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Edição 1 710 - 25 de julho de 2001
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CINEMA

Divulgação
Filme vietnamita: lento e belo


As Luzes de um Verão
(À la Verticale de l'Été, Vietnã/França/Alemanha, 2000. Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo e Rio de Janeiro) – O diretor vietnamita Tran Anh Hung ficou conhecido com o drama O Cheiro do Papaia Verde, em que um mínimo de enredo – sobre uma adolescente dada como criada a uma família – servia de pretexto para algumas das imagens mais belas e poéticas que já se viram num filme. Esse seu novo trabalho não é muito diferente. Segue o cotidiano e os pequenos dramas familiares de três irmãs e um irmão que vivem em Hanói. Só que agora Hung explora as possibilidades estéticas dos seus personagens e dos ambientes em que eles vivem. Hung, é verdade, é um daqueles cineastas que imprimem um ritmo lentíssimo à narrativa – mas é só para que a platéia possa admirar melhor a paisagem.

 

LIVRO

A Pedra da Lua, de Wilkie Collins (tradução de F. Rangel; Record; 686 páginas; 48 reais) – Na época em que veio a público, na segunda metade do século XIX, esse romance foi considerado literatura de segunda categoria. É compreensível. Perto das feras daquele período, como Charles Dickens, o britânico Wilkie Collins era peixe pequeno. Mas, olhando em retrospectiva, A Pedra da Lua, publicado em forma de folhetim numa revista do próprio Dickens, revela-se uma obra precursora. Ali estão as bases daquilo que mais tarde viriam a ser as modernas histórias de detetives. Apesar de ter quase 700 páginas, a aventura em torno do desaparecimento de um misterioso diamante indiano é um prato cheio para o público juvenil. E a saborosa ironia do autor não envelheceu nada.

 

DISCOS

Nearness of You: the Ballad Book, Michael Brecker (Universal) – Maltratado nas últimas décadas por sopradores de péssimo gosto como Kenny G, o saxofone é redimido como instrumento "romântico" nesse CD. Para tanto, Michael Brecker – um músico consagrado, que já emprestou seu talento a George Benson, Frank Zappa e John Lennon, entre outros – reuniu uma ótima trupe. Dela fazem parte o guitarrista Pat Methec="imagens/recomenda2.gif" width="120" height="129" align="right">Nearness of You: the Ballad Book, Michael Brecker (Universal) – Maltratado nas últimas décadas por sopradores de péssimo gosto como Kenny G, o saxofone é redimido como instrumento "romântico" nesse CD. Para tanto, Michael Brecker – um músico consagrado, que já emprestou seu talento a George Benson, Frank Zappa e John Lennon, entre outros – reuniu uma ótima trupe. Dela fazem parte o guitarrista Pat Metheny (que também é produtor do álbum) e o pianista Herbie Hancock. Brecker correu certo risco ao escalar o meloso James Taylor para entoar uma canção – mas até essa aposta deu certo. Depois foi só caprichar nos arranjos, sempre elegantes, de músicas como Midnight Mood e Nascente (do brasileiro Flávio Venturini).

Cambaio, Chico Buarque e Edu Lobo (BMG Brasil) – Despidas dos arranjos modernosos do compositor Lenine e livres da bagunça cênica armada pelo diretor João Falcão, eis aqui, em versão altamente palatável, as músicas criadas por Chico Buarque e Edu Lobo para a peça Cambaio, recentemente encenada em São Paulo. Os belos arranjos do maestro Chiquinho de Moraes e os vocais de Zizi Possi e Gal Costa, além de músicos do quilate de Jurim Moreira (bateria) e Cristovão Bastos (piano), fazem brilhar ainda mais algumas canções. É o caso da dolente Cantiga de Acordar, interpretada por Chico, Edu e Zizi, de A Moça do Sonho, com vocais de Edu Lobo, e da instrumental Quase Memória. Valeu a pena esperar o CD.

