Ambiente

25/11/2009
 
Ambiente

Gramados ainda mais verdes

Por exigência da Fifa, os estádios brasileiros da Copa de 2014 devem adotar medidas para preservar o ambiente. Os projetos são notáveis. Mas a arquitetura sustentável é sempre mais eficiente no papel do que fora dele. Veja abaixo os doze estádios que terão jogos da Copa.


Porto Alegre

Estádio Beira Rio

O clube Internacional já tem o programa de separação e reciclagem do lixo e, até 2014, estuda a possibilidade de utilizar a grama cortada como adubo para o próprio gramado, no sistema de compostagem. Também será criada uma ciclovia na duplicação da Avenida Beira-Rio, como incentivo ao uso do transporte público.

Capacidade: 56.000 pessoas
Valor estimado da obra: 60 milhões de reais
Autoria do projeto: Hype Arquitetos

Água:
Será instalado um sistema de coleta de águas pluviais e, rotineiramente, será feita a compostagem do gramado, ou seja, a reutilização da grama cortada como adubo. O projeto ainda não estabeleceu os detalhes de como será feita este reaproveitamento da água da chuva, embora já esteja definido que vai ser utilizado para irrigação do gramado e nos banheiros.

Energia:
A membrana translúcida da cobertura permite o aproveitamento mais eficiente da luz solar, evitando gastos excessivos e desnecessários com iluminação artificial.

 

Rio de Janeiro

Maracanã

O projeto conceitual para o Maracanã que foi aprovado pela FIFA foi desenvolvido pelo escritório Castro Mello Arquitetos, em São Paulo. Apesar disso, no momento, outros arquitetos estão concorrendo para desenvolver o projeto executivo da obra, através da licitação pública. O resultado deve sair dentro de alguns meses e também deve seguir as regras de uma construção sustentável.

Capacidade: 87.000 pessoas
Valor estimado da obra: 430 milhões de reais
Projeto: Licitação pública

 

São Paulo

Morumbi

De acordo com comunicado divulgado pela Fifa, 84% do estádio está em perfeitas condições de sediar um jogo da Copa do Mundo em 2014. As reformas são em alguns pontos específicos, como zona mista, imprensa e setor VIP. Em agosto, a empresa alemã GMP prestou consultoria ao arquiteto para que as exigências fossem cumpridas em tempo hábil. Foi desenvolvido um novo conceito para a cobertura, para que o Morumbi seja palco de shows e não apenas de partidas de futebol.

Capacidade: 62.882 pessoas
Valor estimado da obra: 136 milhões de reais
Projeto: Ruy Othake

Água: o Morumbi já conta com sistema de drenagem e irrigação do campo, além de utilizar água proveniente de poços artesianos. O que está previsto na reforma é a construção de um reservatório para captação de água da chuva. Segundo Ruy Othake, arquiteto responsável, o projeto hidráulico começou a ser desenvolvido recentemente e não ainda não existem detalhes.

Energia: atualmente, já existe uma sala de controle que registra os níveis de consumo de água e energia e, para a Copa, está previsto a automatização do sistema. Serão instaladas novas unidades de geradores. Não serão instaladas formas alternativas de produção de energia.

Materiais: para a adaptação que foi exigida pela Fifa, está previsto o reaproveitamento de madeira.

 

Fortaleza

Castelão

Depois da Copa, o estádio estará atrelado a um complexo olímpico, que funcionará como um centro de animação urbana multifuncional, com direito a shopping e estacionamento. Em volta do estádio, se prevê empreendimentos de habitação e desenvolvimento urbano, já que é área de densidade ocupacional muito baixa.

Capacidade: 53.000 pessoas
Valor estimado da obra: 400 milhões de reais
Projeto: Hector Vigliecca

Água: está certo que haverá coleta de água de chuva e inclusive tratamento para que o armazenamento não prejudique a qualidade da água. Será utilizada na manutenção do gramado, limpeza e descarga dos banheiros.

