Edição 1 633 -26/1/2000

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Chico diet

O público prefere o humorista em versão compacta

Marcelo Camacho

Fotos: divulgação
Chico Anysio é a grande atração; Agildo Ribeiro faz piada de português

O comediante Chico Anysio vive uma situação curiosa na Globo. Quando era titular de um programa exibido nas noites de sábado, O Belo e as Feras, era surrado sistematicamente, no Ibope, pelo velho e popular A Praça É Nossa, do SBT. Apanhou tanto que seu show foi tirado do ar. Desde maio do ano passado, o horário é ocupado pela miscelânea humorística Zorra Total. Graças a ela, pela primeira vez em muito tempo a Globo está levando uma vantagem significativa sobre o SBT nas noites de sábado. O paradoxal é que Chico Anysio, que fracassara anteriormente no horário, é a principal atração do novo programa. Os picos do Zorra Total costumam acontecer no momento em que sua indefectível "escolinha" entra no ar. Mas está enganado quem pensa que Chico Anysio está contente. Ele anda estressado. Recentemente, atacou, numa entrevista, seu colega Jô Soares. Chico Anysio está nervoso porque não consegue fazer com que a emissora aprove seu novo programa-solo. Ele está há quatro meses gravando versões experimentais e não consegue acertar. A Globo hesita em colocar o novo show no ar porque os números da audiência insinuam que o público prefere Chico Anysio em versão diet, como ocorre atualmente aos sábados, do que num pacote integral, como em O Belo e as Feras.

Outro aspecto curioso do sucesso do Zorra Total é que o programa fracassara anteriormente em dia e horário diferentes. Ele foi criado para competir com o Ô Coitado de Gorete Milagres, que era exibido no SBT nas noites de quinta-feira. Entre março e maio do ano passado, os dois programas tiveram uma luta renhida, e em geral ficavam num empate técnico. A Globo considerou esse desempenho um fiasco e resolveu substituir o humorístico pelo Linha Direta. Foi uma grande tacada. O espetáculo policial comandado por Marcelo Rezende venceu a batalha das quintas-feiras e o Zorra Total se acertou nas noites de sábado. O programa foi remodelado para ficar mais popular, na linha de A Praça É Nossa. No Zorra Total tem até piada de português, na pele de Laércio Falaclaro, interpretado por Agildo Ribeiro. E uma profusão de bordões. "Quando o espectador ouve um bordão que já conhece no final de um quadro, ele se sente co-autor daquilo e fica feliz", teoriza Carlos Manga, responsável pela recauchutagem do humorístico.

 
Parto difícil

Lourival Ribeiro
Piloto do Megatom: rejeitado

O humorista Tom Cavalcante brigou com quase todo o elenco de Sai de Baixo por achar que seu personagem, o porteiro Ribamar, deveria aparecer mais do que os outros. Esperneou tanto que a Rede Globo resolveu conceder um programa só para ele. Há oito meses o humorista vem tentando dar à luz o Megatom. O parto de seu programa é um dos mais difíceis da história da Globo. O primeiro piloto foi gravado no final de maio passado. Não agradou à cúpula do canal carioca. "Foi uma experiência complicada", conta Miguel Paiva, um dos mais prestigiados redatores da emissora, convocado para participar do projeto. "O Tom não sabia o que fazer e nós tentamos uma fórmula que não deu certo." Sem ter ido ao ar, o Megatom trocou de diretor — saiu Carlos Manga e entrou Aloysio Legey — e já consumiu cerca de 1 milhão de reais, dinheiro suficiente para fazer oito edições do humorístico Zorra Total. Toda a equipe de redatores foi trocada. "Alterações e ajustes fazem parte do processo criativo de um programa da Globo", costuma minimizar Tom, quando questionado sobre o atraso. Mozart compôs sua obra-prima, Don Giovanni, em um período bem menor. Tom Cavalcante, claro, é um gênio mais refinado — e por isso precisa de mais tempo.