 

TELEVISÃO

O Mar Negro: houve um dilúvio?

O Dilúvio de Noé: em Busca da Verdade (domingo 29, às 22h, no National Geographic) – Um dos episódios mais conhecidos do Velho Testamento, o dilúvio também é mencionado em muitas outras obras antigas, como a epopéia Gilgamesh, da Mesopotâmia. Esse documentário acompanha a saga dos geofísicos William Ryan e Walter Pitman para provar que a catástrofe ocorreu de fato. Ele mostra em detalhes a pesquisa da dupla, que contou com o auxílio de oceanógrafos da Rússia, da Bulgária e da Turquia. Ryan e Pitman defendem a tese de que o dilúvio aconteceu 7.500 anos atrás, graças a uma brusca mudança climática. Mais ainda, dizem que ele resultou na formação do Mar Negro. Você pode duvidar dessa tese – mas certamente não vai aborrecer-se com o programa.

Rio Filme
Santo Forte: religião na favela


Santo Forte
(Estréia neste domingo, 22, às 23h20, no GNT) – Em 1997, o diretor Eduardo Coutinho (de Cabra Marcado para Morrer) instalou sua câmara na favela Vila Parque da Cidade, na Zona Sul carioca, para entrevistar alguns de seus moradores sobre, simplesmente, religião. O resultado é um dos melhores documentários feitos no país nos últimos anos. Ele não só revela um pouco da complexa relação dos brasileiros com o evangelismo, o catolicismo e a umbanda, como traça um painel das maneiras conflitantes com que os favelados procuram sobreviver, em meio a injustiças sociais. Coutinho é um documentarista especial, e seus personagens pressentem isso: diante dele, desfiam histórias como se tivessem passado a vida esperando para contá-las.

 

OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

Desde que se propôs a organizar antologias literárias, o professor carioca Ítalo Moriconi realizou dois feitos notáveis. Primeiro, transformou um gênero respeitado, mas de pouco sucesso comercial no país – o conto –, em best-seller. Sua coletânea de textos curtos de autores nacionais, lançada no ano passado, vendeu até agora 70.000 exemplares. Já parecia bastante. Mas, com Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século (Objetiva; 350 páginas; 32,90 reais), Moriconi vai ainda mais longe. Devagar, a antologia vem quebrando o tabu de que os poetas brasileiros sempre foram bons de rima, mas ruins – piores até do que os contistas – nas vendas. A prova disso é que o livro figura, atualmente, em terceiro lugar na categoria de não-ficção. Sua fórmula é a mesma consagrada na antologia anterior. Embora tenha credencial de professor universitário, Moriconi faz uma seleção que privilegia o prazer da leitura em vez de qualquer dogmatismo acadêmico. Só dá espaço à discussão teórica na breve introdução, e ainda assim com um texto claro e descomplicado.

Cem Melhores Poemas: de Bilac ao contemporâneo Alvim

De In Extremis, do parnasiano Olavo Bilac, a Argumento, do contemporâneo Francisco Alvim, o livro percorre as obras de 59 poetas. A divisão em quatro grandes blocos – Abaixo os Puristas, Educação Sentimental, O Cânone Brasileiro e Fragmentos de um Discurso Vertiginoso – procura agrupar os artistas por afinidades estéticas. No terceiro capítulo se concentram aqueles que Moriconi considerou os expoentes máximos da poesia nacional do século XX. Entre eles, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles e Vinicius de Moraes. O principal deles, deixa claro, seria o mineiro Carlos Drummond de Andrade, de quem há o maior número de poesias: nove. Ao lidar com autores vivos, presentes principalmente no último segmento, o organizador causou um certo rebu. O concretista Décio Pignatari, que era para constar do livro, praticou um autoveto. Alexei Bueno, por sua vez, reclamou por ter ficado de fora. Quem sabe na próxima.


Marcelo Marthe

 
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Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.

 

   
 
   
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