Energia: devido à grande experiência da região em tecnologia de energia eólica, a ideia é que seja uma fonte suplementar ao sistema energético do estádio do Castelão. Ainda não estão definidos quais serão os custos de implantação diante dos resultados e benefícios.

Inovação e design: haverá ventilação cruzada e aproveitamento da luz natural, pois são condições necessárias para manter o gramado em perfeito estado, sem manutenção freqüente.

 

Curitiba

Arena da Baixada

Capacidade: 41.375 pessoas
Valor estimado da obra: 138 milhões de reais
Projeto: Carlos Arcos

Água: com um reservatório de água de chuva de 2 000 metros cúbicos, o projeto para Curitiba prevê que será possível manter o estádio funcionando (irrigação do gramado e banheiros) por quinze dias, sem ter de recorrer à rede pública. Segundo o arquiteto Carlos Arcos, com esse reaproveitamento, é possível economizar o uso total de água no estádio em até 75%.

Energia: a alternativa encontrada para a Arena da Baixada é diminuir o gasto de energia controlando a iluminação e eliminando em partes o uso do ar condicionado. Serão utilizadas lâmpadas de baixo consumo e, com uma proteção que impede a incidência solar direta na arquibancada, diminui em até 60% o uso do ar condicionado.

 

Cuiabá

Estádio Governador José Fragelli

A ideia é que parte da arquibancada do estádio seja construída em módulos removíveis, para que, depois da Copa, o espaço possa ser mais bem aproveitado para feiras, seminários e shows. Com parceria com a iniciativa privada, o subsolo do estádio de Cuiabá tem a intenção de se tornar o endereço noturno da cidade, com restaurantes e bares.

Capacidade: 42.500 pessoas
Valor estimado da obra: 430 milhões de reais
Projeto: GCP Arquitetos e Grupo Stadia

Água: as águas pluviais serão captadas e armazenadas em reservatórios de 400 metros cúbicos. Servirão para a limpeza dos sanitários e irrigação do gramado, além do sistema de ar-condicionado.

Energia: apesar de não adotar nenhum sistema alternativo de geração de energia, será implantado um sistema eficiente de consumo. As placas solares irão aquecer a água dos chuveiros e da cozinha.

Material: o estádio será construído a partir de estruturas pré-moldadas de concreto e de aço, já que resulta uma obra mais barata do que aquelas construídas de maneira convencional.

 

Natal

Arena das Dunas

O mais verde de todos
A localização é estratégica: Natal, no Rio Grande do Norte, é a cidade brasileira da Copa mais próxima para quem vem da Europa e da África. Daí o investimento num complexo que inclui hotel, torres de escritórios, edifícios residenciais e centro de convenções e que estará entre os mais modernos do mundo. A estrutura é a mais "sustentável" entre as projetadas para a Copa

Capacidade: 45 000 pessoas
Valor estimado da obra: 300 milhões de reais
Autoria do projeto: Coutinho, Diegues, Cordeiro Arquitetos, Felipe Bezerra Arquitetos e Populous (Estados Unidos)

Água: todos os prédios do complexo vão captar e drenar a água da chuva para um reservatório. Lá, ela será tratada e despejada num lago. A água deverá ser constantemente reutilizada na limpeza e irrigação. Os sanitários contam com equipamentos que reduzem o consumo de água. Haverá ainda uma estação de tratamento de esgoto – depois de tratada, a água voltará a servir todo o complexo

Energia: as necessidades do estádio deverão ser supridas com energia solar, captada por dois tipos de equipamento: placas fotovoltaicas instaladas na cobertura e uma espécie de "antena parabólica" que absorve os raios. Um computador vai controlar o uso energético de modo a evitar desperdícios

Material: a estrutura mista de aço e concreto será em parte desmontável – o que reduz o custo de manutenção. A cobertura é feita de um tecido termoacústico, com calhas vazadas que permitem o escoamento da água da chuva. É o mesmo material utilizado no Cubo d’Água, de Pequim. No entorno, será dada prioridade a recursos renováveis produzidos na região do Rio Grande do Norte

 

Brasília

Estádio Nacional
(antigo Estádio Mané Garrincha)

