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Edição 1979 . 25 de outubro de 2006

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Patrimônio
Casa, carro, barco...

A construção de um patrimônio
sólido não precisa virar um pesadelo.
especialistas explicam como se tornar
proprietário com segurança


Por Helena Fruet

 

Fotos Pedro Rubens
A construção de um patrimônio sólido exige tempo e algum conhecimento das opções de financiamento disponíveis no mercado

EXCLUSIVO ON-LINE
Como encontrar uma casa no lugar desejado e como comprar um barco

Quem casa quer casa, carro, apartamento na praia, barco, sítio e tudo o mais que puder adquirir. Quem não casa também quer. E, depois de conquistar todos ou alguns desses itens, casados e solteiros querem mesmo é saber como administrar esse patrimônio com o mínimo de custos e o máximo de benefícios. Nesta reportagem, especialistas explicam as melhores estratégias para consolidar as posses da família e analisam as possibilidades para quem quer realizar sonhos sem trocá-los por algum pesadelo. Planejamento é a palavra-chave.

 

Um sonho sobre rodas

Se a principal preocupação de quem vai comprar um carro é o bolso, a compra à vista deve ser a primeira hipótese a considerar. Mas é preciso negociar um desconto compensador. "Ninguém deve deixar-se enganar pelo 'juro zero', que na verdade tem juros embutidos", lembra Joel Leite, consultor especializado em mercado de automóveis e diretor da Agência AutoInforme. Se a decisão é financiar uma parte do valor do carro, é bom saber que os melhores negócios são oferecidos pelas concessionárias das grandes montadoras. Eventualmente, também se encontram taxas acessíveis em bancos, o que exige pesquisa. Carros seminovos, com um ou dois anos de uso, são um bom negócio porque já passaram pelo período mais brusco de desvalorização. Mas são mais disputados. Quem sonha com um importado deve informar-se antes sobre quanto vai pagar de IPVA e seguro, gastos que pegam muita gente de surpresa. Por fim, a hora certa da venda é outra decisão difícil. Em geral, os primeiros compromissos mais caros com a manutenção começam a ocorrer por volta dos 50 000 quilômetros, momento em que o dono pode marcar um encontro com a calculadora e o caderno de ofertas dos jornais de domingo.

 

A hora certa de ter o seu lugar

O momento da compra do primeiro imóvel é delicado na vida de um casal: um erro pode comprometer as finanças por anos

Ter casa própria é uma aspiração tão grande dos brasileiros que aqueles que podem tratam de materializá-la quanto antes. Talvez até cedo demais. A faixa etária que a Caixa Econômica Federal mais atendeu em 2005 foi a de 26 a 35 anos, com 38,8% dos financiamentos. Nessa idade, quando se está iniciando a vida profissional, esse tipo de decisão envolve muito perigo. "A compra do primeiro imóvel é a maior armadilha financeira da vida das pessoas", avisa Gustavo Cerbasi, consultor financeiro e autor do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Editora Gente). Assume-se um compromisso de longo prazo quando ainda não se tem experiência suficiente. Muitos compram imóveis grandes demais, pensando nos filhos que virão, passando anos de aperto financeiro desnecessariamente.

Querer se livrar do aluguel e se sentir dono do espaço em que se vive é normal. Mas há quatro grandes perguntas a responder para que esse desejo não se torne um pesadelo: quando, o que, onde e como (ou seja, com que dinheiro) comprar. Normalmente, é a última dessas questões que determina se o negócio será bom ou ruim. Os especialistas ouvidos por VEJA acreditam que a situação ideal é aquela em que marido e mulher estão estabilizados no emprego e têm certeza de que aquela é a região da cidade em que eles – e os filhos – terão qualidade de vida pelos anos seguintes. Num mercado imobiliário com as características do brasileiro, assumir a posse de um imóvel significa cravar raízes num bairro, numa cidade, num estado – e mudar isso pode ser um transtorno.

A solução natural é pensar pequeno no curto prazo, deixando as grandes realizações para um futuro mais distante: comprar algo do tamanho exato de que o casal necessita (e pode pagar) ou mesmo começar pagando o aluguel de um espaço um tanto menor e ir juntando dinheiro para dar uma entrada mais consistente. Isso permite correções de rota, de emprego ou de local de residência, normais no início da vida adulta.

Um erro comum é assumir condições de financiamento que no primeiro momento são aceitáveis, mas se tornam impagáveis depois de algum tempo. Deve-se sempre ter em mente que, em financiamentos de longo prazo, os juros tendem a subir em uma velocidade superior à dos salários. Reunir uma poupança significativa – metade do valor do imóvel pretendido é um bom patamar, segundo os especialistas – ajuda a evitar prestações altas e a reduzir o prazo de quitação da dívida. Financiamentos longos resultam em um preço final muito superior ao original. E, caso seja preciso repassar o imóvel no meio do financiamento, é quase certo que se perderá um bom dinheiro. O prazo ideal, concluem os entendidos, é de cinco a oito anos.

ALUGAR OU COMPRAR?
O estigmatizado aluguel nem sempre é uma opção ruim antes da compra definitiva. Em primeiro lugar, porque pode ser uma espécie de test-drive imobiliário. Um exemplo é a hora de adquirir um apartamento maior. Pode valer a pena até vender o imóvel que se possui atualmente, alugar outro, menor, e aplicar o dinheiro da venda até reunir o suficiente para a nova compra. Basta que, somados, aluguel e condomínio não superem o que se gastava para manter a casa própria. Quando o futuro comprador não tem o suficiente para uma boa entrada em um imóvel, é preciso calcular se pagar aluguel e poupar sai mais barato que um financiamento. Nessa conta entra o FGTS, que sempre deve ser usado quanto antes. "O fundo não rende quase nada parado e estará mais bem aplicado assim", diz a especialista Lílian Gallagher, autora de Como Aumentar Seu Patrimônio (Campus/Elsevier).

 

Antes de comprar uma casa na praia, convém calcular se não vale mais a pena o aluguel por temporada

A HORA DO LUXO
Não por acaso se diz que uma segunda casa, no campo ou na praia, dá duas alegrias ao dono: uma no dia da compra e outra na hora da venda. Os inconvenientes não querem dizer que se deva fugir do sonho. Mas é precioso levar em conta o custo – e o transtorno – da brincadeira. Em relação à casa de veraneio, deve-se calcular se não vale mais a pena alugar imóveis por temporada ou adquirir pacotes de viagem. Comprar um barco, da mesma forma, implica custos anexos. Entre o barquinho a vela de 1 800 reais e o iate de 500 000 reais, há opções em torno de 50 000 reais, com custo mensal médio de 420 reais, segundo o consultor Nelson Ilha.

 

DECISÕES QUE FAZEM DIFERENÇA

1 Adie a compra do primeiro imóvel
A pressa em gastar a poupança compromete o futuro. Investir em si mesmo pode render mais

2 Compre menos do que deseja
O primeiro imóvel quase nunca é o definitivo. Antes de os filhos chegarem você terá novo endereço

3 Pagar aluguel pode ser vantajoso
Vender um imóvel, investir o dinheiro e alugar outro, menor, até comprar um novo é uma opção que pode funcionar

4 Na dúvida, esqueça a casa de praia
Ela em geral custa mais do que viajar para lugares diferentes a cada temporada de férias

5 Compre o carro à vista
Além de não pagar juros, ainda é possível exigir um desconto

 

 


 
 
 
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