
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Caça
às bruxas
Chávez desiste de
diálogo e aumenta
a pressão sobre seus opositores
Reuters
 |
| Hugo
Chávez: de acordo com pesquisas, seria derrotado num plebiscito
|
O presidente Hugo Chávez sobreviveu a uma greve geral contra seu
governo que durou dois meses. Na terça-feira da semana passada,
num esforço para permitir que a vida na Venezuela retorne à
normalidade, o governo e a oposição assinaram um acordo
que prevê o abandono da violência e da retórica agressiva
por ambas as partes. Não valeu a tinta usada nas assinaturas. Chávez
voltou imediatamente a demonstrar, em pronunciamentos públicos,
que não está nem um pouco a fim de diálogo ou consenso.
Na quinta-feira, a polícia pôs na cadeia um dos líderes
da greve geral, Carlos Fernández, presidente da maior associação
empresarial do país. A ordem foi expedida por um juiz por crime
de "rebelião civil e traição à pátria".
Não é coincidência, assim, que Chávez tenha
dito publicamente que os opositores mereciam ir para a cadeia. Ao desistir
de qualquer diálogo político, o presidente desmoraliza a
diplomacia brasileira, que tanto se esforçou para mediar o impasse
entre os venezuelanos. Também fica sem sentido o Clube de Amigos
da Venezuela, capitaneado pelo Brasil e Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse clube reúne países interessados na busca de uma solução
negociada para a crise política em Caracas.
Hugo Chávez sente-se fortalecido pela vitória sobre a greve
geral e acha que deve aproveitar o momento para esmagar de vez seus adversários
políticos. Se prefere o confronto, é porque as pesquisas
dizem que será derrotado se aceitar o referendo sobre seu mandato
que a oposição quer realizar em agosto. "Finalmente aparecem
juízes de coragem. Esse aí já foi preso tarde", disse
Chávez, em relação ao empresário detido. "Fui
dormir com um sorriso na boca." A prisão de Fernández mostra
o clima de caça às bruxas pilotado pelo governo Chávez.
Na quarta-feira, Fernández foi detido por oito agentes do serviço
secreto venezuelano enquanto jantava em um restaurante de Caracas. Na
mesma noite, era dada a ordem de prisão a Carlos Ortega, líder
da maior confederação sindical da Venezuela, que conseguiu
fugir. Para piorar a situação, foram encontrados na periferia
de Caracas os cadáveres de três militares que pregaram a
desobediência ao regime. A oposição insiste em que
eles foram vítimas de homens armados pelos círculos bolivarianos,
os grupos de apoio a Chávez criados nas periferias venezuelanas.
AP
 |
| O
empresário Carlos Fernández: prisão por liderar a greve |
Muita gente que participou da greve está sendo vítima da
revanche do regime bolivariano. Na gigante estatal do petróleo,
PDVSA, as demissões punitivas atingem um terço dos 12.000
funcionários. Em vão, os remanescentes realizam manifestações
diárias exigindo a readmissão dos punidos. Chávez
diz que eles não terão o emprego de volta. "Merecem cadeia",
ameaça ele. O presidente ainda está longe, contudo, de poder
proclamar vitória. Na semana passada, a oposição
já havia recolhido 4,5 milhões de assinaturas exigindo um
referendo que encurte o mandato do presidente de seis anos para quatro.
Sem nenhum sinal de estabilidade à vista, a economia definha. Trinta
anos atrás, a Venezuela era tão rica quanto a Espanha. Hoje,
a situação é de total penúria. O PIB venezuelano
caiu 7% em 2002. Neste ano, prevê o Banco Santander, deverá
encolher outros 15%.
|
|
 |