E que boca!
Linda, maluquete e muito talentosa,
a atriz Angelina Jolie explode em Hollywood
Isabela Boscov
Em O Colecionador de Ossos (The Bone Collector,
Estados Unidos, 1999), que estréia nesta sexta-feira
em circuito nacional, a atriz Angelina Jolie protagoniza
uma cena erótica incomum: acaricia, sem pressa, um
dos dedos da mão de Denzel Washington, que, adormecido,
nem se dá conta do que está acontecendo. Ele
é um policial que ficou tetraplégico, e o
dedo escolhido por Angelina para o ritual de sedução
é a única parte de seu corpo que está
completamente viva. Fossem quaisquer outros os protagonistas,
a cena descambaria para o mau gosto. Mas Angelina e Washington
são ótimos atores. E são também
lindos. Juntos, compõem a única boa razão
para assistir a O Colecionador de Ossos, um suspense
apenas eficiente, repleto de atmosfera e de clichês,
sobre a caça a um assassino serial.
Dizer que Denzel Washington costuma ser melhor do que
seus filmes não é novidade. E também
já não é muito original elogiar Angelina.
Aos 24 anos, ela vem colecionando elogios e prêmios.
Como os Globo de Ouro pela minissérie George Wallace
e pelo filme produzido para a TV Gia, que conta a
história da modelo Gia Carangi, morta em 1986 em
decorrência da Aids. Provocadora, Angelina deu a entender
que se identificava um bocado com a personagem. Não
só na rebeldia, mas também no ecletismo de
suas preferências sexuais. Desde que se separou do
ator inglês Jonny Lee Miller, porém, ela anda
sem namorado (ou namorada). Dedica mais tempo a sua coleção
de facas, a freqüentar espetáculos de sadomasoquismo
e a discorrer sobre suas tatuagens para repórteres
babões. Uma delas, vizinha à marca do biquíni,
traz os dizeres: "Quod me nutrit me destruit" ou "Aquilo
que me nutre me destrói".
Apesar da pose de maluquinha, Angelina leva o trabalho
a sério. Ofuscou os festejados Sean Connery e Gena
Rowlands no drama Corações Apaixonados
e pode levar seu terceiro Globo de Ouro neste domingo, pela
atuação como uma psicopata em Garota, Interrompida.
Pelo mesmo filme, está cotada para ganhar uma indicação
ao Oscar de atriz coadjuvante deste ano. Além do
talento (por enquanto ainda mais instintivo que domado pela
técnica), Angelina tem uma sensualidade incendiária.
Alta e magra, com curvas estrategicamente distribuídas,
ela faz a marmanjada suspirar sobretudo por causa dos lábios
carnudos do tipo que Melanie Griffith gostaria de
ter naturalmente, o que a livraria das periódicas
aplicações de silicone na boca. Assim como
o temperamento forte, os lábios voluptuosos são
herança do pai, Jon Voight, astro de filmes primorosos
como Perdidos na Noite e, mais recentemente, de idiotices
como Anaconda. Espera-se, portanto, que o pendor
para entrar em barcas furadas não seja igualmente
transmitido por hereditariedade. Se escapar desse gene,
Angelina terá uma bela carreira pela frente.