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E Gil vai zinzilular
Apesar
do tumulto nos bastidores,
a formação do ministério de Lula
tem uma boa cara

Maurício
Lima
Ernesto Rodrigues/AE
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| Gilberto
Gil, ao aceitar a Cultura no governo Lula: chiadeira dos aliados |
A composição
do ministério do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva
tem chamado a atenção por duas características. A
primeira é a boa qualidade de suas escolhas. A outra é a
confusão que o processo de seleção tem gerado. Na
semana passada, a indicação do músico e compositor
Gilberto Gil para a pasta da Cultura mostrou como as negociações
têm sido atrapalhadas. Numa conversa com jornalistas, Gil resolveu
aceitar o Ministério da Cultura sem que o presidente eleito tivesse
feito o anúncio oficial. O compositor acrescentou que havia aceitado
o cargo depois de conseguir a autorização de Lula para continuar
fazendo 25 shows por ano ou seja, Gil lulou e poderá zinzilular,
soltando a voz pelo país. O artista, que fatura em torno de 50.000
reais por apresentação, disse que não poderia viver
com o salário de ministro, de 8.500
reais. O compositor baiano acabou causando desconforto para aliados de
Lula. O grupo que articulou propostas para a área da Cultura no
programa de governo do PT discordou da escolha. Artistas ouvidos pela
imprensa se dividiram. Metade deles acusou o governo Lula de não
ter a mínima idéia do que seja política de Estado
para a área cultural. Até quinta-feira, o cantor ainda não
tinha sido anunciado oficialmente, mas o mal-estar já estava instalado.
José Paulo Lacerda/AE
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| Michel
Temer: as duas alas do PMDB podem ser contempladas no governo Lula
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O episódio foi mais um exemplo das dificuldades que Lula vem tendo
para acomodar os representantes dos diversos grupos que o apoiaram na
eleição. Nem mesmo seus correligionários dão
trégua. Na semana passada, o novo presidente do Banco Central petista,
o ex-banqueiro Henrique Meirelles, foi sabatinado no Senado. O que se
viu ficará nos anais das sessões surrealistas da Casa. Meirelles,
bem-aceito pelo mercado, também agradou aos integrantes dos partidos
conservadores. Já os aliados de Lula se revezaram nas perguntas
duras ao ex-banqueiro. A senadora Heloísa Helena, da ala radical
do PT, preferiu se ausentar do plenário do Senado para não
ter de votar contra o nome de Meirelles, que ela não engole de
forma alguma. Com os partidos aliados, o relacionamento também
não tem sido fácil. Lula finalmente conseguiu dobrar o ex-governador
Leonel Brizola, que queria para ele mesmo uma vaga no ministério
de Lula. Já o PT estava temeroso de uma participação
tão direta de Brizola no governo. Lideranças petistas temiam
que declarações bombásticas do ex-governador pudessem
provocar embaraços à administração de Lula.
O impasse foi resolvido com a indicação do deputado Miro
Teixeira para a pasta das Comunicações.
José Paulo Lacerda/AE
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| Miro
Teixeira: fidelidade a Brizola, trānsito no Congresso e dentro do
PT |
Agora, o maior desafio de Lula, porém, é acertar o apoio
da geléia do PMDB. O partido, que pode dar maioria parlamentar
ao governo petista, estava praticamente fechado com Lula na quinta-feira
da semana passada. O que, em se tratando de PMDB, não é
garantia de compromisso irrevogável. Pelo acordo inicial, o PMDB
ficaria com dois ministérios. Um para a ala liderada por Michel
Temer, que deu apoio incondicional ao governo Fernando Henrique Cardoso
e esteve com José Serra no primeiro e no segundo turnos da eleição.
A segunda pasta iria para o grupo que fez campanha para o PT, composto
de alguns governadores eleitos e opositores de FHC. Se se confirmar o
apoio, será a primeira vez que o PMDB ficará unido em torno
de um projeto presidencial desde o governo Sarney. A grande dificuldade
para o acerto definitivo é que, por causa das divisões internas,
a legenda não tem interlocutores que falem pelo partido inteiro.
Apesar desse tipo de contratempo, o resultado final do ministério
tem sido bom. O anúncio de Meirelles para a presidência do
BC ajudou a derrubar o dólar na semana passada. A confirmação
oficial do jurista Márcio Thomaz Bastos para o Ministério
da Justiça é inquestionável. O processo é
lento e difícil, mas a equipe saiu melhor que a encomenda.
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