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Edição 1 791 - 26 de fevereiro de 2003
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Pedágio urbano

Para reduzir os congestionamentos,
Londres cobra taxa de quem trafega
na região central


AP
Reuters
Poucos protestaram e 50 000 veículos ficaram fora do centro no primeiro dia

Os londrinos sabem que a lentidão no tráfego de sua cidade pode significar prejuízos de até 4% do produto interno bruto local. Por isso, não reagiram mal à última novidade adotada na capital inglesa para reduzir os congestionamentos. No primeiro dia de cobrança de pedágio para motoristas que entram com seu carro no centro da cidade, 50.000 condutores preferiram deixar os automóveis fora desse limite. Mais de 100.000 pagaram a taxa, equivalente a 8 dólares, e os protestos que alguns grupos tentaram promover deram em retumbante fracasso de público. A instituição desse pedágio deverá reverter em investimentos extras em transporte público da ordem de 205 milhões de dólares por ano.

A taxa pode ser paga pela internet, por telefone ou pessoalmente, em lojas e postos de cobrança. No momento do pagamento, que pode ser feito até minutos antes de entrar na região central ou mesmo com antecedência de meses, o motorista informa os dados referentes ao veículo. As informações ficam armazenadas nos computadores e são comparadas com as imagens de aproximadamente 700 câmeras de vídeo espalhadas por 203 pontos da área controlada. A multa pela infração, outro item que ajudará a compor a cesta de investimentos em transportes, não é baixa. Custa 126 dólares e pode encarecer bem mais que isso se não for saldada depressa. Quem deixar para pagá-la depois de 28 dias, por exemplo, vai desembolsar o equivalente a 190 dólares. Táxis, veículos de serviços de emergência e motoqueiros não estão sujeitos ao pedágio. Proprietários de automóveis que residem na região central vão pagar uma taxa simbólica – com desconto de até 90% sobre o valor original.

Há capitais européias que estipulam horários para a entrada de carros de particulares ou vedam o trânsito em trechos do centro. Os críticos do tipo de medida adotado em Londres acham que o pedágio apenas irá transferir os congestionamentos para o entorno do perímetro tarifado, além de aumentar a demanda por transporte público. Os mais exagerados apregoam o risco de fuga de companhias internacionais para Tóquio, Paris ou Nova York. Em 35 outras cidades britânicas se estuda a implantação de um projeto similar. Talvez a idéia seja até exportada. "Dificilmente a cidade de São Paulo escapará do pedágio nos próximos dez anos", diz o diretor-geral do Departamento Nacional do Trânsito (Denatran), Ailton Brasiliense. "Essa será uma opção para abrandar o transtorno do trânsito." Estima-se que o Brasil perca 1,5 bilhão de reais por ano com a lentidão do tráfego.

 
 
   
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