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Chico diet
O público prefere
o humorista em versão compacta
Marcelo Camacho
Fotos:
divulgação
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| Chico
Anysio é a grande atração; Agildo
Ribeiro faz piada de português |
O comediante Chico Anysio
vive uma situação curiosa na Globo. Quando
era titular de um programa exibido nas noites de sábado,
O Belo e as Feras, era surrado sistematicamente,
no Ibope, pelo velho e popular A Praça É
Nossa, do SBT. Apanhou tanto que seu show foi tirado
do ar. Desde maio do ano passado, o horário é
ocupado pela miscelânea humorística Zorra
Total. Graças a ela, pela primeira vez em muito
tempo a Globo está levando uma vantagem significativa
sobre o SBT nas noites de sábado. O paradoxal é
que Chico Anysio, que fracassara anteriormente no horário,
é a principal atração do novo programa.
Os picos do Zorra Total costumam acontecer no momento
em que sua indefectível "escolinha" entra no ar.
Mas está enganado quem pensa que Chico Anysio está
contente. Ele anda estressado. Recentemente, atacou, numa
entrevista, seu colega Jô Soares. Chico Anysio está
nervoso porque não consegue fazer com que a emissora
aprove seu novo programa-solo. Ele está há
quatro meses gravando versões experimentais e não
consegue acertar. A Globo hesita em colocar o novo show
no ar porque os números da audiência insinuam
que o público prefere Chico Anysio em versão
diet, como ocorre atualmente aos sábados,
do que num pacote integral, como em O Belo e as Feras.
Outro aspecto curioso
do sucesso do Zorra Total é que o programa
fracassara anteriormente em dia e horário diferentes.
Ele foi criado para competir com o Ô Coitado
de Gorete Milagres, que era exibido no SBT nas noites de
quinta-feira. Entre março e maio do ano passado,
os dois programas tiveram uma luta renhida, e em geral ficavam
num empate técnico. A Globo considerou esse desempenho
um fiasco e resolveu substituir o humorístico pelo
Linha Direta. Foi uma grande tacada. O espetáculo
policial comandado por Marcelo Rezende venceu a batalha
das quintas-feiras e o Zorra Total se acertou nas
noites de sábado. O programa foi remodelado para
ficar mais popular, na linha de A Praça É
Nossa. No Zorra Total tem até piada de
português, na pele de Laércio Falaclaro, interpretado
por Agildo Ribeiro. E uma profusão de bordões.
"Quando o espectador ouve um bordão que já
conhece no final de um quadro, ele se sente co-autor daquilo
e fica feliz", teoriza Carlos Manga, responsável
pela recauchutagem do humorístico.
| Parto difícil |
Lourival Ribeiro
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| Piloto
do Megatom: rejeitado
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O humorista Tom Cavalcante brigou com quase todo o elenco
de Sai de Baixo por achar que seu personagem,
o porteiro Ribamar, deveria aparecer mais do que os
outros. Esperneou tanto que a Rede Globo resolveu conceder
um programa só para ele. Há oito meses
o humorista vem tentando dar à luz o Megatom.
O parto de seu programa é um dos mais difíceis
da história da Globo. O primeiro piloto foi gravado
no final de maio passado. Não agradou à
cúpula do canal carioca. "Foi uma experiência
complicada", conta Miguel Paiva, um dos mais prestigiados
redatores da emissora, convocado para participar do
projeto. "O Tom não sabia o que fazer e nós
tentamos uma fórmula que não deu certo."
Sem ter ido ao ar, o Megatom trocou de diretor
saiu Carlos Manga e entrou Aloysio Legey
e já consumiu cerca de 1 milhão de reais,
dinheiro suficiente para fazer oito edições
do humorístico Zorra Total. Toda a equipe
de redatores foi trocada. "Alterações
e ajustes fazem parte do processo criativo de um programa
da Globo", costuma minimizar Tom, quando questionado
sobre o atraso. Mozart compôs sua obra-prima,
Don Giovanni, em um período bem menor.
Tom Cavalcante, claro, é um gênio mais
refinado e por isso precisa de mais tempo. |
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