AmbienteGramados ainda mais verdesPor
exigência da Fifa, os estádios brasileiros da Copa de 2014 devem
adotar medidas para preservar o ambiente. Os projetos são notáveis.
Mas a arquitetura sustentável é sempre mais eficiente no papel do
que fora dele. Veja abaixo os doze estádios que terão jogos da Copa.
Porto Alegre
Estádio Beira Rio O
clube Internacional já tem o programa de separação e reciclagem
do lixo e, até 2014, estuda a possibilidade de utilizar a grama cortada
como adubo para o próprio gramado, no sistema de compostagem. Também
será criada uma ciclovia na duplicação da Avenida Beira-Rio,
como incentivo ao uso do transporte público. Capacidade:
56.000 pessoas Valor estimado da obra: 60 milhões de reais
Autoria do projeto: Hype Arquitetos Água:
Será instalado um sistema de coleta de águas pluviais e, rotineiramente,
será feita a compostagem do gramado, ou seja, a reutilização
da grama cortada como adubo. O projeto ainda não estabeleceu os detalhes
de como será feita este reaproveitamento da água da chuva, embora
já esteja definido que vai ser utilizado para irrigação do
gramado e nos banheiros. Energia: A membrana
translúcida da cobertura permite o aproveitamento mais eficiente da luz
solar, evitando gastos excessivos e desnecessários com iluminação
artificial. Rio de Janeiro
Maracanã O projeto conceitual para o Maracanã
que foi aprovado pela FIFA foi desenvolvido pelo escritório Castro Mello
Arquitetos, em São Paulo. Apesar disso, no momento, outros arquitetos estão
concorrendo para desenvolver o projeto executivo da obra, através da licitação
pública. O resultado deve sair dentro de alguns meses e também deve
seguir as regras de uma construção sustentável. Capacidade:
87.000 pessoas Valor estimado da obra: 430 milhões de reais
Projeto: Licitação pública São
Paulo
Morumbi De
acordo com comunicado divulgado pela Fifa, 84% do estádio está em
perfeitas condições de sediar um jogo da Copa do Mundo em 2014.
As reformas são em alguns pontos específicos, como zona mista, imprensa
e setor VIP. Em agosto, a empresa alemã GMP prestou consultoria ao arquiteto
para que as exigências fossem cumpridas em tempo hábil. Foi desenvolvido
um novo conceito para a cobertura, para que o Morumbi seja palco de shows e não
apenas de partidas de futebol. Capacidade:
62.882 pessoas Valor estimado da obra: 136 milhões de reais
Projeto: Ruy Othake Água: o
Morumbi já conta com sistema de drenagem e irrigação do campo,
além de utilizar água proveniente de poços artesianos. O
que está previsto na reforma é a construção de um
reservatório para captação de água da chuva. Segundo
Ruy Othake, arquiteto responsável, o projeto hidráulico começou
a ser desenvolvido recentemente e não ainda não existem detalhes.
Energia: atualmente, já existe
uma sala de controle que registra os níveis de consumo de água e
energia e, para a Copa, está previsto a automatização do
sistema. Serão instaladas novas unidades de geradores. Não serão
instaladas formas alternativas de produção de energia. Materiais:
para a adaptação que foi exigida pela Fifa, está previsto
o reaproveitamento de madeira. Fortaleza
Castelão Depois
da Copa, o estádio estará atrelado a um complexo olímpico,
que funcionará como um centro de animação urbana multifuncional,
com direito a shopping e estacionamento. Em volta do estádio, se prevê
empreendimentos de habitação e desenvolvimento urbano, já
que é área de densidade ocupacional muito baixa. Capacidade:
53.000 pessoas Valor estimado da obra: 400 milhões de reais
Projeto: Hector Vigliecca Água: está
certo que haverá coleta de água de chuva e inclusive tratamento
para que o armazenamento não prejudique a qualidade da água. Será
utilizada na manutenção do gramado, limpeza e descarga dos banheiros. Energia:
devido à grande experiência da região em tecnologia de
energia eólica, a ideia é que seja uma fonte suplementar ao sistema
energético do estádio do Castelão. Ainda não estão
definidos quais serão os custos de implantação diante dos
resultados e benefícios. Inovação
e design: haverá ventilação cruzada e aproveitamento
da luz natural, pois são condições necessárias para
manter o gramado em perfeito estado, sem manutenção freqüente.
