De
onde vieram?
Dona do Clarín é acusada de
adotar filhos
de desaparecidos,
seqüestrados na ditadura
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AP

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| Ernestina
Herrera: rica e influente |
Aos
77 anos, Ernestina Herrera de Noble é uma das mais poderosas e
influentes mulheres da Argentina. Viúva desde 1969, ela dirige
o maior conglomerado de comunicações do país, que
inclui o principal jornal argentino, o Clarín, uma rede
de televisão, uma produtora de cinema, estações de
rádio e outros jornais. Sua fortuna é calculada em 680 milhões
de dólares, e ela vive na lista das argentinas mais elegantes.
Ernestina é o pivô de uma polêmica que está
eletrizando a Argentina. Um juiz determinou sua prisão na terça-feira
da semana passada sob a acusação de irregularidades no processo
de adoção de seus dois filhos. O mais grave: ambos seriam
filhos de presos políticos desaparecidos durante a ditadura militar.
A Argentina detém o recorde macabro da repressão entre as
ditaduras sul-americanas 30.000 mortos em seis anos de regime militar.
Um dos episódios mais revoltantes e cruéis dos tempos dos
militares foi a entrega para adoção de mais de 400 crianças
roubadas dos pais, que eram mortos logo depois na prisão. Até
agora 67 jovens foram identificados como seqüestrados pelos algozes
de seus pais. Todos tinham sido adotados, alguns por policiais e militares
envolvidos com a repressão. Essas crianças chegaram à
idade adulta com uma dolorosa suspeita: que seus pais adotivos podem ter
sido os assassinos dos pais biológicos. O pedido de detenção
de Ernestina foi apresentado pela organização Avós
da Praça de Maio. Há 25 anos, os membros dessa sociedade
tentam descobrir o paradeiro de seus netos.
O
que há contra a dona do Clarín são alguns
indícios, já investigados pela Justiça há
vinte anos, sem que se chegasse a uma conclusão. O mais importante
são as datas das adoções, que coincidem com a ditadura.
Ela diz que um dos bebês foi abandonado numa caixa de papelão.
O menino teria sido entregue pela própria mãe, mas os documentos
existentes estão sob suspeita. É bem possível que
Ernestina não saiba realmente a origem das crianças. A Justiça
solicitou aos filhos da empresária, Marcela e Felipe, de 26 anos,
a realização de um exame de DNA, para comprovar a verdadeira
identidade. Mas eles se recusam. O juiz precisa agora decidir se vai obrigá-los
a se submeter aos testes.
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