Edição 1 633 -26/1/2000

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Amiga de Hitler

A editora alemã Bertelsmann colaborava com o nazismo

 

Desde 1998, a editora alemã Bertelsmann vem sendo acusada de colaboração com o nazismo. Reportagens publicadas em revistas na Suíça e nos Estados Unidos sugeriram que, durante a II Guerra, ela foi favorecida pelo poderoso Ministério da Propaganda de Hitler. Para desmentir tais acusações, a atual diretoria da empresa contratou uma comissão independente, formada por historiadores alemães e americanos. Na semana passada saiu o primeiro relatório dos pesquisadores – uma verdadeira bomba. Nele, fica provado que Heinrich Mohn, então proprietário da Bertelsmann, integrou o círculo de patrocinadores da SS, a tropa de choque do nazismo, o que lhe rendeu excelentes contratos com o governo alemão. Para se ter uma idéia, o faturamento da editora cresceu onze vezes em apenas três anos, saltando de 285.000 marcos alemães em 1938 para 3,26 milhões de marcos em 1941. Estima-se que, nesse período, a empresa tenha vendido 20 milhões de livros recheados de propaganda nazista.

Os best-sellers da Bertelsmann visavam divulgar as idéias de Hitler, motivar as tropas no front e dar apoio a seus familiares. Cada volume era estritamente supervisionado pelo ministro da Propaganda, Joseph Goebbels. "Até se tornar a fornecedora oficial de livros nazistas, a empresa era relativamente pequena e não tinha influência política", conclui o relatório da comissão, liderada pelo historiador Saul Friedlander, da Universidade da Califórnia. No passado, Mohn assumiu ter dado dinheiro ao Partido Nazista, mas apenas para que o deixassem trabalhar em paz. As revelações do relatório arranham a reputação do terceiro maior grupo de comunicações do planeta. Com 65.000 empregados em 53 países, a Bertelsmann é hoje dona da Random House, maior editora de livros dos Estados Unidos, da BMG, gravadora que domina 20% do mercado mundial de discos, e sócia da America Online na Europa e na Austrália.