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Projetos
de salvação
Nesta edição, VEJA oferece ao leitor um conjunto
de entrevistas com os quatro principais candidatos à
Presidência da República, todas realizadas na semana passada.
São relativamente curtas, de perguntas diretas e respostas objetivas.
Os políticos são naturalmente vocacionados para as entrevistas.
Essa é uma forma eficaz de falarem aos eleitores. A norma, no entanto,
é que aproveitem a oportunidade para desviar-se das questões
mais embaraçosas sob o argumento de que o mais adequado é
discutir o "programa de governo", aquele documento maçudo em que
eles reúnem suas copiosas propostas para a educação,
a saúde e o combate à miséria com as formas de retomar
o crescimento econômico e gerar empregos.
Os candidatos mais organizados dividem os programas em livrinhos, por
temas. Os pontos principais são recheados de números e tabelas,
sugerindo a quem lê que nada disso foi implementado até hoje
por pura distração das autoridades que estão no poder.
A verdade é que programas são documentos necessários
ao cumprimento de um ritual eleitoral. É preciso ter um, e todos
têm o seu. Na hora de colocar em prática, a história
é outra.
Os programas desta disputa presidencial estão de tal forma parecidos
que, embaralhados, há quem diga que nem os próprios presidenciáveis
seriam capazes de distinguir o seu na pilha. Ambiciosos, esses projetos
de governo sugerem que o Brasil cheio de problemas ancestrais pode transformar-se
num país bem-sucedido no prazo de quatro anos. Além disso,
os textos se tornaram uma espécie de gincana da criatividade. O
candidato que promete mais apresenta-se como mais eficiente do que o concorrente
que promete menos. E o que promete menos questiona a seriedade e a capacidade
de realização daquele que promete mais. Nas entrevistas
desta edição, VEJA optou por discutir com os candidatos
temas de outra natureza. O resultado é um flagrante de como eles
são, como decidem, como reagem a perguntas que as pessoas comuns
gostariam de fazer e como estão se sentindo no calor da batalha
eleitoral.
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