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Transportados feito
carga
Barco
superlotado naufraga no
Rio Pará, provoca mortes e deixa
dezenas de desaparecidos
Na noite
da última terça-feira, um barco de passageiros que fazia
a rota ManausBelém naufragou no Rio Pará, próximo
à cidade paraense de Barcarena, a 45 quilômetros de Belém.
A tragédia matou pelo menos doze pessoas e deixou dezenas de desaparecidos.
Segundo as autoridades locais, ela foi provocada pelo excesso de passageiros.
A capacidade máxima permitida para o barco era de 140 pessoas.
Calcula-se que a embarcação transportava muito mais que
o dobro desse limite. E foi exatamente isso, o excesso de peso, que causou
o acidente, que só não se transformou numa catástrofe
de proporções maiores porque o navio afundou em um trecho
rodeado de ilhas. Isso permitiu que vários passageiros conseguissem
nadar em direção a terra firme. Outros sobreviveram graças
ao uso de colete salva-vidas, ficando à deriva até a chegada
do salvamento.
Por trás
do excesso de peso estão a ganância dos barqueiros, que carregam
as pessoas como se fossem carga, e a falta de fiscalização
das autoridades, combinação que já provocou vários
acidentes na região. Em 2002, foram registrados 63, com dezoito
vítimas fatais, sem contar as do naufrágio da semana passada.
A região amazônica combina ainda várias características
que facilitam a ocorrência de tragédias. Como boa parte das
rodovias locais está em péssimas condições,
os rios tornam-se a melhor e, na maior parte das vezes, a única
forma de transporte para milhares de pessoas. Segundo cálculos
da Capitania dos Portos de Belém, cerca de 25.000
embarcações têm autorização para navegar
na região. Outros 20.000 barcos clandestinos
circulam livremente pelos rios. A imensidão desse pedaço
do Brasil também aumenta o risco de naufrágios o
mesmo motivo, aliás, já provocou na Amazônia vários
acidentes aéreos. O governo não dispõe de recursos
para contratar fiscais em número suficiente para controlar uma
área tão vasta. A verificação da documentação,
das condições dos barcos, do roteiro planejado e da capacidade
máxima permitida é feita apenas nos portos mais movimentados.
O problema é que a maioria dos barcos faz paradas em pequenos portos
não autorizados. É nessas operações clandestinas
que tripulantes inescrupulosos permitem a entrada de um número
ilimitado de pessoas nos barcos. Foi o que aconteceu na semana passada,
segundo relatos de sobreviventes. Muitos contaram aos bombeiros que a
tripulação do barco não atendeu ao aviso de outros
barqueiros para que não fosse feita a travessia da baía
do Rio Pará com tanto peso. Junte-se a todos esses fatores a precariedade
das embarcações algumas não passam por nenhum
tipo de vistoria há anos e surge o cenário perfeito
para a ocorrência de naufrágios como o da semana passada.
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