O senador de 30 milhões
Nos
últimos 34 anos, Jader Barbalho só não
ocupou cargos públicos durante onze
meses.
Mas, apesar da labuta na política, conseguiu
erguer uma fortuna surpreendente
Alexandre
Oltramari
Veja
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Existem
dois Jader Barbalho. O mais conhecido é o Jader Barbalho
político: senador pelo Pará, influente em Brasília,
presidente do maior partido do país, o PMDB. O outro, mais
obscuro, é o Jader Barbalho empresário, dono de prédios
comerciais, fazendas, gado, terrenos, rádios, jornal, televisão,
avião. O político é íntimo dos números:
lembra-se da quantidade de votos que recebeu nas eleições
mais longínquas, da data em que se elegeu para este ou aquele
mandato. Já o empresário é uma lástima
com números: não sabe quanto custou sua televisão,
não lembra quanto pagou por esta ou aquela fazenda. É
compreensível que o político seja minucioso com os
números de sua carreira, pois Jader Barbalho certamente se
empenhou para ser um político de tanto sucesso: já
exerceu quatro mandatos parlamentares, foi governador duas vezes,
ministro outras duas e hoje é senador.
O
que chama a atenção é que seja tão desmemoriado
com os números de sua vida empresarial, pois Jader Barbalho
deveria ter sido um esmerado empreendedor, um incansável
negociante, para ter tanto dinheiro: seu patrimônio atual
chega a 29,7 milhões de reais o que equivale a 16,5
milhões de dólares, dinheiro com o qual se vive como
milionário em qualquer lugar do planeta. Na quinta-feira
passada, o senador recebeu VEJA em seu gabinete no Congresso para
uma conversa de duas horas sobre seu patrimônio. Nas duas
horas, não mencionou um único valor: não sabe
ou não lembra. Não sabe ou não lembra nem seu
patrimônio global. "É o que está na declaração
de renda que entreguei à Receita", diz o senador. Mas quanto
é? "É o que está lá", repete. Na última
declaração de renda do senador, à qual VEJA
teve acesso, seu patrimônio está cotado em 2,6 milhões
de reais. É isso mesmo? "Deve ser. É o que está
lá", diz ele.
É
um valor baixíssimo porque seus bens estão listados
pelos valores históricos que são muito inferiores
aos valores reais. Atualizado, seu patrimônio pula para 29,7
milhões de reais. No mínimo. E se diz "no mínimo"
por duas razões. Primeiro, porque VEJA atualizou os valores
apenas dos bens que encontrou. Aqueles que não foram achados
acabaram contabilizados pelo valor histórico é
o caso de uma empresa em Goiás, que não foi localizada,
e entrou no cálculo de seu patrimônio de 1990 pelo
equivalente a apenas 9 centavos de real. A segunda razão
é que não se sabe o patrimônio verdadeiro das
empresas do senador. Exemplo: na sua declaração de
pessoa física, Jader informa que é dono da Fazenda
Rio Branco, a 100 quilômetros de Belém. Acontece que
a Fazenda Rio Branco, registrada como empresa, tem outras duas fazendas
(que não estão na declaração de Jader)
e também um avião King Air, prefixo PT-OZP, contratado
por leasing com o Banco Safra (que também não aparece
na declaração de Jader).
É
uma pena que as declarações do senador não
registrem os valores reais de seus bens o que, diga-se, não
é nenhuma ilegalidade. Mas é pena porque, sendo assim,
os auditores da Receita Federal não têm a chance de
conhecer o esforço monumental do senador para entrar na seleta
galeria dos ricos. Em 1974, Jader Barbalho tinha um patrimônio
modestíssimo. Resumia-se a uma casa, um punhado de jóias
e um automóvel. Tudo, somado, chegava, em valores atuais,
a 61.200 reais. De lá para cá, porém, o pé-de-meia
transformou-se numa fortuna. Até 1995, ano em que se separou
da mulher, Elcione, e dividiu os bens com ela e os dois filhos,
Jader e Helder, o patrimônio do senador cresceu nada menos
que 60.000%. Algumas etapas do galope de seu enriquecimento:
Entre 1974 e 1982, Jader Barbalho exerceu dois mandatos de deputado
federal. Em valores atualizados, ganhava 8.600 reais por mês.
