Edição 1868 . 25 de agosto de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
Lya Luft
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 

"VEJA resumiu em uma capa fantástica o conceito da stalinização que o nosso país atravessa."
Manuel Rodrigues dos Santos
Curitiba, PR


As tentações do governo Lula

"O fantasma do autoritarismo" (18 de agosto) é talvez a mais importante matéria de capa da história de VEJA. A nossa sorte foi o PT achar que o momento certo de lançar o alicerce definitivo para construir seu projeto ditatorial, a mordaça da imprensa livre, havia chegado. Errou, pois depois dessa capa e da reportagem de VEJA o projeto está enterrado, e só se realizará agora se for tentado pelas armas, o que é mais inviável ainda nos tempos atuais. Obrigado pelo grande serviço prestado à causa da liberdade e da democracia.
Sergio Storti
São Paulo, SP

As mais recentes tentativas do governo de controlar o Judiciário, vigiar o Ministério Público e fiscalizar a imprensa nos fazem lembrar de Regina Duarte e concordar com ela. Estamos com medo.
Sérgio Lacerda de Araújo
João Pessoa, PB

Vivemos situações indignas que imaginávamos sepultadas para sempre, nas cinzas do passado, narradas com gênio e arte por Orwell em A Revolução dos Bichos. Seu mundo está mais presente do que nunca! O que parecia fruto de sua fértil e genial imaginação é o retrato fiel da sociedade humana, despontando para a irracionalidade.
Leon Szklarowsky
Brasília, DF

É vergonhoso ver o governo petista com um discurso eivado de censura e autoritarismo em relação à liberdade de expressão e de imprensa. É também vergonhoso coibir a liberdade de investigar do Ministério Público.
Júlio César Silva
São José dos Campos, SP

PT, a imprensa já possui duas instâncias de "fiscalização": a opinião pública e o Judiciário. A primeira regula a credibilidade, e a segunda, a legalidade das ações e opiniões daqueles que se expõem na mídia.
Cícero Soares da Silva
Belo Horizonte, MG

Há ocasiões em que vocês da imprensa são bastante chatos (com exceção do Diogo Mainardi, é claro). Entretanto, prefiro mil vezes tê-los como chatos a tê-los amordaçados. Simplesmente porque sua mordaça seria fatalmente a minha mordaça.
João Bosco da Silva
São João del-Rei, MG

Por mais que se diga que o projeto foi elaborado por sindicalistas, VEJA mostrou, com total mérito, que eles estão longe da redação há tempos e totalmente ligados ao PT. Essa história de o governo dizer "É um projeto de jornalistas; não temos nada a ver com isso" mostra a hipocrisia em que estão mergulhados o PT e seus integrantes, que não demonstram maturidade suficiente para se tornar vidraças.
Alberto Maurício Danon
São Paulo, SP

O Conselho Federal de Jornalismo é o único caminho legítimo para consolidar e promover o resgate da dignidade profissional de uma categoria atualmente vulgarizada e invadida por legiões de pseudojornalistas, adeptos do "charlatanismo". Sou favorável ao CFJ e aos bons profissionais. Cortar na própria carne é sempre a parte mais difícil. É mais conveniente "satanizar".
Kelmo Oliveira Bernardes
Feira de Santana, BA

Sou estudante de jornalismo, já freqüentei redação de jornal e sou completamente a favor da regulamentação do CFJ. Acho que ele trará a decência ao descaso que há em nossa profissão, principalmente por causa da regulamentação do diploma para o profissional. Vocês acusam que o CFJ poderia punir, cassar o jornalista. Faz bem. Se em outras profissões podem, por que a gente não poderia?
Daniel Faria Esteves
Rio Branco, AC

Sou a favor da criação do CFJ. Não sei o porquê de tanta gritaria por parte desses profissionais da imprensa diante dessa simples atitude do atual governo, visto que nossa imprensa sempre se mostrou irresponsável e tendenciosa. Que se crie já o conselho. Aproveito o ensejo para propor ao atual governo que, após criar o CFJ, edite uma medida provisória recriando também o tronco, a guilhotina, a Santa Inquisição e um muro nos moldes do de Berlim.
Marcos Antônio de Souza
Contagem, MG

 

