Indústria
Megafarmácia
Nasce na Inglaterra a maior companhia
fabricante de remédios do mundo
O anúncio do nascimento do maior laboratório
farmacêutico do planeta, na semana passada, resultado
da fusão da Glaxo Wellcome com a SmithKline Beecham,
provocou espanto por duas razões. A primeira delas
é o fato de que essa gigante não é
americana. É inglesa. Tem muito dinheiro para gastar
em pesquisa, uma montanha de novos remédios em fase
final de testes baseados no que existe de mais moderno em
matéria de novas tecnologias, aquelas que desenvolvem
medicamentos com base na investigação genética.
O segundo motivo de espanto é a constatação
de que essa corporação gigantesca, a maior
do mundo, terá apenas 7,5% do mercado global de remédios
que movimenta, anualmente, 320 bilhões de
dólares, um terço só nos Estados Unidos.
"Estou confiante em que, com a combinação
de nossa excelência em pesquisa, nosso poder no mercado
e nossa força econômica, competiremos com maior
vantagem no ambiente das empresas de saúde, que está
mudando muito rapidamente", disse Jean-Pierre Garnier, presidente
executivo do novo grupo.
Nas últimas semanas a Pfizer, fabricante do famoso
Viagra, anunciou sua fusão com o laboratório
Warner Lambert, pai de um bem-sucedido produto redutor de
colesterol. A Warner também está em negociações
com a Procter & Gamble. E a Pharmacia & Upjohn (um
grupo sueco-americano) comprou a Monsanto americana, a descobridora
do Celebra, um medicamento revolucionário no tratamento
da artrite por não provocar os efeitos colaterais
comuns na administração dos tradicionais antiinflamatórios.
As empresas farmacêuticas estão se fundindo
porque são necessários muito dinheiro e paciência
para operar nesse mundo e a concorrência exagerada
acaba sendo predatória. O desenvolvimento de um medicamento
leva, em média, dez anos. De 5.000
pesquisas que se iniciam, apenas uma dá resultado
e acaba nas farmácias. "No caso de medicamentos desenvolvidos
a partir da engenharia genética, a pesquisa é
ainda mais complexa e demorada", diz Sérgio Danilo
Pena, dono do laboratório de genética Gene,
de Belo Horizonte.
O novo megaconglomerado já nasce com dois campeões
de audiência. A Glaxo Wellcome acaba de lançar
o Relenza, um exterminador da gripe. A SmithKline Beecham
desenvolveu o Avandia, para o tratamento do diabetes, que
está em fase final de testes. Em outra área
há uma americana na dianteira. A Merck montou uma
estrutura de controle monumental para atender à legislação
dos Estados Unidos, que exige receituário médico
na compra de medicamentos, e vende seus remédios
diretamente aos consumidores. O pedido pode ser feito pelo
correio, via fax ou por e-mail. Um departamento do laboratório
entra em contato com o médico para verificar a autenticidade
da receita remetida pelo cliente e o remédio é
entregue no dia seguinte. "É um sistema revolucionário,
que multiplica o lucro dos laboratórios", diz Francisco
Teixeira, consultor do Rio de Janeiro especializado em indústria
farmacêutica. Mas há um problema. O FBI descobriu
que os americanos andam comprando remédios mexicanos
e canadenses, cuja qualidade não foi atestada pelos
organismos de controle do país, via internet. Obviamente,
a Glaxo não quer correr o risco de ser banida do
maior mercado mundial. Por isso pretende desenvolver um
braço de farmácias virtuais tão moderno
e eficiente quanto seus laboratórios de pesquisa.