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CINEMA
Divulgação
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| Alagna
e o excelente Raimondi, na Tosca: rara adaptação
que deu certo |
Tosca (Tosca, Inglaterra/França/Itália/
Alemanha, 2001) Raramente a transposição de óperas
para o cinema dá certo. Uma exceção é a ótima
Tosca que acaba de entrar em cartaz no Brasil. Ela não padece
dos problemas comuns a filmes do gênero, como a canastrice dos cantores
líricos. Essa Tosca conta em seu elenco com o melhor ator
do mundo da ópera, o italiano Ruggero Raimondi. Ele dá um
show na pele do barão Scarpia, provavelmente o pior vilão
das tramas líricas. Scarpia é um virtuose em vários
estilos de maldade. Estupro, tortura, chantagem e assassinato fazem parte
de seu repertório. O papel é um prêmio para Raimondi,
que esculpe a complicada psicologia do personagem com sutis trejeitos
e inflexões de voz. Tosca e Cavaradossi, que formam o par romântico,
são interpretados respectivamente pela soprano Angela Gheorgiu
e pelo tenor Roberto Alagna, casados na vida real, que têm boa voz
e não comprometem como atores. O enredo de Tosca é
mirabolante como costumam ser as tramas de ópera. Tramas sem pé
nem cabeça não combinam com a linguagem realista do cinema
e é esta a razão do fiasco da La Traviata
de Franco Zeffirelli ou da Carmen de Francesco Rosi. O diretor
Benoît Jacquot evita a armadilha, optando por uma mistura entre
cenários teatrais, imagens oníricas e trechos de making
of. Dessa forma, não é o horrendo libreto de Illica e Giacosa
que fica em evidência, mas a sublime música de Giacomo Puccini
a qual, bem tocada e bem cantada, é por si só uma
excelente razão para ir ao cinema.
Assista ao trailer 56K
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O
Grande Ditador (The Great Dictator, Estados Unidos, 1940.
Reestréia no dia 25 em São Paulo, Rio e Brasília)
Há tempo os historiadores do cinema colocaram Charles Chaplin
em seu devido lugar: não apenas o do cômico que encarnava
o vagabundo Carlitos, mas o de um dos grandes narradores cinematográficos
de todos os tempos, extremo no talento e no perfeccionismo. Em 1940, em
plena II Guerra, Chaplin concebeu esta sátira sobre Adolf Hitler,
com quem, a certa altura, um humilde barbeiro judeu é confundido.
O que há de realmente atemporal aqui é a capacidade de Chaplin
de se comunicar com qualquer platéia, sem subestimar sua inteligência
e sem deixar de provocar surpresa. Um verdadeiro clássico
e em cópia nova, com projeção digital.
LIVROS
O
que Einstein Disse a Seu Cozinheiro, de Robert L. Wolke (tradução
de Helena Londres; Jorge Zahar; 299 páginas; 35 reais) O
autor é químico e gourmet. Essa dupla qualificação
dá um viés original à coluna que assina no jornal
americano The Washington Post, bem como aos textos aqui coligidos,
nos quais a culinária é abordada do ponto de vista da ciência.Wolke
explica fenômenos que intrigam qualquer pessoa que já tenha
estado às voltas com o preparo de uma refeição e
dá dicas, embasadas na química e na física, para
tornar mais simples o trabalho na cozinha. Se nada gruda no teflon, como
ele gruda nas panelas? Açúcar refinado faz mal? Por que
bolachas água-e-sal têm furinhos? Essas são algumas
questões respondidas por Wolke, com muito humor. Ele também
apresenta receitas curiosas, que vão das tortas de cogumelos a
uma musse de chocolate feita com azeite em vez de creme de leite.
Leia
trechos do livro.
Oscar Cabral
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| Bellos:
histórias pitorescas |
Futebol
O Brasil em Campo, de Alex Bellos (tradução
de Jorge Viveiros de Castro; Jorge Zahar; 350 páginas; 39,50 reais)
Durante dois anos, o inglês Alex Bellos correspondente
dos jornais The Guardian e The Observer no Rio de Janeiro
rodou pelo país com a intenção de produzir
um livro sobre a cultura futebolística nacional. Acabou fazendo
um trabalho que traz à tona muitas curiosidades. Ele não
se restringiu às entrevistas com craques profissionais, dirigentes
e especialistas. Foi atrás dos anônimos cuja vida é
marcada pelo futebol. Encontrou, assim, personagens e eventos pitorescos,
como um campeonato em Manaus que é um misto de pelada de várzea
e concurso de miss. E mostrou, ainda, a situação dos atletas
brasileiros que atuam nas gélidas Ilhas Faroe, a meio caminho entre
a Noruega e a Islândia. Leia
trechos do livro.
