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Esporte
Trapaças até no xadrez
Uso de computador acaba com o
mito do jogo puramente cerebral

Thomaz Favaro
Mergen Bembinov/AP
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| Kramnik e Topalov: idas suspeitas ao banheiro
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Trapaças no futebol e na maioria dos esportes não
surpreendem ninguém mas quem esperaria fraudes no
xadrez? O jogo não depende de um juiz para validar os lances
decisivos nem faz sentido submeter um grande mestre ao teste antidoping.
Com sua característica única de ser um confronto mental,
parecia imune à roubalheira mas não é.
Nos torneios de xadrez tornou-se corriqueiro surpreender jogadores
usando telefone celular ou outro tipo de aparelho de comunicação
sem fio para receber instruções sobre os melhores
lances, quase sempre recomendadas por programas de computador. Há
duas semanas, uma denúncia de fraude quase levou à
suspensão do Campeonato Mundial de Xadrez, na Rússia.
O empresário do húngaro Veselin Topalov, primeiro
no ranking da Federação Internacional de Xadrez, reclamou
que o russo Vladimir Kramnik, campeão no mundial de xadrez
clássico, estava trapaceando na série de doze jogos
entre os dois. A suspeita era que Kramnik estava usando as suas
idas ao banheiro uma média de cinqüenta por partida
para receber instruções. O banheiro era o único
local da competição não vigiado por câmeras.
Depois de os organizadores limitarem o uso do toalete, Kramnik irritou-se
e não compareceu à partida seguinte, dando a liderança
ao húngaro. No final da série, Topalov perdeu o título
devido aos próprios erros. Não se sabe se Kramnik
de fato roubou.
Em campeonatos menos importantes,
as suspeitas de fraude tornaram-se comuns. No World Open, disputado
nos Estados Unidos, um jogador americano chamado Steven Rosenberg
foi pego com um receptor sem fio na orelha e expulso do torneio.
Outro participante, o americano Eugene Varshavsky, um dos últimos
colocados em sua categoria, despertou suspeita por derrotar em seqüência
dois grandes mestres. Uma análise de suas últimas
25 jogadas mostrou que eram idênticas às recomendadas
pelo programa de computador Shredder, um dos mais avançados
para xadrez. Não havia como provar, mas Varshavsky foi vigiado
de perto até o fim do campeonato e não conseguiu mais
nenhuma vitória.
No passado, uma das poucas maneiras
de trapacear no xadrez era pedir ajuda a jogadores mais experientes,
por meio de sinais e códigos secretos. Em disputas de alto
nível, como entre Topalov e Kramnik, esse tipo de recurso
era de pouca serventia pelo mesmo motivo por que ainda hoje é
difícil trapacear com computadores em partidas entre campeões.
"A maioria dos programas faz jogadas tolas comparadas com as dos
grandes mestres, e seria preciso recorrer a supercomputadores para
ter alguma vantagem", disse a VEJA o americano Bradley Kuszmaul,
do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), criador de programas
que jogam xadrez.
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