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Edição 1 783 - 25 de dezembro de 2002
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O poder transformador
de 2002

Capas de VEJA: de olho nas mudanças

Há sinais claros de que o Brasil não será o mesmo depois de ter passado por algumas experiências significativas ocorridas em 2002. Uma das mais marcantes transformações é de ordem política. Os brasileiros haviam se acostumado a conviver com processos eleitorais em que o governante cujo mandato estivesse chegando ao fim ordenava a abertura dos cofres públicos para interferir no resultado das urnas. Se fosse bem-sucedido, orgulhava-se de seu feito, mesmo quebrando o Estado. E, quando a oposição vencia, seus líderes não se comportavam de forma muito mais civilizada. Anunciavam logo a decisão de rever os projetos e contratos do antecessor, falando até em criação de CPI. Não foi esta a marca da eleição de 2002.

De forma amadurecida, o presidente Fernando Henrique apoiou seu candidato dentro de limites aceitáveis. E o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu a manter os principais projetos tucanos, inclusive os da área social. Ou seja, Lula vai olhar para a frente, não para trás. Semana após semana, VEJA monitorou os lances dessa transformação. Se o Brasil não tivesse mudado, talvez fosse outro o desfecho do caso Roseana Sarney, cuja candidatura foi pulverizada quando a polícia achou mais de 1 milhão de reais em notas de 50 no escritório de seu marido.

A outra transformação marcante do ano, talvez mais impressionante, ocorreu no ideário petista. Na corrida de obstáculos em que se transformou a campanha presidencial, o PT abandonou a intolerância quase religiosa que marcava sua preferência pelas bandeiras de esquerda e, em questão de poucos meses, aceitou as normas que regem o funcionamento dos países modernos. O Brasil reagiu rápido. Entregou a Lula o Palácio do Planalto, que lhe negara nas três tentativas anteriores. VEJA acompanhou a intimidade dessa transformação e a traduziu para seus leitores numa série de reportagens em torno do tema. Durante vinte anos, o Brasil conheceu um PT. Acabou elegendo outro. E, agora, prepara-se para ver este novo PT em ação a partir do início de janeiro.

 
 
   
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