Edição 1 633 -26/1/2000

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Visão biônica

Cego volta a enxergar com ajuda de cabos
e computadores ligados a seu cérebro

 

Durante 21 anos, Jerry, um cego nova-iorquino de 62 anos, viveu com um buraco aberto na cabeça, logo acima da orelha direita. De tempos a tempos, ia a uma sala de testes num laboratório da cidade. Lá, um cabo era conectado no buraco e detonava reações variadas dentro de sua cabeça. Uma equipe de médicos do hospital Columbia-Presbyterian havia instalado sobre a superfície do cérebro um grupo de 68 eletrodos de platina – eram eles que recebiam os impulsos transmitidos pelo cabo. O espetacular resultado dessas duas décadas de testes exaustivos foi exibido na semana passada. Graças à parafernália, Jerry, cego desde um acidente, em 1974, recuperou parte da visão. Ainda não é a cura da cegueira, mas um fantástico avanço nessa direção.

A façanha foi obtida com o uso de computadores portáteis que enviam diretamente ao cérebro sinais coletados por uma microcâmara. Trata-se, em outras palavras, de um desvio eletrônico para exercer as funções do nervo óptico danificado. Se demorou tanto para funcionar foi porque somente agora existem computadores e componentes eletrônicos suficientemente pequenos para tornar viável o sistema. Jerry (o sobrenome é mantido em sigilo) já conseguiu em testes andar sozinho de metrô e ler algumas das placas. Vê apenas pontos de luz, que delineiam as formas de objetos, letras e sinais. Seu campo de visão é limitado a um retângulo de 5 por 20 centímetros e a profundidade de campo é bastante precária. Ainda assim, o sistema é muito superior a outros em desenvolvimento.

A Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, está pesquisando um aparelho parecido em que o estímulo é dado por um chip instalado na retina. Foi o modelo que encantou o músico Stevie Wonder, no mês passado. A diferença é que a tecnologia usada não permite que o paciente deixe a sala de testes. Em ambos os casos, a novidade só vale para quem tem cegueira causada por acidente ou doença. Por enquanto é pré-requisito para a instalação do olho biônico que o cérebro tenha aprendido a ver e praticado essa habilidade por algum tempo. William Dobelle, o biofísico que desenvolveu o sistema, pretende colocá-lo à venda no próximo ano. Vai custar o equivalente a um carro de luxo: 50 000 dólares.