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Feitiço africano
O desenho Kiriku é
uma ótima opção para
quem quer fugir do infame Pokémon
Isabela Boscov
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Divulgação

A aldeia comemora a
volta da água: traços originais e enredo
que faz pensar
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O diretor francês Michel Ocelot
é um veterano dos curtas-metragens em outras
palavras, é um desconhecido do público brasileiro.
Sua primeira experiência na direção de
um longa, então, é duplamente surpreendente.
Baseado em lendas africanas, o desenho animado Kiriku
e a Feiticeira (Kirikou et la Sorcière,
França/Bélgica/Luxemburgo, 1998), que estréia
nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro,
mostra filosofias e técnicas de animação
bem diferentes daquelas que se vêem nos desenhos da
Disney ou no infame Pokémon. Kiriku é
um garoto que nasce sabendo andar e falar. Mais: já
domina por completo a tática infantil de emendar um
"por quê?" a cada frase que ouve. O que ele mais tem
dificuldade em entender é a razão pela qual
a perversa feiticeira Karabá se empenha tanto em atormentar
os moradores de sua aldeia. Karabá devorou todos os
homens, secou a fonte, roubou as jóias das mulheres
e não se cansa de pensar em novas artimanhas. Com sua
inteligência e iniciativa, o pequeno Kiriku se propõe
a livrar a aldeia de sua ameaça.
Ocelot passou a infância
na África, o que explica sua afeição
pelo tema. Suas lembranças foram a inspiração
para as cores fortes e os traços primitivistas de
Kiriku. Os personagens mais parecem ídolos
que figuras humanas. Os cenários, por sua vez, são
altamente elaborados e lembram grandes painéis estilizados
da savana e das florestas. A trilha sonora, a cargo do músico
senegalês Youssou N'Dour, ajuda a compor o clima.
Com o interesse pelo visual garantido, o diretor tratou
de abordar questões que raramente são exploradas
em enredos infantis. Ao final de muitas indagações,
Kiriku descobre que a feiticeira é tão ranzinza
não porque seja má, mas porque vive um grande
sofrimento. É uma maneira original de ensinar as
crianças a duvidar de explicações simplistas
e procurar outras que correspondam melhor à realidade.
De quebra, também os adultos se entretêm.
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