Mas seu patrimônio cresceu a um ritmo de 17.000 reais por
mês, o que corresponde ao dobro de seu salário.
Entre 1982 e 1990, ele foi governador do Pará e ministro.
Ganhou, nesses oito anos, 8.100 reais mensais. Sua fortuna galgava
170.000 reais mensais dez vezes mais do que nos oito anos
anteriores.
Entre 1991 e 1995, o senador ganhou 8.600 reais por mês como
governador do Pará. Nessa época, seu patrimônio
disparava num ritmo de 412.000 reais ao mês o equivalente
a 48 vezes o salário que recebia.
Considerando-se tudo o que conseguiu de 1974 até 1995, quando
seu patrimônio chegou ao auge, avaliado em 37,8 milhões
de reais, o senador precisou poupar, ao longo de 21 anos, 150.000
reais por mês.
Vizinhos do pipoqueiro Um dos nove filhos de um ex-funcionário
público e de uma dona-de-casa, Jader Barbalho teve uma infância
difícil em Belém. Chegou a receber ajuda de colegas
de escola para pagar despesas como a passagem do ônibus. No
final da adolescência, iniciou sua carreira política
como líder estudantil. Militou na Juventude Estudantil Católica
e comandou passeatas pelas ruas de e;m. Em 1966, aos 22
anos, elegeu-se vereador. Em 1970, virou deputado estadual. Em 1974,
deputado federal. Nessa época, ele e a mulher moravam numa
casinha de dois quartos, de 55 metros quadrados, na Vila Marlene,
em Belém. "Eles eram ótimos vizinhos, pessoas muito
simples", lembra Pedro Augusto Rodrigues, 68 anos, que mora em frente
à primeira casa de Jader e até hoje ganha a vida vendendo
pipoca. "O primeiro filho deles, o Jaderzinho, nasceu aqui", diz
o bancário José Raimundo Macedo, 52 anos, que, há
um ano, comprou por 51.000 reais a casinha da Vila Marlene onde
Jader e a ex-mulher moraram.
Ricardo Benichio
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| A
casa em que Jader vivia quando se
elegeu deputado federal pela primeira vez: 55 metros quadrados
no subúrbio de Belém |
Hoje, aos 56 anos, a vida de Jader não lembra em nada esse
passado remoto. Em Brasília, onde costuma ficar de terça
a quinta-feira, mora na mansão em que residia o ex-banqueiro
José Eduardo Andrade Vieira, uma confortável casa
no Lago Sul, bairro nobre da capital, que o senador declara alugar
por 3.000 reais, embora no mercado o aluguel não saia por
menos de 5.000. Em Fortaleza, descansa à beira-mar numa casa
na Praia do Cumbuco, um paraíso a trinta minutos de carro
da capital cearense. A casa, de dois andares e piscina, está
registrada em nome de sua atual mulher, Márcia Cristina,
que afirma tê-la comprado por 130.000 reais em 1994
e hoje, pelo preço de mercado, vale algo em torno de 400.000
reais. Em Belém do Pará, Jader costuma visitar a fazenda
Rio Branco, que tem uma casa muito espaçosa e confortável,
cravada no coração da Amazônia. Costuma chegar
ali a bordo de um de seus dois aviões. Além do King
Air, o senador tem um Baron, pequeno monomotor que usa para distâncias
mais curtas. Só para utilizar os aeroportos do país
com seu King Air, o senador paga uma taxa mensal de 3.500 reais
quase metade de seu salário de senador. A hora voada
do King Air custa cerca de 3.000 reais. Nas raras vezes em que usa
esse avião para deslocar-se de Belém para Brasília,
torra integralmente o salário que recebe do Senado.
É
possível que alguém, com origem tão modesta,
enriqueça assim, aos borbotões? Sim, é possível.
"Há seis caminhos", explica o professor Claudio Felisoni
de Angelo, da Faculdade de Economia e Administração
da Universidade de São Paulo (USP), consultado por VEJA para
falar em tese sobre a questão. Em teoria, segundo o professor,
os caminhos para enriquecer assim, estufando, são os seguintes:
receber uma herança, casar-se com uma pessoa rica, acertar
na loteria, ser dono de um imóvel urbano que sofra uma tremenda
valorização ou, ainda, descobrir uma nova forma de
fazer uma coisa velha, como o e-mail, que substituiu a carta. O
professor Felisoni de Angelo afirma que também é possível
enriquecer trabalhando duro. Mas, nesse caso, ressalva ele, é
preciso que se tenha uma dedicação completa e se atue
num ramo excepcionalmente próspero e promissor.
