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De volta
ao passado
Lula Marques/Folha Imagem
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| Reunião
ministerial na Granja do Torto: vozes no governo do PT elogiam a economia
do regime militar |
O
senador petista Aloizio Mercadante e o ministro do Planejamento, Guido
Mantega, manifestaram na semana passada nostalgia da economia estatal
do regime militar. Mercadante citou como exemplo do que espera ver implantado
no Brasil os chamados PNDs, os Planos Nacionais de Desenvolvimento, obras
máximas da tecnocracia estatal do ciclo dos generais. De todos
os anacronismos alimentados por vozes nos altos escalões do governo
petista, a idéia de fazer a administração federal
regredir aos tempos dos PNDs é a mais patética. Ela implica
desconhecimento da história econômica do país e ao
mesmo tempo mostra que petistas do mais alto escalão enxergam um
papel para o Estado brasileiro incompatível com as democracias
modernas.
Visto em perspectiva, até mesmo por alguns de seus protagonistas,
o milagre econômico dos anos 70 não foi fruto dos PNDs. Foi
produto da combinação de autoritarismo com abundância
de capitais internacionais. São dois ingredientes com os quais
o PT não deve contar. O primeiro por pudor democrático.
O segundo pelas circunstâncias do cenário econômico
internacional. Portanto, o mais sensato para o PT é encarar com
maior humildade o choque de realidade que está tendo com a máquina
estatal. A administração cujo maior projeto, o Fome Zero,
completou quase três meses de funcionamento sem decolar não
está em posição confortável para falar na
produção de megaplanos de desenvolvimento para o país.
Melhor que seja assim. Os Estados modernos têm como papel fundamental
manter a estabilidade econômica e diminuir as incertezas financeiras,
criando no país um ambiente propício à geração
de riqueza. O Estado empresário, estrategista e centralizador,
é uma experiência caída em desuso depois de testada
e reprovada não apenas nos países comunistas mas aqui mesmo
no Brasil. O economista americano Merton Miller (1923-2000), ganhador
do Prêmio Nobel, resumiu com clareza essa questão: "A União
Soviética foi durante 75 anos o mais perfeito laboratório
do planejamento estatal centralizado. Como sabemos, o regime ruiu em um
colapso moral, econômico e social sem precedentes na história
humana".
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