Capacidade: 70 000 pessoas
Valor estimado da obra: 520 milhões de reais
Autoria do projeto: Castro Mello Arquitetos

Estádio autossustentável
A ideia, segundo seus projetistas, é que o Estádio Nacional de Brasília se torne o primeiro a ser alimentado por água reaproveitada e energia renovável, produzida no próprio estádio. Ele ainda impressiona pela beleza e por um sistema de cobertura retrátil de alta resistência e durabilidade

Água: com a instalação de dispositivos que reduzem o fluxo de água em torneiras e vasos sanitários, a economia pode chegar a 3 ou 4 litros de água por minuto, o que significa uma economia de 30% em relação ao consumo atual. O paisagismo foi planejado para que o solo absorva mais facilmente a água da chuva. Uma vez no lençol freático, essa água também ajuda a resfriar os dutos do sistema de ar condicionado e, com isso, os aparelhos precisarão de menos energia para funcionar

Energia: a cobertura terá módulos fotovoltaicos, num total de 13 000 metros quadrados. Com um índice anual de radiação solar de 1 825 quilowatts por hora por metro quadrado, a energia produzida poderá chegar a 2 550 megawatts por hora, o que daria para abastecer 1 milhão de residências

Material: a cobertura retrátil mescla placas de concreto com aço e vidro. No mais, serão instalados materiais permeáveis para que a água da chuva chegue às camadas do lençol freático

 

Energia que vem do sol

Nos estádios do Recife e de Belo Horizonte, a luz natural é aproveitada com a máxima eficiência. Serão utilizadas células fotovoltaicas capazes de transformar em eletricidade quase a metade dos raios solares que incidirem sobre elas. Nas células convencionais esse aproveitamento é duas vezes menor

Energia: no Recife serão utilizadas duas formas alternativas de produção de energia. Quatro turbinas eólicas, com potência de até 1 600 quilowatts, podem suprir todo o consumo do sistema de ar condicionado, e ainda sobra energia. Os painéis fotovoltaicos podem produzir até 49 500 quilowatts por hora, o que equivale ao consumo de 20 000 casas. A água a ser utilizada em vestiários e na cozinha será aquecida por energia solar, reduzindo o consumo de energias convencionais em até 85%. No Mineirão, painéis fotovoltaicos serão responsáveis pela redução de 40% do consumo de energia

Recife

Cidade da Copa

Capacidade: 46 150 pessoas
Valor estimado da obra: 500 milhões de reais
Autoria do projeto: Arquiteto Daniel Fernandes

 

Belo Horizonte

Estádio Mineirão

Capacidade: 69 950 pessoas
Valor estimado da obra: 1 bilhão de reais
Autoria do projeto: O escritório alemão Gerkan, Marg and Partner (GMP) e Gustavo Penna Arquiteto & Associados

 

Água que não se esgota

Os estádios de Manaus e Salvador reaproveitarão totalmente a água da chuva para a limpeza do espaço e para sua utilização em banheiros

Água: o estádio de Manaus coleta e reaproveita a água da chuva no gramado para a limpeza dos banheiros e uso em descargas. Essa água ainda vai para o sistema de ar condicionado. No caso da água potável, a economia é de 40%. Em Salvador, para o uso em banheiros e no sistema de irrigação, será utilizada água reaproveitada da chuva no campo e na cobertura do estádio. Um poço artesiano dará conta do consumo de água potável. Só será preciso recorrer à rede pública em casos emergenciais, como uma seca violenta na região

 

Manaus

Estádio Vivaldo Lima

Capacidade: 47 930 pessoas
O complexo inclui centro de convenções, parque, hotel, teatro e estacionamento, num total de 250 000 metros quadrados de área construída
Valor estimado da obra: 500 milhões de reais
Autoria do projeto: GMP e Grupo Stadia

 

Salvador

Estádio Fonte Nova

Capacidade: 55 000 pessoas
Valor estimado da obra: 400 milhões de reais
Autoria do projeto: Os arquitetos Marc Duwe, do Brasil, e Claas Schulitz, da Alemanha

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