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André
Petry
O cheque em branco
"Alckmin, sem o dossiê ou uma provocação
terrorista do PT, parece incapaz de alçar-se
acima de dolorosas platitudes"
A melhor coisa que aconteceu na
campanha de Geraldo Alckmin foi o escândalo do dossiê
e não porque o catapultou para a disputa no segundo
turno, ao refrescar a memória do eleitorado sobre o alcance
do banditismo petista, mas simplesmente porque lhe deu um assunto.
Examinando-se sua campanha no segundo turno, percebe-se que, quando
o dossiê sai do foco central do noticiário, Alckmin
precisa que o próprio PT se encarregue de colocar alguma
coisa no lugar as mentiras sobre privatização,
a falsa divisão entre ricos e pobres, o que for. Se isso
não acontece, Alckmin parece ficar desorientado quanto ao
que dizer. Parece que tudo o que lhe ocorre é pedir ao eleitorado
um cheque em branco para os próximos quatro anos, pois não
diz nada que seja esclarecedor e não deixa os outros
dizerem. Alckmin, sem o dossiê ou uma provocação
terrorista do PT, parece incapaz de alçar-se acima de dolorosas
platitudes. Coisas assim:
Em entrevista ao jornal Folha
de S.Paulo, Alckmin disse que "o Brasil pode ir melhor, pode
ir mais rápido, pode avançar mais". Também
disse que, se eleito, vai "fazer um bom mandato de quatro anos"
e que vai "trabalhar para melhorar a vida do povo". No debate no
SBT, fez o seguinte raciocínio: "O Brasil está com
a receita errada. Nós vamos trabalhar para pôr a receita
certa. O governo não pode ser caro, pesado, mas tem de ter
ativismo econômico. Estabilidade não é plano
econômico. Plano econômico é crescimento. O Brasil
pode mais e merece mais". Entendeu agora como seria um governo Alckmin?
Dias antes, em seu programa eleitoral, o tucano disse que "o novo
presidente tem de ter a coragem de mudar o que está errado,
tem de ter capacidade para atrair investimento para cá, trazer
os empregos aqui para o nosso país. É assim que eu
vou agir como presidente". Entendeu agora?
Na quarta-feira, a jornalista
Míriam Leitão, do jornal O Globo, escreveu
em sua coluna um comentário sobre a entrevista que fizera
com Alckmin no dia anterior. Ela conta que, diante das críticas
do tucano à política macroeconômica, perguntou
o que ele faria diferente. Alckmin respondeu que faria uma política
de "câmbio flutuante administrado". A jornalista escreveu:
"Quis saber o que era isso e ele disse que é como o atual;
que, quando fala em 'administração do câmbio',
está falando em compra de reservas, como é feito atualmente".
Entendeu agora? No seu programa eleitoral de quinta-feira, Alckmin
abriu dizendo que "o que interessa é o futuro, emprego, Bolsa
Família mais forte, oportunidade para a moça, para
o moço poder arrumar emprego e ser feliz na vida. Enfim,
esse clima de otimismo, de investimento, o Brasil indo para a frente,
o governo dando o exemplo, suando a camisa".
Segundo as últimas pesquisas,
Alckmin está conseguindo realizar uma proeza: seu balaio
de votos no segundo turno está menor do que no primeiro.
Informam as pesquisas que 3,6 milhões dos seus eleitores
em 1º de outubro estão pensando em votar em Lula em
29 de outubro. Repetindo: 3,6 milhões de eleitores. Para
promover essa sangria, é preciso algum empenho.
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