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pouco tempo, só rico tinha telefone. Hoje, empregadas
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Ilustração
Atômica Studio![]() |
Quantos municípios brasileiros não têm
livrarias? Ou, se têm, seu acervo é pífio. Mas, para que livrarias,
se há a Amazon.com e suas versões caboclas? Qualquer um pode comprar
quase 20 milhões de títulos pressionando algumas teclas. Quem tem
Google ri dos 32 volumes da Britânica, ao custo de 1.000 dólares,
pois a Wikipedia é mais simpática e de graça. Pobre não
tem dinheiro para revistas ou jornais, mas agora está tudo na internet.
E pode ler, em português e gratuitamente, milhares de livros de domínio
público. O rico mandava o contínuo ou o moleque de recados ao correio
para postar uma carta. Agora, o pobre passa um e-mail, igualzinho ao rico. E nenhum
dos dois paga o selo. E o preço absurdo dos CDs? Hoje, qualquer música
pode ser encontrada na web. E, com um pouquinho de astúcia, sem gastar
nada. E passam fagueiros os garis, com seus fones ligados nos tocadores de MP3.
Como dito, longe deste ensaísta subestimar a situação de
pobreza de grande parte da nossa população. Não obstante,
a mensagem deste ensaio é que os avanços presentes da tecnologia
trazem benefícios bem maiores para o povão.
Tais elucubrações nos levam de volta ao bando de hippies da Califórnia que inventou os microcomputadores, na década de 70. Era um grupo de contracultura que via na tecnologia um antídoto para a opressão, por parte de uma sociedade impessoal, comandada por grandes empresas e por "big brothers" sinistros. Eles buscavam alternativas tecnológicas libertadoras. Queriam ferramentas que permitissem aos pequenos expressar-se em múltiplas direções. Precisavam de soluções pouco dispendiosas. Com o sucesso dos microcomputadores, quase todos ficaram milionários. Não precisaram das soluções baratas que criaram. Mas as ideias estavam na rua. Suas aplicações foram herdadas por bilhões de pessoas.
Restam duas cogitações. Primeiro, o povo ficou mais feliz com seus novos apetrechos? Ou aumentou sua alienação e angústia? Segundo, ele saberá usar isso tudo? Ou as lastimáveis deficiências em sua educação o impedem de usar o melhor desse potencial criado pela tecnologia para aumentar sua cultura e qualidade de vida?
Claudio de Moura Castro é economista
claudiodemouracastro@positivo.com.br