Edição 1 633 -26/1/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Angelina Jolie, a nova sensação de Hollywood
Kiriku e a Feiticeira, um ótimo desenho animado
A comédia gótica de Tim Burton
A falência de Colette Dowling
A Mulher do Mágico, de Brian Moore
O passado nazista da Bertelmann
Frederick Forsyth na lista dos mais vendidos
A maldição das heroínas de novela
Chico Anysio insatisfeito
Os clones da Record
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Veja recomenda

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Nem com máscara

História de amor de Frederick Forsyth
é apenas uma deformação literária

Carlos Graieb

De todas as formas de arte já criadas pelo homem, nenhuma é mais cafona, ou kitsch, do que o musical da Broadway. Infelizmente, a coisa já virou tradição. O mínimo que uma pessoa sensata pode fazer é fugir dessa espécie de show e rezar para que jamais, em nenhuma eventualidade, seja obrigada a assisti-la. O problema é que, mesmo a despeito de todo esse esforço, é possível topar com um musical numa livraria. O Fantasma de Manhattan (tradução de Alves Calado; Record; 190 páginas; 20 reais) é inspirado no "clássico" O Fantasma da Ópera – não o romance, publicado em 1910 por um obscuro francês chamado Gaston Leroux, mas o espetáculo, criado em 1986 pelo compositor Andrew Lloyd Webber e desde então em cartaz em Nova York e Londres. Um romance inspirado num musical? Antes que a moda pegue, é preciso gritar, denunciar, espernear.

Forsyth fez fama e fortuna escrevendo thrillers, alguns de boa qualidade como O Dia do Chacal. Recentemente entrou em crise e resolveu mudar de gênero. Numa festa, bateu papo com Andrew Lloyd Webber. Saiu de lá com uma idéia. O Fantasma da Ópera conta a história de um homem deformado e angustiado, que usa uma máscara, se esconde nos subterrâneos de Paris e se apaixona por uma cantora. No final, perseguido por uma multidão, ele some nas trevas. Forsyth fez a pergunta óbvia: "E depois?" Seu romance é uma resposta a essa indagação. Segundo ele, o fantasma foge para os Estados Unidos e fica milionário. Mas o passado o persegue. E ele até descobre que gerou um filho antes de deixar a França.

Ao passar dos thrillers para uma história de amor, Forsyth deu um passo em falso. Seu livro tem todos os problemas do gênero romântico, como a pieguice e a inverossimilhança. Faltam as qualidades da obra anterior de Forsyth, como a precisão e o detalhamento. O enriquecimento vertiginoso do protagonista, por exemplo, é explicado em poucas páginas. O Fantasma de Manhattan é um caça-níqueis mal escrito. Não há máscara que esconda essa deformação.