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Edição 1 791 - 26 de fevereiro de 2003
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A tarefa mais urgente

José Paulo Lacerda/AE
O presidente Lula no Congresso: clareza sobre o momento econômico

Ainda na campanha presidencial e nas primeiras semanas de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os líderes do PT lembravam que o Brasil está em um período de transição. Pediam paciência aos brasileiros e alertavam para os sacrifícios exigidos nas atuais circunstâncias. Na semana passada, ao discursar no Congresso Nacional na abertura dos trabalhos legislativos, Lula explicitou pela primeira vez com clareza as dificuldades do atual momento econômico brasileiro e esclareceu que modelo de país sua administração planeja para o Brasil. "Temos de garantir a sustentabilidade da dívida pública, fazendo com grande responsabilidade a transição para um novo modelo de menor endividamento do governo e maior crescimento econômico", disse o presidente.

Lula fez um roteiro realista da transição e estabeleceu um objetivo claro a respeito de onde quer chegar. Com um governo que gaste menos e melhor, o peso dos impostos e dos juros sobre os ombros da sociedade brasileira pode ser aliviado. Sem essa sobrecarga, a economia do Brasil poderá crescer e gerar empregos na quantidade necessária. Os brasileiros suportam atualmente a mais alta carga tributária e a menor oferta de crédito privado entre os países emergentes. Lula reconheceu a fraqueza das finanças nacionais e não tentou esconder as vulnerabilidades externas do Brasil em um cenário de guerra iminente dos Estados Unidos com o Iraque. Dois dias depois do discurso, o Banco Central aumentaria em 1 ponto porcentual a taxa básica de juros, elevando-a para 26,5% ao ano. O presidente e as medidas adotadas pelo BC dissiparam as dúvidas que ainda poderiam persistir sobre a disposição do governo do PT de manter a estabilidade com os mesmos remédios amargos usados pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.

Lula mostrou que está no rumo certo ao propor ao Congresso o enorme desafio de fazer com ele, o mais rapidamente possível, as reformas que tragam benefícios duradouros para os brasileiros. Enquanto as reformas não passarem, a vulnerabilidade continuará sendo enfrentada com juros altos e impostos. Portanto, não existe tarefa mais urgente no Brasil que transformá-las em realidade.

 
 
   
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