André Penner
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| Jader,
em uma foto antiga, reunido com eminências do PMDB: os
adversários costumam acusar o senador de ser o "Quércia
do Pará" |
Jader Barbalho é um caso de estudo: não ganhou herança,
não deu golpe do baú, não acertou na loteria,
nunca teve imóvel urbano estratégico nem é
autor de invenção revolucionária alguma. Certamente,
o senador trabalhou duro, mas não consta que a política
seja um "ramo" próspero e promissor. Nos últimos 34
anos, ele só não exerceu cargo público durante
onze meses. Em 1987 ficou cinco meses à deriva, até
que foi convidado para ser ministro de José Sarney. Depois,
em 1990, teve outra rápida interrupção. Ficou
mais seis meses sem mandato, mas empenhado em sua vitoriosa campanha
para o governo do Pará. Nos outros 33 anos, Jader foi político
com cargo. Sua dedicação às empresas e às
fazendas é quase próxima de zero. Pergunta: Quantos
funcionários o senador tem? Resposta: "Não sei dizer".
Pergunta: Mas é coisa de cinqüenta ou 5.000? Resposta:
"Certamente são mais de cinqüenta, mas quem me dera
dar emprego a 5.000". Pergunta: E sua emissora de TV tem repetidoras
em quantos municípios do Pará? Resposta: "Ah, não
tenho idéia".
Receita de sucesso Tendo passado quase a vida toda
em embates políticos e campanhas eleitorais, qual a receita
de Jader Barbalho para se empenhar em encher as urnas de votos e,
quase sem dedicação, acabar enchendo os bolsos de
dinheiro? "Não sou consultor de empresas para dar receita
de sucesso", diz. O caso mais notório de político
em tempo integral que conseguiu amealhar uma fortuna tendo começado
sua vida com um patrimônio insignificante é o do ex-governador
de São Paulo Orestes Quércia, também do PMDB.
É por essa impressionante simetria no partido, na
origem, no sucesso que Jader Barbalho é chamado por
seus inimigos de "Quércia do Pará". Como Quércia,
ele também não tem uma receita de sucesso empresarial,
um modelo palpável e sólido de ficar rico que possa
oferecer ao deleite do público.
"Exerci a advocacia por dois anos. Venci uma causa importante e,
com o dinheiro, comprei minha primeira fazenda", conta o senador.
Ele não lembra quem era o cliente, qual era a causa exatamente
nem quanto ganhou. Sua especialidade como advogado? "Ah, eu era
clínico geral, não tinha especialidade." Com a primeira
fazenda, o senador diz que tomou um empréstimo no Banco do
Brasil e plantou 460 hectares de seringueira. Foi um empreendimento,
diz ele, bem-sucedido. Sua atividade agrícola, porém,
terminou aí. Mais tarde, em outra fazenda, plantou 250 hectares
de cacau, também com financiamento do Banco do Brasil, mas
o projeto foi para o brejo devido a uma seca braba. "Hoje, só
planto para subsistência, para consumo nas próprias
fazendas. A base de meu trabalho é a pecuária." Quanto
a cabeças de gado? O senador tem uma resposta "umas
8.000" , embora imprecisa: são 9.314 cabeças.
E parece ter sido assim, entre um financiamento e outro no Banco
do Brasil, uma causa e outra de advogado diletante, um boi aqui,
outro boi ali, que o senador teria conseguido chegar ao primeiro,
terceiro, décimo milhão de reais.
Diferença brutal O senador Jader Barbalho poderia
falar abertamente de sua riqueza, até com o orgulho de ter
construído uma fortuna tão vistosa. Mas não.
