Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 783 - 25 de dezembro de 2002
A semana Racismo
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
A semana
 

O BC do PT será igual ao de FHC
Dinheiro público na campanha de Roriz
As perigosas conexões do deputado Pinheiro Landim
Trapalhadas na formação da equipe de Lula
Barco afunda no Pará com 341 pessoas
Ronaldo é outra vez o melhor do mundo
Líder republicano elogia segregacionista dos EUA
A prisão da dona do jornal argentino Clarín
A Lei de Responsabilidade Fiscal pegou

Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Contexto
Veja essa
Arc
VEJA on-line
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Tropeço no passado

Líder republicano no Senado faz elogios
à discriminação racial nos Estados Unidos

 
AP
Senador Trent Lott tenta se explicar: palavras "terríveis"

Os Estados Unidos são atormentados por um pecado do passado: a segregação racial. Ela foi colocada fora da lei quatro décadas atrás, mas o racismo ainda é um tema explosivo no país, apesar de todos os esforços para obter a igualdade entre brancos e negros. Há duas semanas, o mais importante líder do Partido Republicano, o senador Trent Lott, tropeçou no próprio passado. No aniversário de 100 anos do ex-senador Strom Thurmond, ao qual compareceu também o presidente republicano George W. Bush, Lott empolgou-se ao fazer elogios ao aniversariante, que foi candidato à Presidência em 1948. "Quando ele concorreu à Presidência, nós (do Estado do Mississippi) votamos nele. Se o resto do país tivesse feito o mesmo, nós não teríamos tido tantos problemas ao longo de todos esses anos." O saudosismo de Lott chocou a todos: a principal bandeira de Thurmond, quando ele foi candidato a presidente, era a total segregação racial.

Nos Estados do Sul, que Thurmond representava, o apartheid racial era oficial. O centenário senador até mudou de idéias anos depois. Votou a favor de um feriado nacional para lembrar o líder negro Martin Luther King, empregou negros em seu gabinete e matriculou sua filha em uma escola mista de brancos e negros. Mas, pelo que falou, Lott tem saudade do "velho" Thurmond. Os comentários do líder republicano foram a manifestação mais próxima de apoio a teses racistas feita por qualquer grande figura política americana nas últimas décadas. Diante da comoção e da repercussão na imprensa, Lott já pediu desculpas sete vezes pelas infelizes declarações. Disse, com razão, que elas eram "terríveis" e "insensíveis". Mas dificilmente ele conseguirá se eleger líder do Senado no próximo 6 de janeiro. Segundo pesquisa do jornal Washington Post e da rede de televisão ABC, 51% dos entrevistados acham que Lott não pode ser o líder do governo no Senado. Nessas circunstâncias, nenhum cacique republicano – e muito menos o presidente Bush – ousaria sair em sua defesa.

As chamadas "políticas afirmativas" de cotas para minorias nas universidades e na administração pública fizeram com que a classe média negra dobrasse nos últimos vinte anos. Em 1945, 10% dos negros americanos eram de classe média – hoje eles são 50%. Entre todos os países com grande população negra das Américas, os Estados Unidos são o melhor para um negro viver. Mas o apartheid americano é de memória muito recente. Os Estados Unidos exibiam uma separação racial bem vergonhosa, amparada pela legislação, que durou até o começo da década de 60. Os negros eram proibidos de morar em determinados bairros e de estudar em escolas reservadas para os brancos. Só podiam ocupar os assentos reservados para eles na traseira de ônibus e trens, mesmo que existissem lugares vazios nos bancos da frente. Nos anos 20, a organização racista Ku Klux Klan tinha 4 milhões de membros, defendendo "o desenvolvimento da raça branca, da fé cristã e a soberania americana contra influências estrangeiras".

Com a pressão exercida pelo movimento pelos direitos civis, as leis começaram a mudar, e hoje os americanos criaram um regime de cotas, uma espécie de "reserva de mercado" em universidades, sindicatos e empresas para as minorias. A Ku Klux Klan encolheu tanto que hoje reúne apenas 5.000 fanáticos. Vários mártires do movimento negro contribuíram para a visibilidade da luta pela igualdade de direitos, como o Prêmio Nobel da Paz em 1964, o pastor Martin Luther King, que reuniu 250.000 manifestantes em Washington e foi morto a tiros em 1968. Avanços têm acontecido, mas as estatísticas ainda demonstram que há muito que fazer. Mais da metade dos americanos presos é negra, apesar de eles constituírem apenas 12% da população total. A mortalidade infantil entre os negros ainda é duas vezes maior que entre as crianças brancas. Luther King entrou para a história falando de um sonho de igualdade que ainda está longe de se concretizar.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS