Amiga de Hitler
A editora alemã Bertelsmann colaborava
com o nazismo
Desde
1998, a editora alemã Bertelsmann vem sendo acusada
de colaboração com o nazismo. Reportagens
publicadas em revistas na Suíça e nos Estados
Unidos sugeriram que, durante a II Guerra, ela foi favorecida
pelo poderoso Ministério da Propaganda de Hitler.
Para desmentir tais acusações, a atual diretoria
da empresa contratou uma comissão independente, formada
por historiadores alemães e americanos. Na semana
passada saiu o primeiro relatório dos pesquisadores
uma verdadeira bomba. Nele, fica provado que Heinrich
Mohn, então proprietário da Bertelsmann, integrou
o círculo de patrocinadores da SS, a tropa de choque
do nazismo, o que lhe rendeu excelentes contratos com o
governo alemão. Para se ter uma idéia, o faturamento
da editora cresceu onze vezes em apenas três anos,
saltando de 285.000 marcos alemães
em 1938 para 3,26 milhões de marcos em 1941. Estima-se
que, nesse período, a empresa tenha vendido 20 milhões
de livros recheados de propaganda nazista.
Os best-sellers da Bertelsmann visavam divulgar as idéias
de Hitler, motivar as tropas no front e dar apoio a seus
familiares. Cada volume era estritamente supervisionado
pelo ministro da Propaganda, Joseph Goebbels. "Até
se tornar a fornecedora oficial de livros nazistas, a empresa
era relativamente pequena e não tinha influência
política", conclui o relatório da comissão,
liderada pelo historiador Saul Friedlander, da Universidade
da Califórnia. No passado, Mohn assumiu ter dado
dinheiro ao Partido Nazista, mas apenas para que o deixassem
trabalhar em paz. As revelações do relatório
arranham a reputação do terceiro maior grupo
de comunicações do planeta. Com 65.000
empregados em 53 países, a Bertelsmann é hoje
dona da Random House, maior editora de livros dos Estados
Unidos, da BMG, gravadora que domina 20% do mercado mundial
de discos, e sócia da America Online na Europa e
na Austrália.