Jader Barbalho não gosta do assunto e acha que tudo não
passa de manobras do adversário da hora, o senador Antonio
Carlos Magalhães, do PFL da Bahia, com quem disputa
com xingamentos mútuos de quinta categoria a sucessão
na presidência do Senado. Há duas semanas, Jader Barbalho
soube que VEJA fazia uma reportagem sobre a verdadeira dimensão
de sua fortuna. Disse a amigos que ACM havia "encomendado" matéria
sobre seu patrimônio, uma maneira de tentar, por antecipação,
desmoralizar qualquer reportagem. Na semana passada, ao receber
VEJA, o senador repetiu a insinuação. Estranhou que
a revista estivesse preocupada com seu patrimônio só
porque concorre à presidência do Senado. "Não
me lembro de terem feito reportagem sobre o patrimônio de
ACM quando ele concorreu ao Senado. Aliás, ACM tem um patrimônio
muito maior que o meu", diz o senador.
Paulo Amorim
 |
| Festa
na posse como governador do Pará: ocupou o cargo duas vezes,
mas perdeu a disputa em 1998 |
Curioso é que, quando o senador baiano concorreu ao Senado,
nem o próprio Jader Barbalho questionou seu patrimônio.
Ao contrário: era uma época em que os dois trocavam
mesuras e abraços em plenário. Agora, com sua fortuna
sob questionamento público, Jader Barbalho ganhou uma chance
de ouro para enterrar insinuações de que seus bens
têm origem ilícita. Mas o senador não parece
disposto a fazer amplos esclarecimentos. "Meu patrimônio é
compatível com minha renda", diz. "E nunca, em momento algum,
sofri questionamento da Receita Federal." VEJA teve acesso a quatro
das últimas cinco declarações de imposto de
renda do senador. Os documentos foram submetidos, na íntegra,
à análise de dois especialistas e outros quatro
tributaristas foram consultados sobre um ou outro aspecto das declarações.
Nenhum encontrou erros grosseiros, mas todos se espantaram com a
brutal diferença entre o patrimônio declarado por valores
históricos (2,6 milhões) e o patrimônio em valores
atualizados (29,7 milhões).
A diferença é comum nas declarações
de qualquer contribuinte. Isso porque um imóvel declarado
por 50.000 reais há três ou quatro anos sofreu a ação
corrosiva da inflação do período. Assim, seu
valor nominal não é mais de 50.000 reais. É
um pouco mais. Os especialistas em tributos informam que a defasagem
de preço de 1996 para cá é de, em média,
55%. O que chama a atenção nas declarações
de Jader Barbalho é que essa diferença é de
mais de 1.000%. Isso sugere que o senador nunca corrigiu o valor
de seus bens, nem nas oportunidades em que o governo autorizou.
"As pessoas inteligentes atualizaram o valor de suas propriedades
sempre que o governo permitiu porque isso faz reduzir o imposto
a pagar quando o bem é vendido", explica o tributarista e
ex-secretário da Receita Federal Osires Lopes Filho. São
duas as razões que levam alguém a não rever
o valor de seu patrimônio: ou receio de que o Congresso aprove
um imposto sobre grandes fortunas, ou desejo de esconder o tamanho
verdadeiro de uma riqueza incompatível com a renda. Parlamentar
experiente, Jader Barbalho sempre soube que as chances de aprovação
desse imposto, se já eram remotas no passado, hoje são
praticamente nulas.
Em suas declarações, Jader Barbalho mantém
tudo o que tem a preço velho. Uma de suas rádios FM,
líder de audiência em Belém, está cotada
em seu imposto de renda por menos de 1.500 reais. Outra aparece
por 7 000. Tem terreno na praia por 2.700 reais e na cidade por
menos de 500 reais. Sua principal fazenda, a Rio Branco, aquela
que fica a 100 quilômetros de Belém, aparece por menos
de 400.000 reais. E a fazenda, cujo valor real gira em torno de
6 milhões de reais, é um show: tem 6.000 hectares,
uma casa de três andares, 1.400 metros quadrados, com nove
suítes, três quadras de esporte e pista de pouso para
jatinho. Mas, afinal, por que o senador não atualizou seu
patrimônio? "Não sou eu que faço minhas declarações...
Estou aqui tendo uma aula de direito tributário... Quero
deixar claro que meu patrimônio está todo declarado,
é compatível com minha renda e nunca fui questionado."