Frank Schirrmacher

A imprensa tem um papel de extrema importância na desmistificação do envelhecimento. As pessoas têm medo de alcançar a chamada terceira idade. Medo do preconceito, do abandono e da inutilidade. Frank Schirrmacher (Amarelas, 18 de agosto) atenta para o nosso amanhã. Os idosos devem ser vistos como verdadeiros cidadãos que ainda interagem e podem ajudar muito a sociedade com sua experiência de vida. Aos idosos, o meu respeito e admiração.
André Brasil
Campina Grande, PB

Nas notícias que leio, quase sempre se fala em trabalho comunitário e oportunidades para os jovens. Porém, os veteranos raramente são mencionados. Eu fui um executivo aposentado que, ao chegar ao mundo pós-aposentadoria, sofri muito. Precisava de uma renda extra para continuar a vida e, pior, não agüentava ficar na inatividade. Infelizmente, a vida de executivo não nos prepara para ser empreendedor! Errei bastante, antes de chegar a um negócio viável. Sem auxílio profissional, só há cinco anos consegui me equilibrar. Hoje faço consultoria de desenvolvimento de novos negócios. Por causa de meus problemas, liguei-me ao assunto dos aposentados e escolhi a missão de ajudá-los. Para isso criei o programa Continuar, que prepara a pessoa para a transição da vida de executivo para a de empreendedor. Como essa transição exige uma mudança de comportamento e de hábitos, o treinamento não é rápido. É feito em seis meses, um dia por semana, preferencialmente ainda com o executivo em atividade, no ano que antecede o seu desligamento. Os benefícios são muitos para o profissional que se prepara melhor para "o dia seguinte".
Carlos Barbosa
São Paulo, SP

Genial o raciocínio do filósofo alemão Frank Schirrmacher. A associação feita por ele entre o sentimento de exclusão vivido pelos longevos e a freqüente crítica ao uso de recursos rejuvenescedores como caracteres instintivos do mundo animal, por mais naturalista que pareça, é bastante sensata. Não menos contundente foi sua afirmação de que os valores contemporâneos não estão adaptados para abrigar uma demografia maciçamente idosa. A minha geração é testemunha de uma desgastante metamorfose dos modos de integração com um mundo cada vez mais competitivo. Fiquei estupefato ao saber que muito provavelmente não me darei ao luxo de uma bucólica e descansada aposentadoria.
Thiago Moreira
Itabuna, BA

 

Vereadores

Escandalizado com a reportagem "Até o 'seu Creysson' pode" (18 de agosto) sobre o nível escolar precário dos candidatos a vereador, gostaria de propor que houvesse concurso público para políticos no Poder Legislativo. Se podemos selecionar nossos juízes, promotores, auditores, fiscais, policiais etc., por que não podemos selecionar nossos vereadores, deputados e senadores?
Rogério Benjamim Francisco Alves
Belém, PA

Neste país, lamentavelmente, o desleixo para com o uso do vernáculo assume proporções infinitamente maiores. Diante de um teste um pouco mais rigoroso, muitos figurões certamente tropeçariam, já que o problema está na origem. Vem dos bancos escolares, em todos os níveis.
Adalberto Alves de Matos
Barra do Garças, MT

 

André Petry

Por que embriões humanos? A imprensa do mundo todo noticiou, com grande alarde, que pesquisadores da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, obtiveram permissão para clonar embriões humanos para fins terapêuticos. Uma experiência semelhante já foi realizada no início do ano por pesquisadores coreanos. Os ingleses pretendem agora dar um passo adiante e tentar produzir tecidos humanos por meio da técnica de transferência do núcleo de uma célula já diferenciada para um óvulo sem núcleo. Se esse óvulo começar a se dividir e as células resultantes forem cultivadas em laboratório em condições especiais, elas adquirirão a capacidade de formar qualquer tecido humano. Isto é, trata-se de um aprimoramento das técnicas já existentes de cultura de tecidos, com a grande vantagem de poder produzir-se todos e não um só tecido especializado (como pele ou músculo, por exemplo). A grande questão é: por que dizer que estão clonando embriões humanos se essas células nunca vão ser inseridas em um útero e portanto nunca serão embriões humanos ("O atraso da religião", 18 de agosto)?
Mayana Zatz
Coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano – USP
Membro da Academia Brasileira de Ciências São Paulo, SP

