Edição 1 633 -26/1/2000

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Humor demais

Piadas fora de hora estragam
o novo suspense de Tim Burton

Isabela Boscov

 
Clive Coote
Johnny Depp como Ichabod: terror desafinado


O diretor Tim Burton é um sujeito esquisito. Basta conferir seus filmes mais famosos, como os dois primeiros Batman ou Edward Mãos de Tesoura, para perceber que isolamento, solidão e estranheza são os temas que ele persegue obsessivamente. O que o tornava muito especial era sua habilidade em incluir o lirismo nessa receita. Mas, desde sua penúltima fita, o fracasso Marte Ataca!, Burton começou a achar que sabe também fazer piadas. É um engano. Agora ele fornece mais uma prova de que deveria reservar suas gags aos jantares com amigos. Em A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (Sleepy Hollow, Estados Unidos, 1999), que estréia nesta sexta-feira em circuito nacional, ele insiste no humor fora de hora. A história, adaptada de um conto clássico do escritor Washington Irving, se passa em 1799, num vilarejo perdido ao norte de Nova York, onde ocorre um festival de misteriosas decapitações. Nesse enredo que tende para o gótico, ele insiste na caracterização engraçadinha do detetive interpretado pelo ator Johnny Depp. Com isso, estragou o clima do que poderia ser um ótimo filme de horror. Quando se entrega às suas tristezas e angústias, Burton é um expoente do cinema americano. Como comediante, não passa do segundo escalão.