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Carta ao leitor Os
juros e a inflação Lia
Lubambo
 | Consumo:
juros aleijam. Inflação mata |
Em
momentos como o da semana passada, quando os juros básicos da economia
foram aumentados, os diagnósticos de empresários, empregados e consumidores
são corretos: com 18,25% de juros básicos por ano e a mais alta
taxa de juro real do mundo é quase impossível crescer e competir.
Mas é equivocada a terapia sugerida de baixar a guarda dos juros para,
mesmo ao custo de mais inflação, impulsionar o crescimento. O juro
é o termômetro, e não a febre. E o que é a febre? Os
gastos do governo, que crescem sempre, e a timidez das reformas, insuficientes
para diminuir os déficits estatais. Na próxima subida dos juros
que se fizer necessária, vociferemos contra a gastança pública,
pela urgência das reformas, por medidas que aumentem a previsibilidade e
a transparência da economia. Simplesmente
condenar o aumento da taxa de juros é inócuo. O Banco Central brasileiro
já deu mostras, a exemplo de seus mais bem-sucedidos congêneres no
exterior, de que não tem um segundo de vacilação em subir
os juros sempre que seus sensores indicam que a inflação está
ganhando músculos. Manietar o Banco Central não é uma opção.
Ela equivale a colocar o termômetro na geladeira para baixar a temperatura
do paciente. Está passando da hora de atacar
as causas do aumento dos juros. A gastança do governo é uma das
principais delas. O governo torra dinheiro além do seu limite de arrecadação,
que, como todos sabem, é insaciável. No ano passado, o governo arrecadou
em impostos 36,5% do PIB, um recorde histórico. Não se satisfez.
Gastou ainda mais do que arrecadou. Caso controlasse
suas despesas, o governo daria ao Banco Central folga para cortar juros. Na hipótese
de aprofundar a reforma e diminuir o déficit atual da Previdência,
os juros deixariam de subir. Os economistas garantem também que medidas
em benefício da transparência e firmeza na manutenção
da estabilidade ajudariam a segurar a rédea dos juros. É o caso
da autonomia do Banco Central. Essa providência sozinha, estima-se, derrubaria
imediatamente 3 pontos porcentuais na taxa básica, a Selic. Da adoção
de alternativas não inflacionárias para conter a alta dos juros
depende a resposta afirmativa à pergunta se o Brasil atingirá algum
dia o almejado crescimento sustentado de sua economia. |