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Edição 1979 . 25 de outubro de 2006

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Esporte
Trapaças até no xadrez

Uso de computador acaba com o
mito do jogo puramente cerebral


Thomaz Favaro


Mergen Bembinov/AP
Kramnik e Topalov: idas suspeitas ao banheiro


Trapaças no futebol e na maioria dos esportes não surpreendem ninguém – mas quem esperaria fraudes no xadrez? O jogo não depende de um juiz para validar os lances decisivos nem faz sentido submeter um grande mestre ao teste antidoping. Com sua característica única de ser um confronto mental, parecia imune à roubalheira – mas não é. Nos torneios de xadrez tornou-se corriqueiro surpreender jogadores usando telefone celular ou outro tipo de aparelho de comunicação sem fio para receber instruções sobre os melhores lances, quase sempre recomendadas por programas de computador. Há duas semanas, uma denúncia de fraude quase levou à suspensão do Campeonato Mundial de Xadrez, na Rússia. O empresário do húngaro Veselin Topalov, primeiro no ranking da Federação Internacional de Xadrez, reclamou que o russo Vladimir Kramnik, campeão no mundial de xadrez clássico, estava trapaceando na série de doze jogos entre os dois. A suspeita era que Kramnik estava usando as suas idas ao banheiro – uma média de cinqüenta por partida – para receber instruções. O banheiro era o único local da competição não vigiado por câmeras. Depois de os organizadores limitarem o uso do toalete, Kramnik irritou-se e não compareceu à partida seguinte, dando a liderança ao húngaro. No final da série, Topalov perdeu o título devido aos próprios erros. Não se sabe se Kramnik de fato roubou.

Em campeonatos menos importantes, as suspeitas de fraude tornaram-se comuns. No World Open, disputado nos Estados Unidos, um jogador americano chamado Steven Rosenberg foi pego com um receptor sem fio na orelha e expulso do torneio. Outro participante, o americano Eugene Varshavsky, um dos últimos colocados em sua categoria, despertou suspeita por derrotar em seqüência dois grandes mestres. Uma análise de suas últimas 25 jogadas mostrou que eram idênticas às recomendadas pelo programa de computador Shredder, um dos mais avançados para xadrez. Não havia como provar, mas Varshavsky foi vigiado de perto até o fim do campeonato e não conseguiu mais nenhuma vitória.

No passado, uma das poucas maneiras de trapacear no xadrez era pedir ajuda a jogadores mais experientes, por meio de sinais e códigos secretos. Em disputas de alto nível, como entre Topalov e Kramnik, esse tipo de recurso era de pouca serventia pelo mesmo motivo por que ainda hoje é difícil trapacear com computadores em partidas entre campeões. "A maioria dos programas faz jogadas tolas comparadas com as dos grandes mestres, e seria preciso recorrer a supercomputadores para ter alguma vantagem", disse a VEJA o americano Bradley Kuszmaul, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), criador de programas que jogam xadrez.

 

 

 
 
 
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