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Edição 1 795 - 26 de março de 2003
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Tamanho não é documento

O Solaris de Soderbergh é menor que
o de Tarkovsky. Nem por isso vale menos

Isabela Boscov

 
Clooney, com Natascha Mc Elhone: uma segunda chance

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O diretor Steven Soderbergh usou de uma ótima analogia para definir o seu Solaris (Estados Unidos, 2002), que estréia nesta sexta-feira no país. Segundo ele, o russo Andrei Tarkovsky tirou uma sequóia do livro do polonês Stanislaw Lem, com sua célebre versão de 1972. Já ele próprio não pretendeu mais do que encontrar ali um bonsai. A comparação não dá conta só da ambição diversa com que o russo e o americano abordaram a ficção científica publicada por Lem em 1961. Ela é apropriada também porque não cabe discutir o que é melhor, se uma árvore gigantesca ou uma diminuta: elas são simplesmente manifestações diferentes de um mesmo fenômeno. Tarkovsky, então o mais eminente cineasta soviético, fez Solaris como uma resposta à impessoalidade de 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Na história (que ambos os diretores mantêm na sua essência), o psicólogo Chris Kelvin é chamado a uma estação espacial no planeta Solaris para entender o que vem ocorrendo ali. O oceano de Solaris, ao que parece, é capaz de captar os desejos dos seres humanos e materializá-los. Logo ao chegar, portanto, Kelvin é saudado por uma aparição de sua mulher, Rheya, que se suicidou anos antes. Apavorado, o psicólogo se livra dela. Mas encontra outra Rheya esperando por ele em sua cama. Essas aparições, evidentemente, não são humanas – são alguma outra coisa, e sofrem com a consciência de sua incompletude. Kelvin não demora a ligar-se a essa Rheya, não importa se verdadeira ou falsa, e fará tudo para mantê-la a seu lado.

Tarkovsky fez Solaris no auge do fechamento do bloco comunista, e é natural que o pessimismo e a opressão de um mundo engrenado para triturar aspirações pessoais porejassem para dentro de seu filme. Soderbergh, em sintonia com o seu próprio contexto, o da supremacia do indivíduo, detém-se numa questão mais pragmática: é possível reconhecer uma segunda chance pelo que ela é? E, nesse caso, pode-se vivê-la segundo um roteiro diferente? Apoiado numa boa interpretação de George Clooney e em seu extraordinário trabalho de cor, foco, enquadramento e montagem (tudo a seu próprio cargo, sob os pseudônimos Peter Andrews e Mary Ann Bernard), Soderbergh faz um Solaris menos filosófico, e mais pessoal. Ainda que ele não projete uma sombra tão grande quanto a de seu antecessor, é um belo bonsai.

   
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