Edição 1889 . 26 de janeiro de 2005

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Carta ao leitor
Os juros e a inflação

 
Lia Lubambo

Consumo: juros aleijam. Inflação mata

Em momentos como o da semana passada, quando os juros básicos da economia foram aumentados, os diagnósticos de empresários, empregados e consumidores são corretos: com 18,25% de juros básicos por ano e a mais alta taxa de juro real do mundo é quase impossível crescer e competir. Mas é equivocada a terapia sugerida de baixar a guarda dos juros para, mesmo ao custo de mais inflação, impulsionar o crescimento. O juro é o termômetro, e não a febre. E o que é a febre? Os gastos do governo, que crescem sempre, e a timidez das reformas, insuficientes para diminuir os déficits estatais. Na próxima subida dos juros que se fizer necessária, vociferemos contra a gastança pública, pela urgência das reformas, por medidas que aumentem a previsibilidade e a transparência da economia.

Simplesmente condenar o aumento da taxa de juros é inócuo. O Banco Central brasileiro já deu mostras, a exemplo de seus mais bem-sucedidos congêneres no exterior, de que não tem um segundo de vacilação em subir os juros sempre que seus sensores indicam que a inflação está ganhando músculos. Manietar o Banco Central não é uma opção. Ela equivale a colocar o termômetro na geladeira para baixar a temperatura do paciente.

Está passando da hora de atacar as causas do aumento dos juros. A gastança do governo é uma das principais delas. O governo torra dinheiro além do seu limite de arrecadação, que, como todos sabem, é insaciável. No ano passado, o governo arrecadou em impostos 36,5% do PIB, um recorde histórico. Não se satisfez. Gastou ainda mais do que arrecadou.

Caso controlasse suas despesas, o governo daria ao Banco Central folga para cortar juros. Na hipótese de aprofundar a reforma e diminuir o déficit atual da Previdência, os juros deixariam de subir. Os economistas garantem também que medidas em benefício da transparência e firmeza na manutenção da estabilidade ajudariam a segurar a rédea dos juros. É o caso da autonomia do Banco Central. Essa providência sozinha, estima-se, derrubaria imediatamente 3 pontos porcentuais na taxa básica, a Selic. Da adoção de alternativas não inflacionárias para conter a alta dos juros depende a resposta afirmativa à pergunta se o Brasil atingirá algum dia o almejado crescimento sustentado de sua economia.

 
 
 
 
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