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CINEMA
Divulgação
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| Filme
vietnamita: lento e belo |
As Luzes de um Verão (À la Verticale de l'Été,
Vietnã/França/Alemanha, 2000. Desde sexta-feira em cartaz
em São Paulo e Rio de Janeiro) O diretor vietnamita Tran
Anh Hung ficou conhecido com o drama O Cheiro do Papaia Verde,
em que um mínimo de enredo sobre uma adolescente dada como
criada a uma família servia de pretexto para algumas das
imagens mais belas e poéticas que já se viram num filme.
Esse seu novo trabalho não é muito diferente. Segue o cotidiano
e os pequenos dramas familiares de três irmãs e um irmão
que vivem em Hanói. Só que agora Hung explora as possibilidades
estéticas dos seus personagens e dos ambientes em que eles vivem.
Hung, é verdade, é um daqueles cineastas que imprimem um
ritmo lentíssimo à narrativa mas é só
para que a platéia possa admirar melhor a paisagem.
LIVRO
A
Pedra da Lua, de Wilkie Collins (tradução de F.
Rangel; Record; 686 páginas; 48 reais) Na época em
que veio a público, na segunda metade do século XIX, esse
romance foi considerado literatura de segunda categoria. É compreensível.
Perto das feras daquele período, como Charles Dickens, o britânico
Wilkie Collins era peixe pequeno. Mas, olhando em retrospectiva, A
Pedra da Lua, publicado em forma de folhetim numa revista do próprio
Dickens, revela-se uma obra precursora. Ali estão as bases daquilo
que mais tarde viriam a ser as modernas histórias de detetives.
Apesar de ter quase 700 páginas, a aventura em torno do desaparecimento
de um misterioso diamante indiano é um prato cheio para o público
juvenil. E a saborosa ironia do autor não envelheceu nada.
DISCOS
Nearness
of You: the Ballad Book, Michael Brecker (Universal) Maltratado
nas últimas décadas por sopradores de péssimo gosto
como Kenny G, o saxofone é redimido como instrumento "romântico"
nesse CD. Para tanto, Michael Brecker um músico consagrado,
que já emprestou seu talento a George Benson, Frank Zappa e John
Lennon, entre outros reuniu uma ótima trupe. Dela fazem
parte o guitarrista Pat Methec="imagens/recomenda2.gif" width="120" height="129" align="right">Nearness
of You: the Ballad Book, Michael Brecker (Universal) Maltratado
nas últimas décadas por sopradores de péssimo gosto
como Kenny G, o saxofone é redimido como instrumento "romântico"
nesse CD. Para tanto, Michael Brecker um músico consagrado,
que já emprestou seu talento a George Benson, Frank Zappa e John
Lennon, entre outros reuniu uma ótima trupe. Dela fazem
parte o guitarrista Pat Metheny (que também é produtor do
álbum) e o pianista Herbie Hancock. Brecker correu certo risco
ao escalar o meloso James Taylor para entoar uma canção
mas até essa aposta deu certo. Depois foi só caprichar
nos arranjos, sempre elegantes, de músicas como Midnight Mood
e Nascente (do brasileiro Flávio Venturini).
Cambaio,
Chico Buarque e Edu Lobo (BMG Brasil) Despidas dos arranjos modernosos
do compositor Lenine e livres da bagunça cênica armada pelo
diretor João Falcão, eis aqui, em versão altamente
palatável, as músicas criadas por Chico Buarque e Edu Lobo
para a peça Cambaio, recentemente encenada em São
Paulo. Os belos arranjos do maestro Chiquinho de Moraes e os vocais
de Zizi Possi e Gal Costa, além de músicos do quilate de
Jurim Moreira (bateria) e Cristovão Bastos (piano), fazem brilhar
ainda mais algumas canções. É o caso da dolente Cantiga
de Acordar, interpretada por Chico, Edu e Zizi, de A Moça
do Sonho, com vocais de Edu Lobo, e da instrumental Quase Memória.
Valeu a pena esperar o CD.
