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CINEMA

Casamento:
trágico, mas engraçado |
Casamento
Arranjado (Hatuna Meuheret, Israel/França, 2001.
A partir de sexta-feira em São Paulo) "Como uma mulher de
sua idade tem a coragem de arruinar a vida de um rapaz tão novo?",
disparam os pais de Zaza à namorada dele, Judith, que é
divorciada e tem uma filha. Detalhe: Judith e Zaza têm quase a mesma
idade e ambos já passaram dos 30. Nascido na Geórgia
e radicado em Israel desde pequeno, o diretor estreante Dover Koshashvili
fez das severas regras georgianas para a corte e o casamento tema de uma
comédia penetrante e, em vários momentos, desconcertante
como na cena em que a família de Zaza vai em peso à
casa de Judith para humilhá-la. O diretor fala de machismo e do
peso anacrônico, mas irresistível, das tradições
sem recorrer a veredictos fáceis e sem perder o humor. Sua própria
mãe, Lili Koshashvili, uma ótima atriz, faz a matriarca
que põe Zaza na linha. Veja
trailer.
DISCOS
30
#1 Hits, Elvis Presley (BMG) Recentemente, Elvis voltou
às paradas graças a uma versão dançante de
seu sucesso A Little Less Conversation, criada pelo DJ holandês
JXL. Essa coletânea de trinta hits do cantor que um dia ocupou o
primeiro lugar nas paradas demonstra, entretanto, que não há
nada melhor do que ouvir suas composições no original. Ainda
mais se forem gravações remasterizadas, como é o
caso desse lançamento mundial. A seleção começa
com Heartbreak Hotel, que foi seu primeiro compacto pela gravadora
RCA, lançado em 1956, e termina com Way Down, faixa lançada
um mês antes de sua morte, em 1977. Não faltam, é
claro, seus eternos sucessos: Love Me Tender, It's Now or Never e
a deliciosa Suspicious Minds, em que ele flerta com a soul music.
24
Hour Party People, vários (Warner Music) Surgida
em 1976 e sediada em Manchester, na Inglaterra, a gravadora independente
Factory tornou-se lendária ao servir de base de lançamento
para grupos que influenciariam para sempre a música pop, como o
sorumbático Joy Division que, depois do suicídio do
vocalista Ian Curtis, virou New Order. 24 Hour Party People é
a trilha sonora do filme homônimo, que deve estrear no Brasil até
o fim do ano e conta a história da Factory e da agitada cena noturna
de Manchester, dos anos 70 aos 90. É um cardápio fora de
série, que vai do punk rock dos Buzzcocks ao pop dançante
do Happy Mondays, passando pelos clássicos inevitáveis do
período como Love
Will Tear Us Apart, do Joy Division.
DVDs
Divulgação
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| Monstros
S.A.: extras à vontade
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Monstros S.A. (Monsters, Inc., Estados Unidos, 2001. Buena
Vista) Os habitantes de Monstrópolis acharam uma fonte limpa
de energia: os gritos de terror das crianças. Obtê-los, porém,
requer experiência. Por isso o grandalhão Sully é
um monstro exemplar. Ninguém assusta criancinhas com tanta eficiência
e cuidado em Monstrópolis, julga-se que os seres humanos
são perigosamente tóxicos. Daí a vida de Sully e
seu amigo Mike virar uma bagunça quando a garotinha Bu invade a
cidade. A mais recente parceria entre o estúdio Pixar (de Toy
Story) e a Disney é um primor. Além disso, esse disco
duplo traz extras que não acabam mais. Pense em qualquer detalhe
sobre a produção de um desenho animado e ele está
lá incluindo os impagáveis "erros de filmagem", brincadeira
que já virou tradição da Pixar, e dois ótimos
curtas-metragens. Veja
trailer.
Miramax Flms
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| Apocalypse:
de chorar de tão bom
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Apocalypse Now Redux (Estados Unidos, 1979/2001. Buena Vista)
O diretor de fotografia Vittorio Storaro chorou de emoção
ao ver a cópia restaurada (e com mais 49 minutos inéditos)
dessa obra-prima de Francis Ford Coppola. Rodado nas Filipinas, em condições
de pesadelo, Apocalypse Now representa um dos momentos mais altos
do cinema americano, do ponto de vista técnico e artístico.
