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Edição 1 795 - 26 de março de 2003
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De volta ao passado

 
Lula Marques/Folha Imagem
Reunião ministerial na Granja do Torto: vozes no governo do PT elogiam a economia do regime militar

O senador petista Aloizio Mercadante e o ministro do Planejamento, Guido Mantega, manifestaram na semana passada nostalgia da economia estatal do regime militar. Mercadante citou como exemplo do que espera ver implantado no Brasil os chamados PNDs, os Planos Nacionais de Desenvolvimento, obras máximas da tecnocracia estatal do ciclo dos generais. De todos os anacronismos alimentados por vozes nos altos escalões do governo petista, a idéia de fazer a administração federal regredir aos tempos dos PNDs é a mais patética. Ela implica desconhecimento da história econômica do país e ao mesmo tempo mostra que petistas do mais alto escalão enxergam um papel para o Estado brasileiro incompatível com as democracias modernas.

Visto em perspectiva, até mesmo por alguns de seus protagonistas, o milagre econômico dos anos 70 não foi fruto dos PNDs. Foi produto da combinação de autoritarismo com abundância de capitais internacionais. São dois ingredientes com os quais o PT não deve contar. O primeiro por pudor democrático. O segundo pelas circunstâncias do cenário econômico internacional. Portanto, o mais sensato para o PT é encarar com maior humildade o choque de realidade que está tendo com a máquina estatal. A administração cujo maior projeto, o Fome Zero, completou quase três meses de funcionamento sem decolar não está em posição confortável para falar na produção de megaplanos de desenvolvimento para o país.

Melhor que seja assim. Os Estados modernos têm como papel fundamental manter a estabilidade econômica e diminuir as incertezas financeiras, criando no país um ambiente propício à geração de riqueza. O Estado empresário, estrategista e centralizador, é uma experiência caída em desuso depois de testada e reprovada não apenas nos países comunistas mas aqui mesmo no Brasil. O economista americano Merton Miller (1923-2000), ganhador do Prêmio Nobel, resumiu com clareza essa questão: "A União Soviética foi durante 75 anos o mais perfeito laboratório do planejamento estatal centralizado. Como sabemos, o regime ruiu em um colapso moral, econômico e social sem precedentes na história humana".



 
 
   
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