Leonid Streliaev
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| Verissimo:
imaginação sem limite |
A
Vida do Elefante Basílio e O Urso com Música
na Barriga, de Erico Verissimo (Companhia das Letrinhas; 52 e
48 páginas; 22 reais cada livro) Autor de obras que marcaram
a literatura nacional, como O Tempo e o Vento e Incidente em
Antares, o gaúcho Erico Verissimo (1905-1975) foi também
um prolífico contador de histórias infantis. Essa faceta
do escritor é resgatada numa coleção que reúne
seis livros para crianças que ele criou no fim dos anos 30. As
caprichadas reedições trazem ilustrações da
paulista Eva Furnari. Em A Vida do Elefante Basílio e O
Urso com Música na Barriga, os dois primeiros títulos
a sair do forno, fica claro qual era sua maior arma: a imaginação
desabrida. Na primeira história, por exemplo, ele fala sobre um
elefante cujo sonho é voar como uma borboleta. Leia
trechos de O Urso com Música na Barriga.
Contos
de Fadas Ingleses (tradução de Inês Lohbauer;
Landy; 230 páginas; 30 reais). Contos de Fadas Russos
Vols. 1 e 2 (tradução de Dinah de Abreu Azevedo;
Landy; 347 e 302 páginas; 40 e 35 reais) Esses livros proporcionam
prazeres opostos. O primeiro traz histórias bastante famosas, mas
com tempero inglês. Tome-se o caso de A História do Pequeno
Polegar: a saga do menino que é do tamanho de um dedo mistura-se,
aqui, às lendas dos cavaleiros da Távola Redonda, entre
os quais o herói é aceito no fim de suas aventuras. Já
os dois volumes de contos de fadas russos apresentam uma tradição
completamente desconhecida do leitor brasileiro, em que Ivans e Natashas
deparam com acontecimentos maravilhosos. Os textos foram extraídos
da mais célebre coletânea do gênero, organizada pelo
estudioso Aleksandr Afanas'ev na segunda metade do século XIX.
Os
100 Melhores Contos de Crime e Mistério da Literatura Universal
(vários tradutores; Ediouro; 832 páginas; 79 reais)
Depois de organizar uma antologia de contos de humor que permaneceu por
meses na lista de mais vendidos, o escritor gaúcho Flávio
Moreira da Costa repete a receita. Ele produziu uma coletânea de
clássicos nacionais e estrangeiros tão rica quanto heterodoxa.
Várias das obras incluídas nem pertencem ao gênero
conto a começar daquela que abre o livro, um trecho da Bíblia
que narra a história do personagem Sansão. Ao lado de surpresas
como essa, Costa não deixou de compilar textos dos nomes obrigatórios,
como o escocês Conan Doyle e os americanos Raymond Chandler e Edgar
Allan Poe. E também contempla autores que se aventuraram ocasionalmente
nessa seara, como o brasileiro Machado de Assis.
DVDs
Greenwich Film Production
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| Mephisto:
sobre o nazismo |
Mephisto (Hungria/Alemanha, 1981. New Line) Na Alemanha
dos anos 30, um ator de província, talentoso mas frustrado, vê
sua sorte transformar-se com o casamento com uma burguesa, a mudança
para Berlim e a amizade cada vez mais estreita com o comando nazista.
À medida que Hitler ascende, também o sucesso do ator numa
peça alusiva ao mito de Fausto (aquele que vendeu a alma ao demônio)
aumenta, até que ele não faz outra coisa que representar
para os nazistas e para si. Klaus Maria Brandauer está no
seu melhor momento como o protagonista, que foi parcialmente inspirado
numa figura verídica. E também o diretor húngaro
István Szabó nunca fez outro filme que se comparasse a essa
excelente adaptação do romance homônimo de Klaus Mann,
filho de Thomas Mann.
Best
of, David Bowie (EMI) Um dos primeiros artistas a usar
sua experiência como ator dramático em seus vídeos
promocionais (a ponto de ser apontado como o pioneiro do videoclipe),
o cantor inglês tem sua carreira dissecada nesse ótimo DVD
duplo. Os discos trazem todas as personas que Bowie encarnou entre as
décadas de 70 e 90. Como o ser andrógino de Life on Mars?,
vídeo dirigido pelo fotógrafo Mick Rock, que clicou os principais
ícones do rock dos anos 70. Ou o extra-terrestre roqueiro Ziggy
Stardust. Ou, ainda, o "almofadinha" da década de 80, que freqüentou
as paradas com canções como Modern Love e China
Girl. Best of também apresenta imagens raras de Bowie
em programas de televisão, como um show de auditório alemão
em que ele canta Rebel Rebel, ou um talk show americano em que
ele apresenta uma sensacional versão ao vivo de Young Americans.
DISCOS
Lost
in Space, Aimee Mann (Sum) Nos anos 80, a cantora e compositora
Aimee Mann mostrou seu lado de sex symbol à frente da banda new
wave Til Tuesday. Com o fim do grupo, ainda na mesma década, ela
testou vários estilos e foi dispensada da gravadora porque não
vendia muitos discos. Até que suas músicas caíram
no agrado do diretor de cinema Paul Thomas Anderson que as colocou
no filme Magnólia. Deu tão certo que a cantora concorreu
ao Oscar de melhor canção com a balada Save Me. Lost
in Space, segundo CD de Aimee Mann após seu renascimento artístico,
traz canções folk com discretos arranjos eletrônicos,
e cantadas com voz de veludo. Ouça
a faixa This is How It Goes.
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| Simonal:
suingue endiabrado |
Alegria,
Alegria Vols. 1, 2 & 3, Wilson Simonal (EMI)
Há mais de duas décadas fora de catálogo, esses três
discos do cantor carioca Wilson Simonal (1939-2000) reaparecem numa caixinha,
a um preço camarada. É uma boa oportunidade para conferir
o talento de Simonal que caiu em desgraça durante a ditadura
militar, por ter supostamente delatado artistas que simpatizavam com a
esquerda. Simonal foi o maior representante da "pilantragem", gênero
musical que turbinava as canções mais singelas com um suingue
endiabrado. Seria banal não fosse o fato de Simonal ter sido um
grande cantor, que contou com a colaboração do compositor
e arranjador César Camargo Mariano. Nos discos, há versões
sacolejantes de Escravos de Jó, Pára Pedro e Mamãe
Eu Quero, e hits de outrora como Sá Marina, Zazueira
e Nem Vem que Não Tem.
When
the Sun Goes Down: the Secret History of Rock, vários intérpretes
(BMG) Dividida em quatro volumes, essa série ambiciosa mostra
como a música negra americana se transmutou até chegar ao
rock. Ela traz gravações originais raríssimas da
primeira metade do século XX, como as de Catfish Blues e
Baby, Please Don't Go, que se tornariam conhecidas décadas
mais tarde nas vozes de um John Lee Hooker ou de um Van Morrison. A série
apresenta, ainda, faixas pouco lembradas hoje em dia, porém importantes
em seu tempo, de artistas célebres como Little Richard. E outras
que interessam não apenas pelo valor documental, mas também
por mostrar intérpretes em grande forma. É o caso de Beale
Street Blues, cantada por Alberta Hunter, e das tristonhas Pearl
Harbor Blues e Angels in Harlem, interpretadas por Doctor
Clayton.
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OS
MAIS VENDIDOS de 2002
CRÍTICA
O
ano de 2002 foi marcado por um certo marasmo no mercado editorial.
Essa é uma constatação inevitável ao
se examinar a lista de VEJA com os livros mais vendidos dos últimos
doze meses. Sobretudo nas seções de ficção
e de auto-ajuda e esoterismo, houve mais trocas de posição
entre títulos que já vinham fazendo sucesso do que
o surgimento de novidades. Na primeira, o fenômeno Harry Potter
continua a exibir vigor. Somados, os quatro romances da série
venderam quase 500 000 exemplares no ano. Além disso, o gaúcho
Luis Fernando Verissimo mantém-se na posição
de autor nacional mais lido. No setor de auto-ajuda e esoterismo,
não é diferente. Confirma-se que o aconselhamento
voltado ao mundo dos negócios está em alta: um representante
do gênero, Quem Mexeu no Meu Queijo?, foi o maior best-seller
do país em 2002, com 320 000 exemplares comercializados.
Também se repetiu o excelente desempenho dos livros que conjugam
fotos de bichinhos e frases motivacionais do australiano Bradley
Trevor Greive. Ele fez da lista de auto-ajuda um latifúndio,
com três obras. Na área de não-ficção,
nota-se o quão diverso pode ser o gosto do leitor brasileiro.
Nessa lista, há espaço para política (os dois
sucessos do jornalista Elio Gaspari sobre a ditadura militar), etimologia
(A Casa da Mãe Joana), humor (Seu Creysson
Vídia i Óbria), confissões de alcova (A
Vida Sexual de Catherine M.), futebol (um livro sobre o time
do Corinthians) e literatura (Os 100 Livros que Mais Influenciaram
a Humanidade). Não se deve esquecer, é claro,
de Estação Carandiru. A obra do médico
Drauzio Varella, de cunho sociológico, é um fenômeno
de longevidade: está há mais de três anos na
lista e não dá sinais de que sairá dela
tão cedo.
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