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VEJA sempre nos brinda com belas reportagens de capa, além das
que compõem naturalmente a revista. Todas nos remetem à
leitura obrigatória, atraídos pelo tema e enfoque que apresentam.
Na reportagem "Tá tudo dominado" (18 de setembro), VEJA desnudou
a relação de Fernandinho Beira-Mar com o Estado brasileiro
e com o mundo das drogas, mostrando que o traficante, cruel nas suas ações
criminosas, zomba mesmo da lei. Matérias assim dão credibilidade
a qualquer veículo de comunicação, e a revista, ao
abordar temas de grande alcance social a cada semana, mostra as razões
de sua aceitação pelos leitores. Sobre
o título "Ele zomba da lei", pergunto: que lei? Aquela que só
serve para nós, presos domiciliares? Ou aquela que só serve
para enfeitar nossas bibliotecas? Ora, a lei que vale no Brasil é
a "lei da selva". Doze
mil crianças iniciadas no mundo das drogas. E com um herói
vitorioso diante de leis capengas. Que exemplo a seguir. As favelas do
Rio estão se transformando em madraçais do crime organizado.
Cada país tem o Bin Laden que merece. O nosso se chama Fernandinho
Beira-Mar. Deviam
construir prisão de segurança máxima para nossas
autoridades. Talvez lá dentro elas entendam o significado da expressão
"segurança máxima". Foi
vergonhoso o episódio ocorrido em Bangu 1. O fato comprova a falta
de eficácia da política de segurança pública
do país e o fortalecimento do "poder paralelo". Como foi muito
bem retratado por VEJA, deve-se ressaltar que o poder de fiscalização
está demasiadamente concentrado nas mãos dos agentes penitenciários,
favorecendo a corrupção que atingiu o poder público. VEJA
diz que Fernandinho Beira-Mar "zomba da lei". Essa atitude é um
hábito bastante arraigado em todas as camadas da população
deste país e se dá inclusive com aqueles que criam a lei
e com os que deveriam defendê-la. Neste exato momento em que digito
este comentário (1h30 de 15 de setembro de 2002, plena madrugada),
acabo de ouvir insultos, gozações e palavrões proferidos
por quem atende ao telefone 190. Fernandinho não zomba solitário! Passei
minha infância lendo os gibis do Tio Patinhas, em que os Irmãos
Metralha sempre acabavam presos no final. Meu filho lê os gibis
com os mesmos finais. Esta foi a frase que ele me disse: "Por que no Brasil
os bandidos só levam a melhor?". Ele só tem 11 anos.
Cumprimento VEJA e o psicólogo James Campebell Quick pela excelente
entrevista relacionada ao stress (Amarelas, 18 de setembro). Estamos conscientes
de que nos dias atuais os trabalhadores convivem com o problema e, graças
à revista VEJA e ao psicólogo Quick, podemos perceber que
o stress pode ser usado como um ponto positivo. Ao
contrário do que os leigos imaginam, o stress, quando bem administrado,
deixa de ser um inconveniente e age como algo positivo para a saúde,
até mesmo para o eficaz desempenho profissional. Realizar exercícios
periódicos de treinamento da concentração e reconhecer
que os fracassos são naturais são posturas imprescindíveis
para ser beneficiado pelo stress. Acredito
que a fase inicial do stress, o chamado eustresse (stress bom), deva ser
mais bem pesquisada, uma vez que não se conhecem os mecanismos
que explicariam quando o stress bom passa a ser ruim. Porém, sabemos
que, quando o stress provoca desde sintomas leves até incapacitantes,
precisa, sim, de tratamento médico adequado. Nesta fase não
adiantam medidas paliativas ou preventivas.
A opinião do senhor Luiz Roberto Londres (Amarelas, 11 de setembro)
mostra que o mais importante comportamento é "o bom senso". Há
casos em que a técnica (aparelhos, equipamentos) é fundamental
para salvar vidas (técnica, nessa situação, é
a prioridade); mas há casos em que a psicologia e a humanidade
são fundamentais (para o doente e para sua família). O médico
tem de saber identificar a prioridade. Essa é uma atitude exigente
e difícil. Faz, talvez, a grandeza da profissão de médico.
