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Patrimônio Casa,
carro, barco... A construção de um patrimônio
sólido não precisa virar um pesadelo. especialistas explicam como se tornar
proprietário com segurança  Por
Helena Fruet
Fotos
Pedro Rubens
 | | A
construção de um patrimônio sólido exige tempo e algum
conhecimento das opções de financiamento disponíveis no mercado
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Quem
casa quer casa, carro, apartamento na praia, barco, sítio e tudo o mais
que puder adquirir. Quem não casa também quer. E, depois de conquistar
todos ou alguns desses itens, casados e solteiros querem mesmo é saber
como administrar esse patrimônio com o mínimo de custos e o máximo
de benefícios. Nesta reportagem, especialistas explicam as melhores estratégias
para consolidar as posses da família e analisam as possibilidades para
quem quer realizar sonhos sem trocá-los por algum pesadelo. Planejamento
é a palavra-chave. Um
sonho sobre rodas Se a principal preocupação
de quem vai comprar um carro é o bolso, a compra à vista deve ser
a primeira hipótese a considerar. Mas é preciso negociar um desconto
compensador. "Ninguém deve deixar-se enganar pelo 'juro zero', que na verdade
tem juros embutidos", lembra Joel Leite, consultor especializado em mercado de
automóveis e diretor da Agência AutoInforme. Se a decisão
é financiar uma parte do valor do carro, é bom saber que os melhores
negócios são oferecidos pelas concessionárias das grandes
montadoras. Eventualmente, também se encontram taxas acessíveis
em bancos, o que exige pesquisa. Carros seminovos, com um ou dois anos de uso,
são um bom negócio porque já passaram pelo período
mais brusco de desvalorização. Mas são mais disputados. Quem
sonha com um importado deve informar-se antes sobre quanto vai pagar de IPVA e
seguro, gastos que pegam muita gente de surpresa. Por fim, a hora certa da venda
é outra decisão difícil. Em geral, os primeiros compromissos
mais caros com a manutenção começam a ocorrer por volta dos
50 000 quilômetros, momento em que o dono pode marcar um encontro com a
calculadora e o caderno de ofertas dos jornais de domingo.
A hora certa de ter o seu lugar
 | | O
momento da compra do primeiro imóvel é delicado na vida de um casal: um erro pode
comprometer as finanças por anos |
Ter casa própria é uma aspiração tão grande
dos brasileiros que aqueles que podem tratam de materializá-la quanto antes.
Talvez até cedo demais. A faixa etária que a Caixa Econômica
Federal mais atendeu em 2005 foi a de 26 a 35 anos, com 38,8% dos financiamentos.
Nessa idade, quando se está iniciando a vida profissional, esse tipo de
decisão envolve muito perigo. "A compra do primeiro imóvel é
a maior armadilha financeira da vida das pessoas", avisa Gustavo Cerbasi, consultor
financeiro e autor do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Editora
Gente). Assume-se um compromisso de longo prazo quando ainda não se tem
experiência suficiente. Muitos compram imóveis grandes demais, pensando
nos filhos que virão, passando anos de aperto financeiro desnecessariamente.
Querer se livrar do aluguel e se sentir
dono do espaço em que se vive é normal. Mas há quatro grandes
perguntas a responder para que esse desejo não se torne um pesadelo: quando,
o que, onde e como (ou seja, com que dinheiro) comprar. Normalmente, é
a última dessas questões que determina se o negócio será
bom ou ruim. Os especialistas ouvidos por VEJA acreditam que a situação
ideal é aquela em que marido e mulher estão estabilizados no emprego
e têm certeza de que aquela é a região da cidade em que eles
e os filhos terão qualidade de vida pelos anos seguintes.
Num mercado imobiliário com as características do brasileiro, assumir
a posse de um imóvel significa cravar raízes num bairro, numa cidade,
num estado e mudar isso pode ser um transtorno.
A solução natural é pensar pequeno no curto prazo, deixando
as grandes realizações para um futuro mais distante: comprar algo
do tamanho exato de que o casal necessita (e pode pagar) ou mesmo começar
pagando o aluguel de um espaço um tanto menor e ir juntando dinheiro para
dar uma entrada mais consistente. Isso permite correções de rota,
de emprego ou de local de residência, normais no início da vida adulta.
Um erro comum é assumir condições
de financiamento que no primeiro momento são aceitáveis, mas se
tornam impagáveis depois de algum tempo. Deve-se sempre ter em mente que,
em financiamentos de longo prazo, os juros tendem a subir em uma velocidade superior
à dos salários. Reunir uma poupança significativa
metade do valor do imóvel pretendido é um bom patamar, segundo os
especialistas ajuda a evitar prestações altas e a reduzir
o prazo de quitação da dívida. Financiamentos longos resultam
em um preço final muito superior ao original. E, caso seja preciso repassar
o imóvel no meio do financiamento, é quase certo que se perderá
um bom dinheiro. O prazo ideal, concluem os entendidos, é de cinco a oito
anos. ALUGAR OU COMPRAR? O
estigmatizado aluguel nem sempre é uma opção ruim antes da
compra definitiva. Em primeiro lugar, porque pode ser uma espécie de test-drive
imobiliário. Um exemplo é a hora de adquirir um apartamento maior.
Pode valer a pena até vender o imóvel que se possui atualmente,
alugar outro, menor, e aplicar o dinheiro da venda até reunir o suficiente
para a nova compra. Basta que, somados, aluguel e condomínio não
superem o que se gastava para manter a casa própria. Quando o futuro comprador
não tem o suficiente para uma boa entrada em um imóvel, é
preciso calcular se pagar aluguel e poupar sai mais barato que um financiamento.
Nessa conta entra o FGTS, que sempre deve ser usado quanto antes. "O fundo não
rende quase nada parado e estará mais bem aplicado assim", diz a especialista
Lílian Gallagher, autora de Como Aumentar Seu Patrimônio (Campus/Elsevier).
 | | Antes
de comprar uma casa na praia, convém calcular se não vale mais a
pena o aluguel por temporada |
A HORA DO LUXO Não
por acaso se diz que uma segunda casa, no campo ou na praia, dá duas alegrias
ao dono: uma no dia da compra e outra na hora da venda. Os inconvenientes não
querem dizer que se deva fugir do sonho. Mas é precioso levar em conta
o custo e o transtorno da brincadeira. Em relação
à casa de veraneio, deve-se calcular se não vale mais a pena alugar
imóveis por temporada ou adquirir pacotes de viagem. Comprar um barco,
da mesma forma, implica custos anexos. Entre o barquinho a vela de 1 800 reais
e o iate de 500 000 reais, há opções em torno de 50 000 reais,
com custo mensal médio de 420 reais, segundo o consultor Nelson Ilha.
DECISÕES QUE FAZEM DIFERENÇA
1 Adie a compra do primeiro imóvel
A pressa em gastar a poupança compromete o futuro. Investir em
si mesmo pode render mais 2 Compre
menos do que deseja O primeiro imóvel quase nunca é o definitivo.
Antes de os filhos chegarem você terá novo endereço
3 Pagar aluguel pode ser vantajoso Vender
um imóvel, investir o dinheiro e alugar outro, menor, até comprar
um novo é uma opção que pode funcionar
4 Na dúvida, esqueça a casa de praia
Ela em geral custa mais do que viajar para lugares diferentes a cada temporada
de férias 5 Compre
o carro à vista Além de não pagar juros, ainda é
possível exigir um desconto | | |