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Um bate-papo formal
Na China, onde a censura é violenta, Obama falou a estudantes
sobre liberdade de expressão. Evidentemente, foi censurado

Lizia Bydlowski
Qilai Shen/Getty Images
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"Vou ser sincero: como presidente, às vezes gostaria
que as informações não circulassem tão livremente,
porque assim não teria de ouvir pessoas me criticando o tempo todo. Mas,
como nos Estados Unidos há liberdade de informação, e eu
tenho muitos críticos que falam tudo o que querem contra mim, acredito
que isso faz a nossa democracia ficar mais forte e faz de mim um líder
melhor, porque me obriga a ouvir opiniões que preferiria ignorar".
Dita a um grupo de 500 estudantes chineses arrumadinhos, escolhidos a dedo para
lhe fazer perguntas durante visita a Xangai, a frase de Barack Obama repercutiu
como manifestação contra a censura oblíqua e branda,
no tom que pautou toda esta primeira visita de Obama à Ásia, mas
eficiente mesmo assim. A declaração anticensura foi censurada,
claro, como tudo na China: o encontro só foi transmitido por uma TV local
e o noticiário em rede nacional nem sequer o mencionou. Blogueiros chineses
convidados pela Casa Branca para participar da conversa foram barrados e os
jovens presentes, na maioria integrantes da Juventude Comunista, passaram por
quatro dias de treinamento sobre como se comportar. Entre as orientações
que receberam estava não falar em Tibete nem em direitos humanos, preservar
o bom estado das relações bilaterais e respeitar o presidente.
A propósito, a pergunta que originou a frase de Obama foi: "Acha
que o Twitter deve ser usado livremente?". A qual provocou, além
da fala anticensura, duas outras reações: 1) Obama confessou que
assessores twittam em seu nome, porque "meus polegares são desajeitados";
e 2) nas horas seguintes, entre os dez tópicos mais pesquisados no Google chinês, aparecia "o
que é Twitter?".
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