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Divórcio à
moda samurai
Japoneses
contratam profissionais
para seduzir os próprios cônjuges
Shinichiro
Nakaba, de Tóquio
Montagem sobre fotos de Valmir S. França
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Pôr
o ponto final em um relacionamento é difícil em qualquer
parte do mundo. Na sociedade japonesa, então, em que um divórcio
mais complicado ou a exposição de um caso amoroso podem
comprometer inclusive a carreira dos envolvidos, encontrar saídas
alternativas é essencial. Nada, porém, prepara o espírito
dos incautos para o tipo de serviço que vem sendo oferecido por
agências de detetives: o wakaresaseya, um ramo especializado
em, conforme o caso, apressar ou evitar separações. Sua
arma muito pouco convencional: um agente, homem ou mulher, que sai a campo
com o objetivo precípuo de conquistar um dos cônjuges. Se
um casamento está ameaçado por um caso extraconjugal do
marido, a agente seduz o infiel, leva-o a se desfazer da amante em seu
favor e, uma vez vitoriosa, rompe o romance. Sem uma nem outra, o homem
hipoteticamente volta para a família. Se um casamento acabou mas
a mulher recusa-se a concordar com o divórcio, o trabalho do agente
é seduzi-la e convencê-la a se separar. Missão cumprida,
o dom-juan de aluguel desaparece.
O trabalho
custa o equivalente a 8.000 a 10.000
dólares por mês, fora as despesas com restaurantes e presentes,
e muitas agências não impõem limites a seu campo de
ação aceitam qualquer serviço, do básico
(levar o alvo para a cama) ao avançado (arruiná-lo financeiramente,
por exemplo). Atendem prioritariamente maridos e esposas traídos,
mas também comparecem quando um homem quer livrar-se de uma amante
e até quando uma empresa deseja preparar o terreno para demitir
um funcionário. Não há estatísticas oficiais,
mas o detetive Kazunari Takahashi, 37 anos, dez de profissão, proprietário
da Pro Staff Agency, em Tóquio que, ressalva, só
aceita trabalhos cuja finalidade seja "salvar casamentos" , afirma
que em 80% dos casos o serviço encomendado é bem-sucedido.
"O nosso trabalho só falha se o relacionamento já acabou
há muito tempo e não tem mais volta", diz.
Antes de
iniciar uma operação, a agência coleta todos os dados
possíveis sobre a pessoa que será abordada. Em seguida,
monta o perfil do tipo de homem ou mulher capaz de atraí-la e treina
seu agente para interpretar bem o papel. "Com homens, aparência
conta muito", constata Takahashi. O sexo masculino, diga-se, é
presa considerada fácil: "Tudo se resolve em cerca de três
meses". Já com mulheres, os problemas e as despesas aumentam. Mais
desconfiadas, elas não são tão atraídas por
um belo par de olhos e o contato inicial tem de ser realizado por uma
agente mulher, que primeiro ganha a confiança do "alvo" e depois
lhe apresenta o agente masculino, previamente coberto de elogios. Na fase
de conquista, mulheres exigem bons restaurantes e presentes caros, "como
bolsas de grife de 500 dólares", suspira Takahashi. "Somos obrigados
a gastar para impressionar." Parece novela? Pois é quase
o wakaresaseya expandiu-se no Japão justamente depois que
foi tema de uma minissérie de televisão no ano passado.
Hoje em dia, é anunciado na internet, nas páginas amarelas
e até em cartazes pregados nas estações de trem.
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