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Operação
de 20 milhões
A PF acha provas de que Roriz
usou
dinheiro público para
financiar sua campanha eleitoral
Policarpo
Junior
Ricardo Borba
 |
| O
governador Joaquim Roriz: risco de cassação |
Na semana passada, a Polícia Federal realizou uma busca em escritórios
de duas empresas de Brasília. O trabalho durou sete horas e reuniu
um material altamente comprometedor contra o governador do Distrito Federal,
Joaquim Roriz, que acaba de ser reeleito. Os agentes apreenderam documentos,
computadores e disquetes que revelam uma engenhosa operação
de desvio de dinheiro público para financiar a última campanha
eleitoral de Roriz. De acordo com a polícia, às vésperas
da eleição as duas empresas sacaram 20 milhões de
reais em espécie do Banco de Brasília, a estatal bancária
da capital. O montante foi usado para alugar carros, comprar combustível,
remunerar centenas de cabos eleitorais e até para financiar um
caixa dois para policiais civis que estavam dando apoio clandestino à
campanha. Notas fiscais apreendidas revelaram também que as mesmas
empresas foram encarregadas de montar e mobiliar os comitês eleitorais
do governador e que até as multas de trânsito dos carros
alugados eram custeadas pelos cofres do governo.
As investigações que resultaram na busca começaram
logo depois do encerramento das eleições. A Polícia
Federal foi informada de que, às vésperas do pleito, fora
registrada uma estranha movimentação em várias agências
do Banco de Brasília, principalmente numa próxima à
sede do governo. Duas empresas que prestam serviço ao governo,
a Adler, uma consultoria, e a Linknet, de informática, fizeram
saques milionários em dinheiro um comportamento pouco convencional.
Quem pagou às duas companhias foi um instituto ligado ao governo
do Distrito Federal, que, nas notas fiscais, nem sequer se deu ao trabalho
de especificar o serviço que as empresas teriam prestado ao governo
e nem por que uma consultoria e uma firma de informática
teriam direito a receber tanto dinheiro no período de um mês.
Os funcionários do banco acompanharam carros-fortes chegando e
saindo das agências. Em alguns casos, o dinheiro era colocado em
sacos e levado por funcionários das empresas. Num dos saques, um
funcionário chegou a sair com o dinheiro pela porta da agência.
Antes, tranqüilizou um bancário que se preocupou com a segurança.
"Vou levar ali", disse, apontando para a sede do governo do DF.
A
movimentação da dinheirama ficou explicada quando a polícia
entrou nos escritórios da Adler e da Linknet. Lá foram encontradas
caixas de documentos etiquetadas como "campanhas políticas". Dentro
delas, planilhas de custos e centenas de notas fiscais. O dinheiro sacado
nas agências estava sendo usado para bancar a campanha do governador
Joaquim Roriz. As empresas tinham contratos de prestação
de serviços com órgãos do governo e, supostamente,
estariam recebendo pagamento por esses serviços ou seja,
dinheiro público. A Polícia Federal, porém, descobriu
que os serviços eram muito mais amplos do que consultoria e informática.
Os carros alugados ficavam à disposição dos comitês
de campanha e usavam adesivos de Roriz. Vários foram flagrados
por radares eletrônicos. As multas, depois da eleição,
foram encaminhadas ao governo. Uma das empresas, aliás, tem o filho
de um secretário de governo como procurador. Joaquim Roriz foi
diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral na semana passada para mais
um mandato de quatro anos. Agora corre o risco de ter seu mandato cassado
hipótese que até seus aliados já começam
a comentar abertamente.
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