Martin Sheen é o capitão que, na Guerra do Vietnã,
recebe a missão de capturar um coronel (Marlon Brando) que sucumbiu
à selvageria, só para se ver também ele arrastado
pela insanidade. Além de ser um filme monumental sobre a guerra,
Apocalypse é um estudo pessimista sobre o conflito entre
a civilização e a natureza humana. O disco traz um único
extra: a cena que fecharia o filme, com um comentário elucidativo
de Coppola.
LIVROS
Falando
com o Anjo, de vários autores (tradução de
Paulo Reis; Rocco; 266 páginas; 33 reais) Organizada pelo
escritor inglês Nick Hornby (de Um Grande Garoto), essa coletânea
de doze contos tem um intuito nobre: os direitos autorais arrecadados
serão destinados a uma escola para autistas em Londres. Lá,
recebe cuidados o filho do próprio Hornby. Para além da
filantropia, trata-se de um lançamento saboroso, com autores como
o irlandês Roddy Doyle e o escocês Irvine Welsh. Hornby contribui
com um dos melhores textos, sobre as confusões em que se mete o
segurança de uma exposição de arte. Outro ótimo
conto é o de Helen Fielding (de O Diário de Bridget Jones),
narrado por uma velhinha que caiu no banheiro e rumina sobre sua relação
com a filha enquanto espera ajuda.
Nove
Noites, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras; 176 páginas;
28 reais) O carioca Bernardo Carvalho, de 42 anos, vem-se mostrando
um dos mais consistentes entre os novos autores brasileiros. Seus textos
quase sempre lidam com enigmas, identidades falsas ou histórias
cuja verdade é difícil estabelecer. Em seu sexto romance,
ele conta a história real de Buell Quain, jovem antropólogo
americano que se suicidou no Amazonas em 1939. As pesquisas de Carvalho
sobre as razões do suicídio incluíram contatos com
a tribo dos craôs, no Tocantins, e consultas de arquivos nos Estados
Unidos. O narrador do livro refaz em boa parte esse trajeto de investigação
mas é guiado por obsessões que só são
reveladas no final e têm a ver com seu próprio passado.
Leia
trechos do livro.
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CRÍTICA
OS MAIS VENDIDOS
Quando
foi lançado, cinco anos atrás, o romance Cidade
de Deus (Companhia das Letras; 404 páginas; 34 reais)
causou tanto impacto na literatura quanto o filme inspirado nele
provoca hoje no cinema nacional. Na época, foi saudado por
críticos e sociólogos como a perfeita tradução
do mundo cão de uma favela carioca, graças a uma narrativa
realista e envolvente, que não caía na tentação
de estereotipar a pobreza. A empolgação também
se alimentava do fato incomum de que o livro foi escrito por Paulo
Lins, morador da favela carioca do título, com base nas histórias
e personagens do local. Ele deu início ao romance em 1986,
inspirado por seu trabalho como pesquisador no projeto de uma antropóloga
sobre a criminalidade e a violência. Agora, com o sucesso
da adaptação da obra para o cinema até
a semana passada, o filme já havia sido visto por quase 900.000
pessoas , Cidade de Deus volta à lista de mais
vendidos de VEJA. Está em segundo lugar na categoria de ficção.
Na primeira edição, o livro vendeu 14.000 exemplares.
Na atual, revista pelo autor, já atingiu a marca de 11.000
e a editora pretende imprimir mais 16.000 para dar conta da demanda.
Lins fez dois tipos de alteração no texto. Primeiro,
um corte de nada menos que 150 páginas. "Quando fiz o livro,
usei a repetição de cenas como recurso para traduzir
a monotonia da vida na favela. Com o tempo, achei melhor enxugar
o texto", diz o autor. Outra providência foi trocar os nomes
de alguns dos 230 personagens com isso, Lins pretendeu diferenciar
seu romance do filme. Um exemplo: na nova edição,
o bandido Zé Pequeno passou a se chamar Zé Miúdo.
"As pessoas me parabenizam pelo filme, mas prefiro ressaltar que
uma coisa é bem diferente da outra", diz ele.
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