TELEVISÃO
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| O
Mar Negro: houve um dilúvio? |
O
Dilúvio de Noé: em Busca da Verdade (domingo 29,
às 22h, no National Geographic) Um dos episódios
mais conhecidos do Velho Testamento, o dilúvio também é
mencionado em muitas outras obras antigas, como a epopéia Gilgamesh,
da Mesopotâmia. Esse documentário acompanha a saga dos geofísicos
William Ryan e Walter Pitman para provar que a catástrofe ocorreu
de fato. Ele mostra em detalhes a pesquisa da dupla, que contou com o
auxílio de oceanógrafos da Rússia, da Bulgária
e da Turquia. Ryan e Pitman defendem a tese de que o dilúvio aconteceu
7.500 anos atrás, graças a uma brusca mudança climática.
Mais ainda, dizem que ele resultou na formação do Mar Negro.
Você pode duvidar dessa tese mas certamente não vai
aborrecer-se com o programa.
Rio Filme
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| Santo
Forte: religião na favela |
Santo Forte (Estréia neste domingo, 22, às 23h20,
no GNT) Em 1997, o diretor Eduardo Coutinho (de Cabra Marcado
para Morrer) instalou sua câmara na favela Vila Parque da Cidade,
na Zona Sul carioca, para entrevistar alguns de seus moradores sobre,
simplesmente, religião. O resultado é um dos melhores documentários
feitos no país nos últimos anos. Ele não só
revela um pouco da complexa relação dos brasileiros com
o evangelismo, o catolicismo e a umbanda, como traça um painel
das maneiras conflitantes com que os favelados procuram sobreviver, em
meio a injustiças sociais. Coutinho é um documentarista
especial, e seus personagens pressentem isso: diante dele, desfiam histórias
como se tivessem passado a vida esperando para contá-las.
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
Desde
que se propôs a organizar antologias literárias, o
professor carioca Ítalo Moriconi realizou dois feitos notáveis.
Primeiro, transformou um gênero respeitado, mas de pouco sucesso
comercial no país o conto , em best-seller.
Sua coletânea de textos curtos de autores nacionais, lançada
no ano passado, vendeu até agora 70.000 exemplares. Já
parecia bastante. Mas, com Os Cem Melhores Poemas Brasileiros
do Século (Objetiva; 350 páginas; 32,90 reais),
Moriconi vai ainda mais longe. Devagar, a antologia vem quebrando
o tabu de que os poetas brasileiros sempre foram bons de rima, mas
ruins piores até do que os contistas nas vendas.
A prova disso é que o livro figura, atualmente, em terceiro
lugar na categoria de não-ficção. Sua fórmula
é a mesma consagrada na antologia anterior. Embora tenha
credencial de professor universitário, Moriconi faz uma seleção
que privilegia o prazer da leitura em vez de qualquer dogmatismo
acadêmico. Só dá espaço à discussão
teórica na breve introdução, e ainda assim
com um texto claro e descomplicado.
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| Cem
Melhores Poemas: de Bilac ao contemporâneo Alvim |
De
In Extremis, do parnasiano Olavo Bilac, a Argumento, do
contemporâneo Francisco Alvim, o livro percorre as obras de
59 poetas. A divisão em quatro grandes blocos Abaixo
os Puristas, Educação Sentimental, O Cânone
Brasileiro e Fragmentos de um Discurso Vertiginoso
procura agrupar os artistas por afinidades estéticas. No
terceiro capítulo se concentram aqueles que Moriconi considerou
os expoentes máximos da poesia nacional do século
XX. Entre eles, João Cabral de Melo Neto, Cecília
Meireles e Vinicius de Moraes. O principal deles, deixa claro, seria
o mineiro Carlos Drummond de Andrade, de quem há o maior
número de poesias: nove. Ao lidar com autores vivos, presentes
principalmente no último segmento, o organizador causou um
certo rebu. O concretista Décio Pignatari, que era para constar
do livro, praticou um autoveto. Alexei Bueno, por sua vez, reclamou
por ter ficado de fora. Quem sabe na próxima.
Marcelo
Marthe
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