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Edição 1 795 - 26 de março de 2003
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Brasileiros tipo exportação

Eles são nomes pouco conhecidos aqui.
Mas vendem como gente grande lá fora

Bel Moherdaui

 
Vicente de Paulo
Terry Tsolys
Ana Abdul, estilista
Onde vende: EUA, Europa e Ásia (loja própria em Nova York)
Preços: 115 dólares (camiseta bordada) a 2 700 dólares (casaco de pele, na foto à direita)
Clientes famosas: Madonna, Catherine Zeta-Jones, Gwyneth Paltrow, Kate Moss, Liv Tyler

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Muitos empresários de moda que vendem bem aqui estão tentando, a duras penas, abrir caminho para suas criações em pontos privilegiados no exterior. Já descobriram que é difícil, custa caro e demora muito. Pois há um grupo de estilistas e designers brasileiros que seguiu um roteiro mais modesto: eles foram para fora (Estados Unidos principalmente), instalaram-se e aí então começaram a buscar o caminho das vitrines consagradas. Também é difícil, também demora, mas, quando dá certo, é um festival de clientes célebres e etiquetas em dólares de deixar babando os colegas locais. São nomes como os designers de bolsas Flavio Olivera e Carlos Falchi, a joalheira Francisca Botelho e as estilistas Ana Abdul e Jussara Lee – todos pouquíssimo conhecidos aqui, mas que dividem prateleiras chiques em Nova York com grifes como Armani, Yamamoto e Saint Laurent. O veterano da turma é o mineiro Falchi, 56 anos, ex-desenhista de selos para os Correios que chegou aos EUA em 1964 e, entre um e outro bico em restaurantes, começou a produzir peças de couro cheias de estilo. "Como tinha de economizar, aproveitava os menores pedaços de couro que sobravam e transformava em patchwork. Ou fazia pinturas na banheira do meu apartamento", conta ele. No currículo, inclui hoje parcerias com estilistas como Donna Karan, Issey Miyake e Marc Jacobs.

Tony Oliveira
Tetzuya Watanave

Carlos Falchi, designer de bolsas
Onde vende: EUA, Europa e Japão (loja própria)
Preços: 100 dólares (porta-moedas) a 15 000 dólares (de crocodilo, bordada com pedras)
Clientes famosas: Cher, Goldie Hawn, Susan Sarandon, Barbra Streisand

Falchi faz um estilo universal, sem plumas nem folclore. Igualmente chiques-sem-bandeira são as bolsas e os cintos desenhados pelo paulista Flavio Olivera, 36 anos, instalado há nove em Los Angeles, que até o nome mudou para facilitar os negócios. "Eles não conseguiam acertar o Oliveira de jeito nenhum. Um amigo que faz numerologia me animou, e acabei tirando o i de vez", diz ele, que de uma única peça (a bolsa Rose, de couro, com dois "bolsos" externos) já vendeu mais de 2.500 exemplares. Parte deles na butique Language, do casal de brasileiros Lipe (de Felipe) Medeiros e Ana Abdul, uma das mais bem-sucedidas empreitadas brasileiras em Manhattan. "A Language é conhecida por ter o que ninguém tem. Vamos atrás da marca que vai fazer sucesso em seis meses na Barneys", diz Medeiros, comparando-se a uma das lojas de departamento mais sofisticadas da cidade. Há pouco mais de um ano, a Language lançou sua marca própria, hoje responsável por mais de 50% do faturamento da butique (4,3 milhões de dólares em 2002).

 
Georgiana Basto
Marcos Lima

Constança Basto, designer de sapatos
Onde vende: loja própria em Nova York
Preços: 150 dólares (chanel de couro) a 390 dólares (sandálias à direita)
Clientes famosas: Nicole Kidman, Elizabeth Hurley

Da turma de brasileiros mais conhecidos lá fora, a única com cara de "produto nacional" é a joalheira Francisca Botelho, cuja marca registrada são escapulários adaptados às mais diferentes confissões religiosas – tem com santo, com símbolos judaicos, com entidades de candomblé. "Tem de ir bater na porta. Mostrei meu trabalho uma, duas, três vezes, até que eles aceitaram", conta Francisca, que exibe jóias em trinta pontos-de-venda. A estilista Jussara Lee, 35 anos, paulistana descendente de coreanos radicada há mais de dez anos em Nova York, também experimentou a via-sacra dos iniciantes. Jussara tem uma butique que leva seu nome no Meatpacking District, o novo ponto descolado de Manhattan. A poucas quadras, a carioca Constança Basto, estilista de acessórios, teve um percurso diferente. Primeiro fez nome no Rio de Janeiro. A aventura americana, sustentada por um investidor profissional, começou em dezembro passado. Sua loja de sapatos em Nova York, com jeito de boudoir, é maior que as três versões cariocas juntas e já rendeu à estilista várias reportagens em revistas importantes. "Como a loja fica em um prédio residencial, tombado, para aprovar qualquer detalhe da obra era um sacrifício. Os moradores implicavam com tudo. Agora, todos descem, levam o cachorro, tomam um café", relata. Quem quiser também pode levar um par de suas sandálias femininas e sofisticadas, que não fazem feio perto de criações do papa dos sapatos, Manolo Blahnik.

 

   
 
   
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