Até agora, sabe-se que o empresário Jader Barbalho
possui fazendas e empresas de comunicação. Não
se tem notícia de que esteja interessado em ampliar seus
negócios. Os registros da Junta Comercial de Belém
mostram que seus dois filhos e sua atual mulher, Márcia Cristina,
dão sinais de ter bastante interesse na área de telefonia.
Jader Filho e Helder já foram sócios da atual esposa
do senador numa tal Telecom Telecomunicações e Serviços.
O mesmo trio também partilhou a propriedade da Itelcom Telecomunicações.
Jader Filho e a madrasta, desta vez sem a participação
de Helder, foram sócios da Infortel Telecomunicações.
E os dois irmãos, neste caso sem a madrasta, também
foram donos da Alô Belém Multimídia. Os filhos
formam uma dupla precocemente promissora. Jader Filho tem 24 anos.
Helder tem apenas 21 e, seguindo a carreira do pai, acaba de eleger-se
vereador em Ananindeua, cidade nas franjas de Belém. Se Jader
Barbalho transmitir à descendência sua habilidade para
conciliar sucesso na política com sucesso nos negócios,
pode apostar: está nascendo aí um império na
área de telefonia.
| Os
critérios para avaliar a fortuna
Fotos Ricardo Benichio
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| A
sede da fazenda Rio Branco, no Pará: luxo no coração da
Amazônia |
O
jornal Diário do Pará: comprado pelo
senador em 1982, hoje é o segundo maior do Estado
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Para
calcular o patrimônio visível de Jader Barbalho,
VEJA utilizou dados oficiais. São declarações
de bens entregues por ele à Justiça Eleitoral
em quatro das sete eleições que disputou e duas
centenas de registros em cartórios de imóveis
em três cidades do Pará e na junta comercial,
em Belém. VEJA também obteve quatro das últimas
cinco declarações de imposto de renda entregues
pelo senador à Receita Federal. Considerou-se patrimônio
visível apenas as propriedades oficialmente registradas
em nome de Jader Barbalho ou de suas empresas. Há seis
meses, o senador informou à Receita Federal que seus
bens, somados, valiam 2,6 milhões de reais. Como a
declaração não mostra a verdadeira dimensão
de sua fortuna, pois apresenta o valor histórico dos
bens e não o de mercado, VEJA consultou dezenove pessoas,
entre corretores de imóveis, perito da Caixa Econômica
Federal, técnicos do departamento de crédito
rural do Banco do Brasil e da Associação Brasileira
das Emissoras de Rádio e Televisão, fazendeiros
e empresários. A avaliação de cada imóvel
foi cruzada com pelo menos
duas fontes. Em caso de divergência, VEJA optou por
contabilizar o menor valor apontado pelos entrevistados para
evitar o risco de superestimar a riqueza do senador. Alguns
imóveis, cujo endereço completo Jader Barbalho
não mencionou à Receita Federal nem à
Justiça, não foram encontrados por VEJA. Nesses
casos, adicionou-se ao seu patrimônio o valor declarado
pelo senador, infinitamente inferior ao de mercado. Ainda
assim, VEJA chegou a uma quantia onze vezes maior do que a
informada por Jader Barbalho.
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| Mansão
a trinta minutos de de Fortaleza: na Praia do Cumbuco,
Jader descansa com a família à beira-mar
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Rede
Brasil Amazônia: uma emissora de TV e três
rádios |
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Amor
e ódio
Joedson Alves/AE
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Jader
e ACM andam às turras, mas nem sempre foi assim. Durante
o governo de José Sarney, no final dos anos 80, os
dois eram colegas de ministério e costumavam freqüentar
as mesmas festas em Brasília. No Senado, aonde Jader
chegou em 1995, discutiam de maneira civilizada o rumo das
votações mais importantes. Trocaram, inclusive,
abraços afetuosos
em público. O
festival de baixarias teve início em abril. ACM
chamou
Jader de "ladrão", "truculento" e "indigno". Jader
tachou o senador baiano de "corrupto", "farsante" e "mentiroso".
A
briga teve origem na disputa pela relatoria do PPA, o plano
que prevê os investimentos do governo federal até
2003. Jader queria o cargo, mas o baiano disse não.
Disputavam o poder sobre uma bolada de cerca de 1 trilhão
de reais. Jader recuou e abriu mão de ocupar o cargo,
mas acabou indicando o relator.
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Saiba
mais |
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