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Nem
no Irã
Autor francês é julgado
por
criticar o islamismo
Em setembro de 2001, a revista francesa Lire publicou uma entrevista
com Michel Houellebecq. Escritor popularíssimo em seu país,
especialista em causar polêmica, ele discutiu, a certa altura, as
religiões monoteístas. Disse que acreditar num Deus único
era um ato cretino. E arrematou: "A religião mais idiota é
o islamismo. Ela é perigosa desde o seu surgimento". Dias depois,
o World Trade Center foi atacado e as declarações, é
claro, ganharam enorme ressonância. Quatro organizações
islâmicas decidiram processar o autor por injúria racial
e incitação ao ódio. A primeira audiência ocorreu
na terça-feira passada, durou mais de cinco horas e mobilizou os
franceses. Vários intelectuais lançaram um manifesto de
apoio a Houellebecq e se apresentaram para depor em seu favor. O escritor
Philippe Sollers argumentou, exoticamente, que seria preciso ser tolerante
com o humor que, segundo ele, está no centro das declarações
de Houellebecq. Outros insistiram no princípio, auto-evidente,
da liberdade de expressão o que fez com que as organizações
islâmicas declarassem que a audiência se transformou numa
ocasião para reafirmar esse princípio de maneira arrogante
e, suprema ofensa, "neocolonialista". Houellebecq disse que jamais nutriu
desprezo pelos muçulmanos, mas reafirmou sua falta de apreço
pelo islamismo. O autor poderia ser condenado a passar um ano na cadeia
e a pagar multa de 45.000 euros. A sentença sai no dia 22 de outubro,
mas os próprios promotores já se anteciparam e pediram que
essa insanidade seja simplesmente arquivada.
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