Curitiba
Arena
da Baixada Capacidade: 41.375 pessoas Valor
estimado da obra: 138 milhões de reais Projeto: Carlos Arcos Água:
com um reservatório de água de chuva de 2 000 metros cúbicos,
o projeto para Curitiba prevê que será possível manter o estádio
funcionando (irrigação do gramado e banheiros) por quinze dias,
sem ter de recorrer à rede pública. Segundo o arquiteto Carlos Arcos,
com esse reaproveitamento, é possível economizar o uso total de
água no estádio em até 75%. Energia:
a alternativa encontrada para a Arena da Baixada é diminuir o gasto de
energia controlando a iluminação e eliminando em partes o uso do
ar condicionado. Serão utilizadas lâmpadas de baixo consumo e, com
uma proteção que impede a incidência solar direta na arquibancada,
diminui em até 60% o uso do ar condicionado. Cuiabá
Estádio
Governador José Fragelli A ideia é que
parte da arquibancada do estádio seja construída em módulos
removíveis, para que, depois da Copa, o espaço possa ser mais bem
aproveitado para feiras, seminários e shows. Com parceria com a iniciativa
privada, o subsolo do estádio de Cuiabá tem a intenção
de se tornar o endereço noturno da cidade, com restaurantes e bares. Capacidade:
42.500 pessoas Valor estimado da obra: 430 milhões de reais
Projeto: GCP Arquitetos e Grupo Stadia Água:
as águas pluviais serão captadas e armazenadas em reservatórios
de 400 metros cúbicos. Servirão para a limpeza dos sanitários
e irrigação do gramado, além do sistema de ar-condicionado. Energia:
apesar de não adotar nenhum sistema alternativo de geração
de energia, será implantado um sistema eficiente de consumo. As placas
solares irão aquecer a água dos chuveiros e da cozinha. Material:
o estádio será construído a partir de estruturas pré-moldadas
de concreto e de aço, já que resulta uma obra mais barata do que
aquelas construídas de maneira convencional. Natal
Arena
das DunasO mais verde
de todos A
localização é estratégica: Natal, no Rio Grande do
Norte, é a cidade brasileira da Copa mais próxima para quem vem
da Europa e da África. Daí o investimento num complexo que inclui
hotel, torres de escritórios, edifícios residenciais e centro de
convenções e que estará entre os mais modernos do mundo.
A estrutura é a mais "sustentável" entre as projetadas
para a Copa Capacidade:
45 000 pessoas Valor estimado da obra: 300 milhões de reais Autoria
do projeto: Coutinho, Diegues, Cordeiro Arquitetos, Felipe Bezerra Arquitetos
e Populous (Estados Unidos) Água:
todos os prédios do complexo vão captar e drenar a água
da chuva para um reservatório. Lá, ela será tratada e despejada
num lago. A água deverá ser constantemente reutilizada na limpeza
e irrigação. Os sanitários contam com equipamentos que reduzem
o consumo de água. Haverá ainda uma estação de tratamento
de esgoto depois de tratada, a água voltará a servir todo
o complexo Energia:
as necessidades do estádio deverão ser supridas com energia
solar, captada por dois tipos de equipamento: placas fotovoltaicas instaladas
na cobertura e uma espécie de "antena parabólica" que
absorve os raios. Um computador vai controlar o uso energético de modo
a evitar desperdícios Material:
a estrutura mista de aço e concreto será em parte desmontável
o que reduz o custo de manutenção. A cobertura é feita
de um tecido termoacústico, com calhas vazadas que permitem o escoamento
da água da chuva. É o mesmo material utilizado no Cubo dÁgua,
de Pequim. No entorno, será dada prioridade a recursos renováveis
produzidos na região do Rio Grande do Norte Brasília Estádio
Nacional (antigo Estádio Mané Garrincha)Capacidade:
70 000 pessoas Valor estimado da obra: 520
milhões de reais Autoria do projeto: Castro Mello Arquitetos Estádio
