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Edição 1 783 - 25 de dezembro de 2002
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O melhor de todos

Ronaldo, artilheiro da Copa do Mundo,
é eleito o jogador do ano pela Fifa


Reuters
O jogador e o troféu da Fifa: "Dois anos de trabalho"

O atacante Ronaldo foi eleito, na semana passada, o melhor jogador de 2002 pela Fifa, com 387 pontos, mais que a soma dos votos do segundo colocado, o goleiro alemão Oliver Kahn, que teve 171 pontos, e do terceiro, o francês Zidane, com 148. Com isso, tornou-se o jogador mais premiado da história da entidade, com três troféus – ganhou o primeiro em 1996 e o outro em 1997. Desde que o prêmio foi criado, em 1991, apenas ele e Zidane haviam sido escolhidos duas vezes. "É a recompensa de dois anos de trabalho", disse Ronaldo. O jogador surpreendeu não tanto pelo desempenho em campo, mas sobretudo pela reviravolta em sua vida. Há quatro anos, teve uma inexplicável convulsão no dia da derrota da seleção brasileira contra a França na decisão da Copa do Mundo. O suplício estava apenas começando. Dois meses depois, teve uma inflamação no joelho direito, que o deixou três meses fora dos campos. Em novembro de 1999, o tendão patelar do mesmo joelho se rompeu e Ronaldo foi submetido a uma cirurgia, a segunda em três anos. Ficou mais cinco meses afastado.

No dia 12 de abril de 2000, após 143 dias sem jogar, Ronaldo reestreou na Inter de Milão contra a Lazio, em Roma, mas, no meio do jogo, machucou-se novamente. Poucas vezes se viu no esporte uma expressão de dor tão impressionante quanto a estampada no rosto do jogador em rede mundial de televisão. O tendão patelar de seu joelho direito mais uma vez se rompeu e o atacante teve de passar por outra operação. No final de 2001, sofreu mais uma contusão e ficou parado até março deste ano. Após quase dois anos e meio sem conseguir participar de uma série ininterrupta de jogos, pôde, enfim, disputar um amistoso contra a Iugoslávia pela seleção brasileira. Só então foi confirmado por Luiz Felipe Scolari para a Copa 2002.

A vitória da seleção no Japão fez o atacante renascer. A reviravolta rendeu-lhe onze prêmios individuais neste ano. Além do troféu da Fifa, ganhou o Prêmio Bola de Prata como o segundo melhor jogador da Copa, atrás do goleiro Kahn, e o Troféu Chuteira de Ouro, por ter sido o artilheiro do campeonato, com oito gols. No início de dezembro, foi eleito o melhor em campo na final do Mundial Interclubes, no Japão. Também foi premiado por três revistas européias, eleito personalidade esportiva do ano pela rede BBC, o melhor esportista pela Academia Francesa de Esportes e pela Reuters e o melhor jogador de futebol pelo Comitê Olímpico Brasileiro.

   
 
   
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