
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Falta mulher na Índia
O infanticídio
de meninas está causando
o
desequilíbrio entre os sexos no país
Fotos AP
 |
| Casamento
coletivo na cidade de Bhopal: as mulheres pagam dote |
A tecnologia
é uma bênção para a Índia mas
não em todos os aspectos. Apesar de um terço do total de
1 bilhão de habitantes viver na miséria, o país é
um centro de excelência em computação. Por outro lado,
a mistura de recursos modernos com costumes milenares produz efeitos de
extrema perversidade. Os aparelhos de ultra-sonografia utilizados nos
exames pré-natais, por exemplo. No Brasil, eles ajudam as mães
a acompanhar o desenvolvimento do feto, prevenindo problemas. Na Índia,
são usados para identificar o sexo do bebê e isso possibilita
o aborto caso seja uma menina. Tradicionalmente, os casais indianos preferem
filhos e muitas famílias matam as meninas logo que nascem. O resultado
desse infanticídio em massa já se faz sentir na composição
da população. O número de mulheres em relação
ao de homens não pára de cair. O censo de 2001 mostra que
existem 927 garotas para cada 1.000 meninos
até 6 anos de idade em todo o país. Dez anos atrás,
a proporção era de 945 meninas para cada 1.000
meninos na mesma faixa etária. Pesquisa recente do Banco Mundial
aponta que o número de mulheres entre 18 e 22 anos na Índia
é 6% menor que há duas décadas.
 |
| Rapaz
de 16 anos com sua noiva: bodas precoces |
Os costumes
na Índia sempre foram desfavoráveis às mulheres.
Ao se casar, a indiana passa a ser uma espécie de empregada da
família do marido. A lei não permite que as mulheres se
casem antes dos 18 anos, mas são freqüentes os matrimônios
de homens mais velhos com meninas de apenas 8 ou 9 anos. Por tradição,
a família da noiva paga um dote generoso ao futuro marido. São
comuns os casos em que os parentes do marido torturam a noiva para forçar
seus pais a pagar um dote maior. Em situações mais extremas,
ela é morta e o caso é registrado como "acidente doméstico".
Tamanha
é a escassez de mulheres que muitos pais não apenas estão
dispensando os dotes tradicionais como passaram a oferecer "recompensas"
às famílias que tiverem garotas dispostas a se casar com
seus filhos. "Antigamente, estávamos acostumados a dizer que a
noiva precisava pertencer a determinada classe social e ter uma família
adequada aos padrões exigidos pela sociedade", conta o fazendeiro
Mahendra Singh, de 54 anos, que está em busca de uma noiva para
seu filho de 22 anos. "Agora, diante das dificuldades, não nos
importamos mais com isso." Mesmo com a falta de meninas no país,
não há indícios de que os costumes vão mudar.
"Os indianos até dizem que são a favor do nascimento de
mais garotas, contanto que seja na casa do vizinho", diz Richa Tanwar,
diretor do setor de estudos da mulher da Universidade Kurukshetra, em
Haryana. O infanticídio de meninas está incorporado ao dia-a-dia
dos indianos. No sul do país, as recém-nascidas são
envenenadas com a seiva de um cacto da região. Algumas famílias
seguem um ritual que consiste em afogar o bebê em uma banheira cheia
de leite. A tecnologia está permitindo que matem as próprias
filhas bem antes de nascerem.
|
|
 |
|
 |

|
 |