 

Roberto Pompeu de Toledo

O ensaio "Olhos no mar, areia nas mãos" (18 de agosto), de Roberto Pompeu de Toledo, é emocionante e verdadeiro. Ninguém, creio, gosta de um Getúlio por inteiro. Eu mesmo detesto o "pedaço fascista" e o ditador que foi responsável, ele e não Filinto Müller, pela deportação de Olga Benario. Mas amo o líder nacionalista e de corajosas mudanças.
Pedro Duarte de Oliveira
Maceió, AL

 

Claudio de Moura Castro

Buscar respostas para as interrogações que Claudio de Moura Castro deixou em seu artigo "O Ministério acertou?" (Ponto de vista, 18 de agosto) não é tarefa fácil. Além das questões orçamentárias e fiscais, muito bem colocadas, existe a questão do aproveitamento que o aluno vai ter estudando numa escola particular a partir de determinada idade. Os pedagogos devem ser ouvidos! Uma criança que nasceu e cresceu num ambiente com poucas perspectivas conseguirá absorver tudo o que essa nova escola vai proporcionar?
Márcia Zaros
Rio Claro, SP

 

As tentações do governo Lula 2

Na reportagem "O fantasma do autoritarismo" (18 de agosto), a frase atribuída a mim não expressa o que penso. Era e sou de esquerda. No passado pensava que o mundo fosse dividido entre os de esquerda, os bons, os que desejam o bem do povo, e os de direita, conservadores, os maus. Aprendi que não é tão simples. Muitos que se dizem de esquerda não incorporaram os valores democráticos, fazem o jogo da direita. E entre os conservadores encontramos muitos que respeitam integralmente o jogo democrático.
Alberto Goldman
Deputado federal (PSDB-SP)
Brasília, DF

 

Holofote

No que se refere à nota "Alô, alô, Telecom" (Holofote, 18 de agosto), esclareço: o Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira desenrola-se por meio de um processo de três votações secretas, acompanhado ao longo de todo o tempo pela empresa de auditoria Deloitte. Em face do caráter secreto das votações não existe nenhuma possibilidade de intervenção para beneficiar ou prejudicar uma editora, logo ninguém pode garantir a presença de uma editora na lista dos finalistas nem que uma ou mais tenham vários livros indicados.
Eduardo Correia de Matos
Presidente
Por e-mail

 

Diogo Mainardi

Com relação ao artigo "Ayrton Senna, o banal" (18 de agosto), gostaria de ressaltar que o Brasil tem um dos quinze maiores PIBs do mundo, mas cai para o 72º lugar em termos de desenvolvimento humano. Tem, portanto, enorme desafio na agenda: manter-se economicamente competitivo, erradicando as desigualdades sociais, estendendo direitos a toda a população e consolidando um Estado democrático. Essa é uma tarefa econômica, política, social e, acima de tudo, ética. Do poder público, esperam-se políticas públicas de qualidade e eficácia. Do mundo empresarial, esperam-se não só recursos financeiros, mas uma contribuição técnica e gerencial para a implementação dessas políticas. Do terceiro setor, espera-se a produção de conhecimentos e experiências necessários ao investimento social. Assim, os empresários socialmente responsáveis não dão esmolas, mas investem em saídas concretas para os problemas que temos de vencer se desejarmos deixar às novas gerações um país melhor, menos desigual.
Viviane Senna
Presidente do Instituto Ayrton Senna
São Paulo, SP

Espetacular. É a única palavra que me vem à mente para manifestar minha opinião sobre o artigo de Diogo Mainardi. O que mais me tocou foi o fato de ver exposto ali no texto meu ponto de vista em relação ao mito que cerca a figura do piloto brasileiro. A discussão sobre a "falsa caridade" apregoada por certas instituições e empresários para "alívio de consciência", isentando, ao mesmo tempo, o governo de suas obrigações sociais, só veio confirmar algo em que já acreditava havia muito tempo mas que por certo receio não expressava.
Tatiana Maria Nege
Lençóis Paulista, SP

 

