Edição 1 633 -26/1/2000

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Indústria

Megafarmácia

Nasce na Inglaterra a maior companhia
fabricante de remédios do mundo

O anúncio do nascimento do maior laboratório farmacêutico do planeta, na semana passada, resultado da fusão da Glaxo Wellcome com a SmithKline Beecham, provocou espanto por duas razões. A primeira delas é o fato de que essa gigante não é americana. É inglesa. Tem muito dinheiro para gastar em pesquisa, uma montanha de novos remédios em fase final de testes baseados no que existe de mais moderno em matéria de novas tecnologias, aquelas que desenvolvem medicamentos com base na investigação genética. O segundo motivo de espanto é a constatação de que essa corporação gigantesca, a maior do mundo, terá apenas 7,5% do mercado global de remédios — que movimenta, anualmente, 320 bilhões de dólares, um terço só nos Estados Unidos. "Estou confiante em que, com a combinação de nossa excelência em pesquisa, nosso poder no mercado e nossa força econômica, competiremos com maior vantagem no ambiente das empresas de saúde, que está mudando muito rapidamente", disse Jean-Pierre Garnier, presidente executivo do novo grupo.

Nas últimas semanas a Pfizer, fabricante do famoso Viagra, anunciou sua fusão com o laboratório Warner Lambert, pai de um bem-sucedido produto redutor de colesterol. A Warner também está em negociações com a Procter & Gamble. E a Pharmacia & Upjohn (um grupo sueco-americano) comprou a Monsanto americana, a descobridora do Celebra, um medicamento revolucionário no tratamento da artrite por não provocar os efeitos colaterais comuns na administração dos tradicionais antiinflamatórios. As empresas farmacêuticas estão se fundindo porque são necessários muito dinheiro e paciência para operar nesse mundo e a concorrência exagerada acaba sendo predatória. O desenvolvimento de um medicamento leva, em média, dez anos. De 5.000 pesquisas que se iniciam, apenas uma dá resultado e acaba nas farmácias. "No caso de medicamentos desenvolvidos a partir da engenharia genética, a pesquisa é ainda mais complexa e demorada", diz Sérgio Danilo Pena, dono do laboratório de genética Gene, de Belo Horizonte.

O novo megaconglomerado já nasce com dois campeões de audiência. A Glaxo Wellcome acaba de lançar o Relenza, um exterminador da gripe. A SmithKline Beecham desenvolveu o Avandia, para o tratamento do diabetes, que está em fase final de testes. Em outra área há uma americana na dianteira. A Merck montou uma estrutura de controle monumental para atender à legislação dos Estados Unidos, que exige receituário médico na compra de medicamentos, e vende seus remédios diretamente aos consumidores. O pedido pode ser feito pelo correio, via fax ou por e-mail. Um departamento do laboratório entra em contato com o médico para verificar a autenticidade da receita remetida pelo cliente e o remédio é entregue no dia seguinte. "É um sistema revolucionário, que multiplica o lucro dos laboratórios", diz Francisco Teixeira, consultor do Rio de Janeiro especializado em indústria farmacêutica. Mas há um problema. O FBI descobriu que os americanos andam comprando remédios mexicanos e canadenses, cuja qualidade não foi atestada pelos organismos de controle do país, via internet. Obviamente, a Glaxo não quer correr o risco de ser banida do maior mercado mundial. Por isso pretende desenvolver um braço de farmácias virtuais tão moderno e eficiente quanto seus laboratórios de pesquisa.

 

Monique Cabral