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Edição 1 783 - 25 de dezembro de 2002
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Operação de 20 milhões

A PF acha provas de que Roriz
usou dinheiro público para
financiar sua campanha eleitoral

Policarpo Junior

Ricardo Borba
O governador Joaquim Roriz: risco de cassação


Na semana passada, a Polícia Federal realizou uma busca em escritórios de duas empresas de Brasília. O trabalho durou sete horas e reuniu um material altamente comprometedor contra o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, que acaba de ser reeleito. Os agentes apreenderam documentos, computadores e disquetes que revelam uma engenhosa operação de desvio de dinheiro público para financiar a última campanha eleitoral de Roriz. De acordo com a polícia, às vésperas da eleição as duas empresas sacaram 20 milhões de reais em espécie do Banco de Brasília, a estatal bancária da capital. O montante foi usado para alugar carros, comprar combustível, remunerar centenas de cabos eleitorais e até para financiar um caixa dois para policiais civis que estavam dando apoio clandestino à campanha. Notas fiscais apreendidas revelaram também que as mesmas empresas foram encarregadas de montar e mobiliar os comitês eleitorais do governador e que até as multas de trânsito dos carros alugados eram custeadas pelos cofres do governo.

As investigações que resultaram na busca começaram logo depois do encerramento das eleições. A Polícia Federal foi informada de que, às vésperas do pleito, fora registrada uma estranha movimentação em várias agências do Banco de Brasília, principalmente numa próxima à sede do governo. Duas empresas que prestam serviço ao governo, a Adler, uma consultoria, e a Linknet, de informática, fizeram saques milionários em dinheiro – um comportamento pouco convencional. Quem pagou às duas companhias foi um instituto ligado ao governo do Distrito Federal, que, nas notas fiscais, nem sequer se deu ao trabalho de especificar o serviço que as empresas teriam prestado ao governo – e nem por que uma consultoria e uma firma de informática teriam direito a receber tanto dinheiro no período de um mês. Os funcionários do banco acompanharam carros-fortes chegando e saindo das agências. Em alguns casos, o dinheiro era colocado em sacos e levado por funcionários das empresas. Num dos saques, um funcionário chegou a sair com o dinheiro pela porta da agência. Antes, tranqüilizou um bancário que se preocupou com a segurança. "Vou levar ali", disse, apontando para a sede do governo do DF.


A movimentação da dinheirama ficou explicada quando a polícia entrou nos escritórios da Adler e da Linknet. Lá foram encontradas caixas de documentos etiquetadas como "campanhas políticas". Dentro delas, planilhas de custos e centenas de notas fiscais. O dinheiro sacado nas agências estava sendo usado para bancar a campanha do governador Joaquim Roriz. As empresas tinham contratos de prestação de serviços com órgãos do governo e, supostamente, estariam recebendo pagamento por esses serviços – ou seja, dinheiro público. A Polícia Federal, porém, descobriu que os serviços eram muito mais amplos do que consultoria e informática. Os carros alugados ficavam à disposição dos comitês de campanha e usavam adesivos de Roriz. Vários foram flagrados por radares eletrônicos. As multas, depois da eleição, foram encaminhadas ao governo. Uma das empresas, aliás, tem o filho de um secretário de governo como procurador. Joaquim Roriz foi diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral na semana passada para mais um mandato de quatro anos. Agora corre o risco de ter seu mandato cassado – hipótese que até seus aliados já começam a comentar abertamente.



   
 
   
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