Edição 1 633 -26/1/2000

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Carreira

Neoconservadores

Pesquisa diz que jovem pode gostar de
aventura, mas só se for nas férias

 
Claudio Rossi

Cristiane: três promoções em
quatro anos de trabalho
na Kolynos


Em plena era do pontocom, quando as oportunidades no mundo virtual parecem querer rivalizar com as da chamada velha economia, os jovens parecem estar um pouco assustados. De acordo com uma pesquisa feita pela SSJ, empresa de São Paulo especializada em cursos para jovens profissionais, os recém-formados até podem gostar de aventura nas férias. No momento de montar a carreira, sugere o estudo, são conservadoríssimos. Perguntados sobre qual é o melhor lugar onde trabalhar, os entrevistados foram quase unânimes em afirmar que preferem uma vaga numa grande empresa. Nada disseram sobre internet. A amostragem é pequena, 300 entrevistados, mas especialistas que tiveram acesso ao trabalho acham que o sinal é curioso. Por que o jovem, que em geral não paga aluguel e não tem família para sustentar, não demonstra disposição para o risco? "O interessante é que essa visão conservadora do mercado contraria a tendência internacional, que aponta preferência por pequenas empresas ligadas à internet", diz o consultor Conrado Schlochauer, da SSJ.

Dos entrevistados, 35% explicam a predileção pela grande companhia argumentando que buscam um lugar sólido onde trabalhar. Outros 21% vêem nas grandes empresas um plano de carreira mais promissor e 18% apontam como motivo da opção a lista de benefícios indiretos, em geral mais generosos nas corporações mais robustas. Entre as razões que definem a opção por esse ou aquele emprego, o salário aparece como nono critério de decisão. Não é de hoje que os profissionais procuram empresas tradicionais. Até não muito tempo atrás, os jovens prestavam concurso para o Banco do Brasil como forma de arrumar serviço numa "boa firma". Foi essa a razão que levou a administradora de empresas Cristiane Medeiros, de São Paulo, a escolher a Kolynos para trabalhar. "A multinacional abre novas possibilidades profissionais", diz. Aos 26 anos, quatro deles na organização, ela já foi promovida três vezes.

O mito da grande empresa, no entanto, não pode mais ser tomado como verdade absoluta. "Os grandes talentos estão criando os próprios negócios", diz a consultora Sofia Esteves, da Companhia de Talentos, de São Paulo. O pensamento desses jovens é simples: se a empreitada der certo, eles terão mais dinheiro, mais sucesso e mais autonomia. O risco de o projeto dar em nada é voltar à estaca zero e começar tudo de novo. Nada ameaçador para quem tem a vida e uma carreira pela frente.