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Brasil
Os coronéis de Lula
Os petistas tomam o lugar dos velhos
caciques nordestinos do PFL e do PMDB

Otávio Cabral
Alexandre Belém/JC Imagem/AC
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Eduardo Martins/Ag. A Tarde/AE
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| Eduardo Campos, em Pernambuco
(tocando bumbo), e Jaques Wagner, na Bahia, são estrelas
dos "novos tempos" da política nordestina |
O PT e seus aliados de esquerda
sempre amargaram um medíocre desempenho eleitoral no Nordeste.
Em 2002, mesmo com Lula vencendo a eleição para presidente
da República, o fiasco na região só não
foi total graças à vitória de Wellington Dias
para o governo do Piauí. Desde a proclamação
da República, o poder na região é exercido
pelos chamados coronéis pessoas com dinheiro e influência
que sempre conduziram o processo político de acordo com suas
conveniências. Essa antiga máquina de produzir votos,
que nas últimas três décadas esteve a serviço
de partidos como PFL e PMDB, está mudando de cara. Dos cinco
governadores nordestinos eleitos no primeiro turno, três são
petistas: Jaques Wagner, da Bahia, Wellington Dias, do Piauí,
e Marcelo Déda, de Sergipe. O governador eleito do Ceará,
Cid Gomes, irmão do ex-ministro Ciro Gomes, é do PSB
e tem um petista como vice. Em dois dos quatro estados onde haverá
segundo turno, os candidatos apoiados pelo PT estão liderando
as pesquisas: Eduardo Campos, em Pernambuco, e Wilma de Faria, no
Rio Grande do Norte, ambos do PSB. Pela primeira vez na história,
o PT e seus aliados tiveram mais votos no Nordeste do que os caciques
tradicionais. Esses resultados poderiam ser comemorados como a correção
de um vergonhoso defeito da democracia brasileira o da compra
de votos. Infelizmente, não é bem assim.
A ascensão dos petistas
nordestinos ao poder, ao contrário do que se imagina, não
representa o fim do caciquismo político ou do voto de cabresto.
Saíram de cena os velhos coronéis de revólver
na cintura para dar lugar a uma liderança na aparência
mais moderna, mas nem por isso menos perniciosa. "A vitória
dos aliados de Lula no Nordeste é a vitória do coronelismo
da era digital. O cartão do Bolsa Família é
a institucionalização da compra de votos", diz o deputado
José Carlos Aleluia, do PFL baiano. O poder dos antigos coronéis
era lastreado em uma relação de troca. Os eleitores
lhes confiavam o voto e, em contrapartida, ganhavam algum benefício,
numa relação que combinava favor e coerção.
"O Bolsa Família e o Luz para Todos deram discurso aos aliados
de Lula. Mostraram que o governo deles é melhor que o dos
tucanos. Acabou o medo do PT no Nordeste. O medo agora é
de ficar sem os benefícios do governo", afirma o deputado
Geddel Vieira Lima, do PMDB baiano, ex-aliado dos tucanos e agora
lulista de carteirinha. É desse medo que os velhos coronéis
se nutriram durante décadas.
O cientista político Michel
Zaidan, professor da Universidade Federal de Pernambuco, vê
uma ligeira semelhança entre os métodos dos velhos
coronéis e as táticas eleitorais dos petistas, mas,
segundo ele, não se pode falar em simples substituição
de papéis. "Há uma nova geração de políticos
do Nordeste, que tem dado mostras de saber administrar bem, que
vem substituindo a geração antiga. Essa geração
tem uma mentalidade diferente, não é concentradora
nem autoritária. Em colégios eleitorais grandes, principalmente
nas capitais, esse perfil faz diferença", afirma. É
uma visão bastante otimista. Em Pernambuco, o candidato Eduardo
Campos, favorito absoluto nas pesquisas, é exemplo de quão
tênue é essa separação entre o novo e
o velho. Neto de Miguel Arraes, ele divide o palanque com o deputado
Inocêncio Oliveira e o mensaleiro Severino Cavalcanti, entre
outros expoentes do coronelismo.
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