Fiquei extasiado com os comentários do senhor Kanitz ("O crescimento
do PIB", Ponto de vista, 18 de setembro). Tenho discursado a amigos e
parentes sobre os importantes valores agregados, nestes últimos
anos do maravilhoso Brasil. Outro dia visitei uma favela em minha cidade
e, com grande espanto, tive dificuldade de estacionar meu carro próximo
a ela, tal o número de carros não Brasílias e
Fuscas, mas Unos, Fiestas e Corsas. O gigante Brasil mudou, e muito! Privilegiados
os leitores de VEJA que, assim como eu, podem surpreender-se com a lucidez
de cada um dos pontos de vista de Stephen Kanitz, de forma a vislumbrar
o que nem o governo e, pelo jeito, nem os presidenciáveis conseguem. Manifesto
minha insatisfação com o texto "O crescimento do PIB", de
Stephen Kanitz. Se o governo não utiliza parâmetros sugeridos
pelo senhor Kanitz, é porque segue normas internacionais com o
intuito de comparar países distintos. Certamente, se tais parâmetros
fossem usados por outros países, teríamos uma situação
mais drástica para o Brasil. A
lucidez de Stephen Kanitz me impressiona. Artigos como "O crescimento
do PIB" chamam a atenção para nossos problemas e nossa grandeza,
que insistimos em ignorar. Ele merece ser ouvido, e lido. Merece também
um ministério, do Planejamento, da Educação.
O último artigo do senhor Claudio de Moura Castro ("Escolha seus
pais com cuidado", Ponto de vista, 11 de setembro) merece ser enviado
a todas as escolas para ser distribuído nas reuniões de
pais urgentemente. Ainda há tempo para fazer alguma coisa pela
educação brasileira.
Tenho 19 anos e gostei muito da reportagem "Tiroteios em rede" (18 de
setembro). Concordo com a opinião do psicoterapeuta Içami
Tiba, quando ele alerta para a possibilidade do vício. Mas basta
usar um pouco da lógica para concluir que qualquer tipo de lazer
em excesso é prejudicial, ou seja, seu aviso não vale somente
para os jogos em rede, mas para bingos, cartas, caça-níqueis
etc.
Gutembergues Monteiro da Silva Júnior Aos
31 anos compreendo a grande fronteira que separa os costumes atuais dos
meus 10 ou 11 anos de vida. A grande diferença é que agora
a natural e inevitável propagação das brincadeiras
virtuais está ocupando o espaço do suor saudável
das brincadeiras de bola, entre outras, da época de minha infância.
Se esses cremes caríssimos funcionassem de verdade, essas estrelas
não precisariam usar um quilo de maquiagem nem se esconder em meio
a panos e óculos escuros quando não estão produzidas.
É só olhar para qualquer foto delas sem maquiagem e constatar
que esses cremes só atuam como placebo ("Só para pouquíssimas",
18 de setembro).
Você é a figura mais inteligente que apareceu no cenário
nacional nos últimos anos. Adoro você. Os terráqueos
deveriam ter esse seu raciocínio lógico também. As
coisas seriam bem mais fáceis de entender. Parabéns a você
e ao seu criador. Arc,
pode ficar tranqüilo. Você não é o único
que não entende o Brasil. Será que em Marte é mais
fácil entender as coisas?
A reportagem "A emoção do abraço de um filho" (18
de setembro), sobre o ator americano Christopher Reeve, é realmente
comovente. Não se trata apenas de conseguir ficar sozinho, ou de
movimentar dedos e identificar estímulos. Trata-se de viver, literalmente.
Christopher é realmente um Super-Homem, não porque tenha
superpoderes, mas porque luta pela vida. Deve ser uma sensação
horrível e inimaginável ter tanto sucesso, ser considerado
um símbolo sexual e, de repente, se ver condenado a uma vida quase
vegetal. Porém, Reeve não se entregou, pelo contrário,
mostrou do que ele é capaz. Exemplo disso é a foto tirada
em janeiro deste ano. Seus olhos ainda são os mesmos. Possuem o
brilho de herói. A vida é muito mais que beleza física
e dinheiro, é saber amar e ter vontade de viver e ser feliz. O
ator Christopher Reeve é, sem dúvida, um super-homem na
vida real. Com determinação, garra e vontade de viver, está
conseguindo superar os obstáculos que costumamos ver em seus filmes.
Muito mais que um herói, Reeve é um exemplo de vida.
