Edição 1889 . 26 de janeiro de 2005

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Tales Alvarenga
Machista!

"Se um reitor comparece a um congresso
e não pode dar sua opinião devido à
sensibilidade das feministas, então
o debate está interditado e não há mais
razão para a existência da universidade"

Com as conquistas das mulheres nos últimos cinqüenta anos, o natural seria que o feminismo estivesse enterrado. Como instrumento de luta política, está mesmo. O que resta dele é uma carcaça de posturas obscurantistas. Quando Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo, chamou seus críticos de "machistas", ficou evidente que tentava apenas fugir das acusações que vinha recebendo por sua administração desastrosa e falida. As ideologias nascem, amadurecem e morrem. Deixam de existir no momento em que se tornam um entrave ao progresso das causas inicialmente defendidas.

Foi o que aconteceu com o feminismo. Suas teses se infiltraram pouco a pouco em instituições das sociedades industrializadas, como a universidade. Aceita entre os intelectuais, a luta feminista perdeu a virulência dos primeiros tempos e se tornou parte integrante da cultura. Nesse processo, perdeu a dinâmica e se transformou em dogma.

Na semana passada, o reitor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, Lawrence Summers, pediu desculpa publicamente por ter ofendido a platéia feminina numa conferência. O que fez Summers? Afirmou que diferenças biológicas podem explicar por que poucas mulheres têm sucesso na matemática e nas ciências. Era apenas uma tese. Só num ambiente obscurantista se poderia imaginar que fosse considerada um sacrilégio impronunciável. Para piorar a recepção de suas idéias, Summers citou uma pesquisa segundo a qual meninos conseguem resultados melhores do que meninas em testes de matemática. Ouviram-se protestos irados. Muitas mulheres se retiraram da sala.

Segundo a corrente de pensamento hoje dominante na elite cultural americana, só é elegante atribuir aos "fatores sociais" as diferenças de aptidão entre os sexos. Secretário do Tesouro no governo Clinton, mais acostumado com o mundo cru da política do que com os melindres da academia, Summers cutucou o arsenal de teses politicamente corretas em vigor em seu país. Tratava-se de um simpósio sobre o tema "Mulheres, minorias subvalorizadas e suas carreiras em ciência e engenharia". Se um reitor comparece a um congresso desses e não pode dar sua opinião devido à sensibilidade das feministas, então o debate está interditado e não há mais razão para a existência da universidade.

O homem e a mulher comuns sabem que há diferenças entre eles, provavelmente resultado da evolução biológica. Genericamente falando, a mulher é mais prática, mais esperta, mais funcional. Entende os semelhantes com mais precisão e tem uma visão mais cooperativa da vida em sociedade. É mais corajosa e menos aventureira. Não quer dirigir carros de Fórmula 1. Tem menos senso de humor e imaginação e, talvez, mais dificuldade com a matemática, como postula Summers. Ainda não se tem certeza sobre essas coisas. São temas fascinantes para a pesquisa. A imposição do silêncio sobre o assunto é a negação do impulso iluminista que presidiu o nascimento do feminismo.

 
 
 
 
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