque
não cabe discutir o que é melhor, se uma árvore gigantesca
ou uma diminuta: elas são simplesmente manifestações
diferentes de um mesmo fenômeno. Tarkovsky, então o mais
eminente cineasta soviético, fez Solaris como uma resposta
à impessoalidade de 2001 Uma Odisséia no Espaço.
Na história (que ambos os diretores mantêm na sua essência),
o psicólogo Chris Kelvin é chamado a uma estação
espacial no planeta Solaris para entender o que vem ocorrendo ali. O oceano
de Solaris, ao que parece, é capaz de captar os desejos dos seres
humanos e materializá-los. Logo ao chegar, portanto, Kelvin é
saudado por uma aparição de sua mulher, Rheya, que se suicidou
anos antes. Apavorado, o psicólogo se livra dela. Mas encontra
outra Rheya esperando por ele em sua cama. Essas aparições,
evidentemente, não são humanas são alguma
outra coisa, e sofrem com a consciência de sua incompletude. Kelvin
não demora a ligar-se a essa Rheya, não importa se verdadeira
ou falsa, e fará tudo para mantê-la a seu lado.
Tarkovsky fez Solaris no auge do fechamento do bloco comunista,
e é natural que o pessimismo e a opressão de um mundo engrenado
para triturar aspirações pessoais porejassem para dentro
de seu filme. Soderbergh, em sintonia com o seu próprio contexto,
o da supremacia do indivíduo, detém-se numa questão
mais pragmática: é possível reconhecer uma segunda
chance pelo que ela é? E, nesse caso, pode-se vivê-la segundo
um roteiro diferente? Apoiado numa boa interpretação de
George Clooney e em seu extraordinário trabalho de cor, foco, enquadramento
e montagem (tudo a seu próprio cargo, sob os pseudônimos
Peter Andrews e Mary Ann Bernard), Soderbergh faz um Solaris menos
filosófico, e mais pessoal. Ainda que ele não projete uma
sombra tão grande quanto a de seu antecessor, é um belo
bonsai.
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