Edição 1 633 -26/1/2000

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Feitiço africano

O desenho Kiriku é uma ótima opção para
quem quer fugir do infame Pokémon

Isabela Boscov

Divulgação

A aldeia comemora a volta da água: traços originais e enredo que faz pensar


O diretor francês Michel Ocelot é um veterano dos curtas-metragens — em outras palavras, é um desconhecido do público brasileiro. Sua primeira experiência na direção de um longa, então, é duplamente surpreendente. Baseado em lendas africanas, o desenho animado Kiriku e a Feiticeira (Kirikou et la Sorcière, França/Bélgica/Luxemburgo, 1998), que estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro, mostra filosofias e técnicas de animação bem diferentes daquelas que se vêem nos desenhos da Disney ou no infame Pokémon. Kiriku é um garoto que nasce sabendo andar e falar. Mais: já domina por completo a tática infantil de emendar um "por quê?" a cada frase que ouve. O que ele mais tem dificuldade em entender é a razão pela qual a perversa feiticeira Karabá se empenha tanto em atormentar os moradores de sua aldeia. Karabá devorou todos os homens, secou a fonte, roubou as jóias das mulheres e não se cansa de pensar em novas artimanhas. Com sua inteligência e iniciativa, o pequeno Kiriku se propõe a livrar a aldeia de sua ameaça.

Ocelot passou a infância na África, o que explica sua afeição pelo tema. Suas lembranças foram a inspiração para as cores fortes e os traços primitivistas de Kiriku. Os personagens mais parecem ídolos que figuras humanas. Os cenários, por sua vez, são altamente elaborados e lembram grandes painéis estilizados da savana e das florestas. A trilha sonora, a cargo do músico senegalês Youssou N'Dour, ajuda a compor o clima. Com o interesse pelo visual garantido, o diretor tratou de abordar questões que raramente são exploradas em enredos infantis. Ao final de muitas indagações, Kiriku descobre que a feiticeira é tão ranzinza não porque seja má, mas porque vive um grande sofrimento. É uma maneira original de ensinar as crianças a duvidar de explicações simplistas e procurar outras que correspondam melhor à realidade. De quebra, também os adultos se entretêm.