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• Propaganda: A divinização do presidente LulaGeral
• Ecologia: Copenhague: ainda há esperança de avançoCarta ao LeitorUm mito em construção
Uma reportagem desta edição de VEJA sobre o filme Lula, o Filho do Brasil mostra que disfarçar peças de propaganda em produções culturais é uma maneira de turbinar a imagem dos políticos sem incorrer em gastos. Pago por empresas privadas com interesses no governo, o filme é um novelão melodramático que expurga fatos biográficos, endeusando o homem, com óbvias repercussões eleitorais positivas para a candidata da situação. A fita faz parte de um projeto mais amplo de transformar Lula em mito. Os arquitetos dessa estratégia, que agem muitas vezes à revelia do próprio Lula, sonham em criar uma imagem santificada do atual presidente. O filme dá sua mãozinha. "A narração de Lula, o Filho do Brasil é encadeada como a vida de Cristo, do nascimento na manjedoura à ressurreição gloriosa", revela Isabela Boscov, crítica de cinema de VEJA. A ideia ao manter o fantasma de Lula tão presente na vida política nacional como o do velho rei Hamlet na peça de Shakespeare é produzir a impressão de que o novo presidente eleito é apenas um usurpador. Esse quadro ofereceria risco para a estabilidade política, mas também para Lula. Ele ganharia muito se agisse nesse caso com a mesma sabedoria que o levou a abortar as tentativas dos bolsões radicais mas sinceros do petismo de abrir caminho para o terceiro mandato. |