Uma notícia de 11 500 anos

Jean Claude Bragard/BBC
O crânio de Luzia e seu rosto reconstituído: surpresa


Um dos destaques de VEJA nesta semana é uma notícia de mais de 100 séculos. É a reportagem sobre Luzia, a primeira brasileira de que se tem conhecimento nas pesquisas arqueológicas. Ela viveu há cerca de 11 500 anos nas savanas que dominavam a região onde hoje é o Aeroporto Internacional de Confins, perto de Belo Horizonte. Seu crânio, localizado em 1975 no fundo de uma caverna e coberto por 13 metros de detritos minerais, é o mais antigo fóssil humano já descoberto nas Américas. Há poucas semanas, cientistas da Universidade de Manchester, na Inglaterra, conseguiram reconstituir em argila os traços anatômicos do rosto de Luzia. O resultado desse trabalho, que VEJA publica em primeira mão no Brasil, é espantoso.

Luzia tinha traços tipicamente negróides e em nada parecidos com os dos atuais índios brasileiros, supostamente descendentes dos primeiros colonizadores da América. De onde teria vindo Luzia? Ao tentar responder a essa pergunta, os cientistas estão formulando uma nova e revolucionária teoria sobre a ocupação do continente americano. Segundo eles, Luzia descende de uma leva de colonizadores que chegou à América há cerca de 15 000 anos, pelo menos três milênios antes do que se imaginava até algum tempo atrás. Esses primeiros habitantes, parentes dos atuais aborígines australianos, teriam sido completamente dizimados por uma leva migratória posterior, vinda da região da Mongólia esta, sim, ancestral dos índios de hoje.

Além de mostrar o rosto da mais antiga brasileira, a reportagem lança mão de mapas, ilustrações e gráficos para mostrar em que ponto da evolução humana esse fóssil se situa, como os primeiros colonizadores chegaram à América e como era o Brasil há onze milênios. Acompanhar as últimas novidades no mundo científico e traduzi-las de forma compreensível para os leitores é preocupação permanente de VEJA. Luzia é a prova de que uma notícia de 11 500 anos pode ser tão sensacional quanto o relato dos fatos mais importantes da semana passada.

 




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