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A
tarefa mais urgente
José Paulo Lacerda/AE
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| O
presidente Lula no Congresso: clareza sobre o momento econômico
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Ainda
na campanha presidencial e nas primeiras semanas de governo, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e os líderes do PT lembravam que
o Brasil está em um período de transição.
Pediam paciência aos brasileiros e alertavam para os sacrifícios
exigidos nas atuais circunstâncias. Na semana passada, ao discursar
no Congresso Nacional na abertura dos trabalhos legislativos, Lula explicitou
pela primeira vez com clareza as dificuldades do atual momento econômico
brasileiro e esclareceu que modelo de país sua administração
planeja para o Brasil. "Temos de garantir a sustentabilidade da dívida
pública, fazendo com grande responsabilidade a transição
para um novo modelo de menor endividamento do governo e maior crescimento
econômico", disse o presidente.
Lula fez um roteiro realista da transição e estabeleceu
um objetivo claro a respeito de onde quer chegar. Com um governo que gaste
menos e melhor, o peso dos impostos e dos juros sobre os ombros da sociedade
brasileira pode ser aliviado. Sem essa sobrecarga, a economia do Brasil
poderá crescer e gerar empregos na quantidade necessária.
Os brasileiros suportam atualmente a mais alta carga tributária
e a menor oferta de crédito privado entre os países emergentes.
Lula reconheceu a fraqueza das finanças nacionais e não
tentou esconder as vulnerabilidades externas do Brasil em um cenário
de guerra iminente dos Estados Unidos com o Iraque. Dois dias depois do
discurso, o Banco Central aumentaria em 1 ponto porcentual a taxa básica
de juros, elevando-a para 26,5% ao ano. O presidente e as medidas adotadas
pelo BC dissiparam as dúvidas que ainda poderiam persistir sobre
a disposição do governo do PT de manter a estabilidade com
os mesmos remédios amargos usados pelo governo de Fernando Henrique
Cardoso.
Lula mostrou que está no rumo certo ao propor ao Congresso o enorme
desafio de fazer com ele, o mais rapidamente possível, as reformas
que tragam benefícios duradouros para os brasileiros. Enquanto
as reformas não passarem, a vulnerabilidade continuará sendo
enfrentada com juros altos e impostos. Portanto, não existe tarefa
mais urgente no Brasil que transformá-las em realidade.
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