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Carta ao leitor
O estatal e o público
Celso Junior/AE
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| Alckmin com a jaqueta estatal |
Uma reportagem desta edição de VEJA mostra que se
perdeu na disputa eleitoral uma oportunidade de ouro de aclarar
a questão da presença do Estado na economia, em especial
a privatização das empresas estatais. Lula, o candidato-presidente,
tratou a venda dessas empresas como um crime. Seu desafiante, Geraldo
Alckmin, caiu na armadilha, encapsulando-se na defensiva. Duplo
erro. Ao lado do tiro mortal que desferiu contra a inflação,
a venda de empresas estatais foi um dos feitos mais positivos do
governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Alckmin chegou a vestir uma jaqueta
com logotipos de estatais brasileiras como prova de que não
as venderá caso seja eleito no próximo dia 29. Ele
teria sido mais coerente se tivesse se livrado daquela camisa-de-força
e se apresentado como um orgulhoso continuador do trabalho do presidente
que privatizou a Telebrás, a Vale do Rio Doce e mais de uma
dezena de bancos estatais perdulários e corrompidos.
Cada caso é um caso, mas
em princípio o povo só tem a lucrar quando uma estatal
é vendida em leilão. Privatizar não é
queimar patrimônio do povo. Ao contrário, ao vender
uma estatal, o governante está tirando-a das mãos
de grupos políticos eventuais detentores do poder e passando-a
a dezenas ou centenas de milhares de investidores interessados na
compra de suas ações. Em outras palavras, a estatal
vendida dessa maneira torna-se, enfim, uma empresa verdadeiramente
pública. Sob esse ângulo, é bom lembrar que,
embora o governo mantenha o controle de ambos, a Petrobras e o Banco
do Brasil já são empresas com boa parte de seu capital
em mãos do público. No caso da Petrobras, o governo
detém apenas 35% das ações.
As vantagens da privatização
são indiscutíveis. As empresas que escapam do controle
estatal se tornam mais eficientes, lucrativas, inovadoras e socialmente
mais úteis além de pararem de funcionar como
um ralo pelo qual escoa o dinheiro para a corrupção.
A demonização das privatizações se deve
em parte à convicção de alguns de que os eventuais
desvios de conduta ocorridos nos leilões de venda superam
os benefícios do processo. Deve-se também à
má-fé dos que sonham com as facilidades proporcionadas
pelos negócios tocados com dinheiro dos contribuintes e com
pouca ou nenhuma fiscalização pela sociedade.
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