Carreira
Neoconservadores
Pesquisa diz que jovem pode gostar
de
aventura, mas só se for nas férias
Claudio Rossi
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Cristiane:
três promoções
em
quatro anos de trabalho
na Kolynos
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Em plena era do pontocom, quando as oportunidades no mundo
virtual parecem querer rivalizar com as da chamada velha
economia, os jovens parecem estar um pouco assustados. De
acordo com uma pesquisa feita pela SSJ, empresa de São
Paulo especializada em cursos para jovens profissionais,
os recém-formados até podem gostar de aventura
nas férias. No momento de montar a carreira, sugere
o estudo, são conservadoríssimos. Perguntados
sobre qual é o melhor lugar onde trabalhar, os entrevistados
foram quase unânimes em afirmar que preferem uma vaga
numa grande empresa. Nada disseram sobre internet. A amostragem
é pequena, 300 entrevistados, mas especialistas que
tiveram acesso ao trabalho acham que o sinal é curioso.
Por que o jovem, que em geral não paga aluguel e
não tem família para sustentar, não
demonstra disposição para o risco? "O interessante
é que essa visão conservadora do mercado contraria
a tendência internacional, que aponta preferência
por pequenas empresas ligadas à internet", diz o
consultor Conrado Schlochauer, da SSJ.
Dos entrevistados, 35% explicam a predileção
pela grande companhia argumentando que buscam um lugar sólido
onde trabalhar. Outros 21% vêem nas grandes empresas
um plano de carreira mais promissor e 18% apontam como motivo
da opção a lista de benefícios indiretos,
em geral mais generosos nas corporações mais
robustas. Entre as razões que definem a opção
por esse ou aquele emprego, o salário aparece como
nono critério de decisão. Não é
de hoje que os profissionais procuram empresas tradicionais.
Até não muito tempo atrás, os jovens
prestavam concurso para o Banco do Brasil como forma de
arrumar serviço numa "boa firma". Foi essa a razão
que levou a administradora de empresas Cristiane Medeiros,
de São Paulo, a escolher a Kolynos para trabalhar.
"A multinacional abre novas possibilidades profissionais",
diz. Aos 26 anos, quatro deles na organização,
ela já foi promovida três vezes.
O mito da grande empresa, no entanto, não pode
mais ser tomado como verdade absoluta. "Os grandes talentos
estão criando os próprios negócios",
diz a consultora Sofia Esteves, da Companhia de Talentos,
de São Paulo. O pensamento desses jovens é
simples: se a empreitada der certo, eles terão mais
dinheiro, mais sucesso e mais autonomia. O risco de o projeto
dar em nada é voltar à estaca zero e começar
tudo de novo. Nada ameaçador para quem tem a vida
e uma carreira pela frente.