autossustentável A ideia, segundo seus projetistas, é que
o Estádio Nacional de Brasília se torne o primeiro a ser alimentado
por água reaproveitada e energia renovável, produzida no próprio
estádio. Ele ainda impressiona pela beleza e por um sistema de cobertura
retrátil de alta resistência e durabilidade Água:
com a instalação de dispositivos que reduzem o fluxo de água
em torneiras e vasos sanitários, a economia pode chegar a 3 ou 4 litros
de água por minuto, o que significa uma economia de 30% em relação
ao consumo atual. O paisagismo foi planejado para que o solo absorva mais facilmente
a água da chuva. Uma vez no lençol freático, essa água
também ajuda a resfriar os dutos do sistema de ar condicionado e, com isso,
os aparelhos precisarão de menos energia para funcionar Energia:
a cobertura terá módulos fotovoltaicos, num total de 13 000
metros quadrados. Com um índice anual de radiação solar de
1 825 quilowatts por hora por metro quadrado, a energia produzida poderá
chegar a 2 550 megawatts por hora, o que daria para abastecer 1 milhão
de residências Material: a cobertura
retrátil mescla placas de concreto com aço e vidro. No mais, serão
instalados materiais permeáveis para que a água da chuva chegue
às camadas do lençol freático Energia
que vem do solNos estádios
do Recife e de Belo Horizonte, a luz natural é aproveitada com a máxima
eficiência. Serão utilizadas células fotovoltaicas capazes
de transformar em eletricidade quase a metade dos raios solares que incidirem
sobre elas. Nas células convencionais esse aproveitamento é duas
vezes menor Energia:
no Recife serão utilizadas duas formas alternativas de produção
de energia. Quatro turbinas eólicas, com potência de até 1
600 quilowatts, podem suprir todo o consumo do sistema de ar condicionado, e ainda
sobra energia. Os painéis fotovoltaicos podem produzir até 49 500
quilowatts por hora, o que equivale ao consumo de 20 000 casas. A água
a ser utilizada em vestiários e na cozinha será aquecida por energia
solar, reduzindo o consumo de energias convencionais em até 85%. No Mineirão,
painéis fotovoltaicos serão responsáveis pela redução
de 40% do consumo de energia Recife
Cidade
da Copa Capacidade: 46
150 pessoas Valor estimado da obra: 500 milhões de reais Autoria
do projeto: Arquiteto Daniel Fernandes Belo Horizonte
Estádio
Mineirão Capacidade: 69 950 pessoas Valor
estimado da obra: 1 bilhão de reais Autoria do projeto: O
escritório alemão Gerkan, Marg and Partner (GMP) e Gustavo Penna
Arquiteto & Associados Água que não
se esgotaOs estádios de Manaus e Salvador
reaproveitarão totalmente a água da chuva para a limpeza do espaço
e para sua utilização em banheiros Água:
o estádio de Manaus coleta e reaproveita a água da chuva no
gramado para a limpeza dos banheiros e uso em descargas. Essa água ainda
vai para o sistema de ar condicionado. No caso da água potável,
a economia é de 40%. Em Salvador, para o uso em banheiros e no sistema
de irrigação, será utilizada água reaproveitada da
chuva no campo e na cobertura do estádio. Um poço artesiano dará
conta do consumo de água potável. Só será preciso
recorrer à rede pública em casos emergenciais, como uma seca violenta
na região Manaus
Estádio
Vivaldo Lima Capacidade: 47 930 pessoas O
complexo inclui centro de convenções, parque, hotel, teatro e estacionamento,
num total de 250 000 metros quadrados de área construída Valor
estimado da obra: 500 milhões de reais Autoria do projeto: GMP
e Grupo Stadia Salvador 
Estádio
Fonte Nova Capacidade: 55 000 pessoas Valor
estimado da obra: 400 milhões de reais Autoria do projeto: Os
arquitetos Marc Duwe, do Brasil, e Claas Schulitz, da Alemanha |