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Humor demais
Piadas fora
de hora estragam
o novo suspense de Tim Burton
Isabela Boscov
Clive Coote
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| Johnny Depp como Ichabod:
terror desafinado |
O diretor Tim Burton é um sujeito
esquisito. Basta conferir seus filmes mais famosos, como os
dois primeiros Batman ou Edward Mãos de Tesoura,
para perceber que isolamento, solidão e estranheza
são os temas que ele persegue obsessivamente. O que
o tornava muito especial era sua habilidade em incluir o lirismo
nessa receita. Mas, desde sua penúltima fita, o fracasso
Marte Ataca!, Burton começou a achar que sabe
também fazer piadas. É um engano. Agora ele
fornece mais uma prova de que deveria reservar suas gags aos
jantares com amigos. Em A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça
(Sleepy Hollow, Estados Unidos, 1999), que
estréia nesta sexta-feira em circuito nacional, ele
insiste no humor fora de hora. A história, adaptada
de um conto clássico do escritor Washington Irving,
se passa em 1799, num vilarejo perdido ao norte de Nova York,
onde ocorre um festival de misteriosas decapitações.
Nesse enredo que tende para o gótico, ele insiste na
caracterização engraçadinha do detetive
interpretado pelo ator Johnny Depp. Com isso, estragou o clima
do que poderia ser um ótimo filme de horror. Quando
se entrega às suas tristezas e angústias, Burton
é um expoente do cinema americano. Como comediante,
não passa do segundo escalão.
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