De tirar o chapéu a cobertura de VEJA para o trágico 11
de setembro de 2001, um ano depois ("O mundo nunca mais foi o mesmo",
11 de setembro). Intelectualmente um desastre e politicamente um fiasco,
o presidente George W. Bush encontrou no mito do terrorismo a camuflagem
ideal para os graves e atuais problemas internos dos EUA. Assim, cada
vez que o cerco da opinião pública aperta a questioná-lo,
ele arruma uma guerra qualquer e despista a todos, livrando-se do julgamento
popular. Ocorre que não é justo a humanidade ficar refém
das decisões e humores de um só. Bush não é
Deus, embora pense que o seja. Não estamos no jogo War nem
no quintal de seu rancho no Texas. Queremos paz, porém sem carnificina.
Muito boa a reportagem sobre a importância da água ("Vai
valer mais que petróleo", 18 de setembro). Como estudante da área,
tenho conhecimento de que a água vai faltar. Se não nos
conscientizarmos de que devemos economizar agora, vamos ter de pagar um
preço alto no futuro. Um avanço nessa área no Brasil
foi a criação dos comitês das bacias hidrográficas,
que determinarão quem poderá utilizar a água de cada
bacia. Se não economizamos por amor (consciência), vamos
economizar pela dor (dinheiro).
Meu nome
foi relacionado indevidamente a um "acordo informal" com a Mil Madeireira
Itacoatiara Ltda. que lhe permitia transportar informalmente madeira de
seu plano de manejo ou de sua unidade de produção para sua
unidade industrial sem a devida autorização de Transporte
de Produtos Florestais (ATPF), emitida pelo Ibama ("Ataque à floresta",
18 de setembro).
Para esclarecimento
dos leitores de VEJA, com relação ao publicado no artigo
de Diogo Mainardi ("Weffort, o magnífico", 18 de setembro), é
oportuno informar que o livro Um olhar sobre a Cultura Brasileira,
organizado por Francisco Weffort e Márcio Souza, foi editado, em
1998, em cooperação com a Associação dos Amigos
da Funarte, com o objetivo de registrar a produção cultural
desenvolvida no país, no período de 1995 a 1998, e não
o de enaltecer as atividades do ministro da Cultura. A publicação,
que contou com a colaboração de 26 articulistas para desenvolver
os diversos temas, custou cerca de 538.000
reais (recursos do Fundo Nacional de Cultura) e não 600.00
dólares, como informado por aquele colunista e teve sua prestação
de contas aprovada com base em pareceres da Fundação Biblioteca
Nacional e da Funarte. Quanto às demais iniciativas citadas, cabe
ressaltar que se trata de programas e projetos desenvolvidos no cumprimento
da missão institucional do Ministério da Cultura, sob a
estrita observância das Leis Federais de Incentivo à Cultura
(8.313/91 e 8.685/93).
Mesmo para
os entusiastas da candidatura de Ciro Gomes, como eu, passa a ser difícil,
se não impossível, crer que ele terá a maturidade
e o equilíbrio necessários para permanecer no cargo por
quatro anos, caso eleito ("O tucano de asa nova", 18 de setembro).
Excelente
a contribuição de VEJA para mostrar ao Brasil que a agricultura
do país está longe de ser aquele mundo atrasado das galinhas
soltas em volta dos ranchos de jecas-tatus. É, sim, um setor dinâmico
e moderno da economia, com capacidade de alavancar e harmonizar o desenvolvimento
do país ("O motor que faz o Brasil andar", 18 de setembro).
Como se sabe,
os sete anos da presença do conde João Maurício de
Nassau (1637-1644) em Pernambuco se constituem no mais importante feito
para as artes e o conhecimento científico de toda esta parte do
Novo Mundo no século XVII. Através de livros, manuscritos,
mapas, gravuras e pinturas produzidos por membros de sua comitiva teve
início a divulgação de um patrimônio cultural
do Novo Mundo na Europa. Tal acervo, hoje encontrado em vários
países, é parte do patrimônio artístico-cultural
de Pernambuco, que merece não somente ser preservado, mas estudado,
pesquisado e divulgado em nossos dias ("O Brasil, em primeira mão",
18 de setembro).
Sou professora
de português e inglês. A respeito da "síndrome de burnout"
("Síndrome da chama extinta afeta o humor", Para usar, 18 de setembro),
a tradução da palavra de origem inglesa "burnout", feita
a grosso modo como "chama extinta", é inadequada, já que
não existe tal definição para essa palavra na língua
inglesa. A definição correta seria: um colapso físico
ou mental causado por excesso de trabalho durante determinado período.
CORREÇÕES:
As quatro obras retratadas por Albert Eckhout, divulgadas nas páginas
124 e 125 da edição 1769 ("O
Brasil, em primeira mão", 18 de setembro), estão
invertidas.
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