Lya Luft

Como é bom ler e refletir sobre temas de nosso dia-a-dia. Temos a oportunidade de mudar o mundo, primeiro permitindo ao nosso companheiro que realmente divida o prazer de aprender a cuidar de um filho. Cobrar de homens educados no antigo modelo de não-participação não ajuda nada. Educar nossos filhos para ser mais presentes no lar é nossa maior missão ("Para honrar um pai", Ponto de vista, 11 de agosto).
Anna Maria Ferraresi Freiberger
Canoinhas, SC

 

Ibsen Pinheiro

A gota d'água que nos fez decidir cancelar nossa assinatura de VEJA é a absolutamente vergonhosa postura, como a que acabamos de saber sobre o caso do deputado Ibsen Pinheiro: publicar conscientemente uma notícia falsa é, no mínimo, má-fé – é postura de folhetim de esquina, comprometido apenas com o sensacionalismo e o denuncismo, sem a menor consideração com seus leitores, com a ética e a verdade.
Diogo Luís Campanhã
São Paulo, SP

 

NOTA DA REDAÇÃO: A carta do leitor Diogo Campanhã é apenas uma amostra do enorme dano causado a VEJA pela reportagem irresponsável da revista IstoÉ e sua única fonte na calúnia contra VEJA, o ex-jornalista Luiz Costa Pinto. Uma matéria da presente edição, que começa na página 36, mostra as manobras escusas de IstoÉ para imputar a VEJA um "erro proposital" que nunca foi cometido, cuja existência foi inteiramente inventada por IstoÉ e sua descuidada fonte. A reportagem mostra que Ibsen Pinheiro teve um julgamento político em uma CPI que acabou cassando seu mandato e direitos políticos em 1994. As reportagens de VEJA e de todos os demais órgãos de imprensa de circulação nacional sobre o caso não tiveram influência decisiva sobre o desenlace da CPI. VEJA desmascara a fábula de IstoÉ e Costa Pinto, criada por motivos escusos ainda não totalmente esclarecidos, e revela ainda as evidências de que IstoÉ vende páginas editoriais, entregando a seus incautos leitores material de propaganda como se fossem reportagens.

CORREÇÃO: A reportagem "O maior banco do mundo" (18 de agosto) informou que o Itaú comprara o banco Sudameris em dezembro de 2001. Naquela data, o Itaú assinou um acordo de negociação exclusiva com o Sudameris, mas desistiu da compra. O Sudameris foi comprado pelo grupo ABN Amro Real em outubro do ano passado.

 

 

Justiça rápida

A leitora Vanilda Pereira da Conceição, advogada em Belo Horizonte, escreve para falar de uma vitória que obteve nos tribunais com a ajuda do artigo "Em favor do aborto – e da vida" (André Petry, 14 de julho). "Fui procurada por um casal vítima do infortúnio de uma gravidez cujo feto é portador de exencefalia. Buscando subsídio no artigo, distribuí a ação no dia seguinte e, em plenas férias forenses, logrei obter a resposta satisfatória em cinco dias." A advogada conseguiu na Justiça que seus clientes tivessem o direito de optar pelo aborto do feto, vítima de grave e insanável problema de saúde e sem chance de sobrevivência. "Agradeço ao André por suas idéias, ao juiz e a todos os que contribuíram, sem burocracia nem maiores delongas, para um desfecho rápido e eficaz do caso", escreveu Vanilda.



O sutiã dos sonhos

Depois de ler a reportagem "Para além do silicone" (11 de agosto), sobre um sutiã a vácuo que promete aumentar os seios sem a necessidade de implante de silicone, leitoras de todo o país ligaram e escreveram para a redação interessadas no acessório. Informações sobre o sistema, batizado de Brava, podem ser obtidas no site www.bravabrasil.com.br, ou através do e-mail info@bravabrasil.com.br e do telefone 0800 709-7500.

 

O jurista é outro

Heitor Hui/AE
Orlando Brito
Miguel Aidar Walter Ceneviva

A foto publicada no pé da página 46 da edição passada de VEJA ("O fantasma do autoritarismo" (18 de agosto) como sendo do jurista Walter Ceneviva é, na realidade, de Carlos Miguel Castex Aidar, ex-presidente do São Paulo Futebol Clube, advogado atuante nas áreas de direito especializado em planos e seguros privados de assistência à saúde; responsabilidade médica e hospitalar; e direito desportivo.

 

 
 
 
 
topovoltar