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Edição 1 710 - 25 de julho de 2001
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]

GENTE

Novos ares

Benjamin Steinbruch é mais um empresário que aderiu ao jatinho particular. Comprou nos EUA um Cessna Citation zerinho.

 

GOVERNO

Ritmo lento

Em quatro anos e meio, o Programa Alfabetização Solidária, coordenado por Ruth Cardoso, ensinou 1,9 milhão de analfabetos. Nesse ritmo, levará 35 anos para acabar com o analfabetismo no país.

Corte na periferia

Os cortes que o governo FHC fará para ajustar seus gastos ao novo aperto fiscal devem mandar para o fundo das gavetas o projeto de ajuda à população da periferia dos grandes centros urbanos. A previsão é do próprio pai do programa, o assessor da Presidência Moreira Franco, que não está exatamente soltando rojões. Assim, o governo economizaria 700 milhões de reais.

 

POLÍTICA

Longe da Presidência

Vai-se fazer muito balão-de-ensaio, mas Geraldo Alckmin em 2002 será mesmo é candidato a governar São Paulo outra vez.

 

O elo perdido

Bia Parreiras
Campos: encontrada tese de 1947

Uma preciosidade histórica, dada como perdida há mais de meio século, está prestes a vir à tona. A tese de mestrado de Roberto Campos, produzida quando ele estava na George Washington University, foi descoberta pelo economista Ernesto Luzardo e será publicada até o fim do ano pela editora Topbooks. Campos sempre se lamentou pelo sumiço do trabalho – e registrou isso com pesar em Lanterna na Popa, seu livro de memórias. A tese de 450 páginas, escrita em 1947, quando ele servia na embaixada brasileira em Washington, resume todo o pensamento econômico que Campos iria difundir pelo Brasil nas décadas seguintes. O ministro Pedro Malan teve acesso ao trabalho recentemente e reputou-o brilhante. Consta que só não tem o termo "globalização". O resto está todo ali.

 

ECONOMIA

Cafezinho politicamente correto

A americana Starbucks, uma das três maiores torrefadoras mundiais de café e dona de mais de 4.000 coffee shops pelo mundo, baixou na semana passada em Barreiras, na Bahia. Quer comprar café da Agronol, a maior fazenda de café do país. A qualidade do produto é apenas um item a ser levado em consideração pela turma da Starbucks. Em tempos politicamente corretíssimos, eles investigam minuciosamente se o grão é produzido sem desrespeito ao meio ambiente ou se há trabalho infantil envolvido, por exemplo. Objetivamente, o que está em jogo não são sentimentos humanitários, mas grana: hoje, um desvio desse tipo pode arrasar a imagem (e os lucros) de uma empresa nos EUA.

Força aos genéricos

A mudança do patamar do dólar e o congelamento dos preços dos remédios eram dois ingredientes que estavam começando a atravancar o programa de importação de genéricos. Por isso, o governo anuncia em breve que baixará o imposto para a entrada desses medicamentos.

Braços conflitantes

O governo dividiu-se em dois braços na bilionária guerra do setor petroquímico pelo controle da Copene. Enquanto o BNDES financia o grupo Ultra, a Petrobras está botando seu peso e força para dar uma mãozinha para a Odebrecht.

Chope argentino

Em meio à tormenta argentina, caminha célere a venda da cervejaria Quilmes, que domina o mercado de lá. A briga é de cachorro grande: a holandesa Heineken, a americana Anheuser-Busch e a AmBev estão fazendo as contas. Estima-se que o desenlace se dará em dois ou três meses.

 

Desempregado, mas de bolso cheio

Raul Junior
Manoel Horácio: indenização milionária

A súbita demissão do presidente da Telemar, Manoel Horácio da Silva, na semana passada, ainda não foi totalmente explicada. De concreto, porém, sabe-se que Horácio sairá da Telemar com o bolso estofado. Ele deverá levar para casa 2,5 milhões de reais a título de indenização e mais o correspondente a sete meses de salário – que girava em torno de 1,3 milhão de dólares por ano, considerando todo o pacote de remuneração.

 

MODA

Bom negócio?

O Itamaraty aderiu a um estilo, digamos, fashion de fazer política externa. Está gastando 23.000 dólares de seu orçamento para bancar a vinda de oito jornalistas europeus de moda para conhecer estilistas e designers de jóias brasileiros.

 

CUBA

Provocação à americana

Ao deixar uma festa na embaixada americana em Havana no início do mês, um diplomata brasileiro recebeu um engenhoso brinde dado pelos anfitriões. Consistia num saquinho em que estavam abrigados um livro e um rádio. O rádio tinha capacidade para pegar as estações de Miami. E o livro era uma seleta de frases do lendário revolucionário cubano José Martí, idolatrado por Fidel. Nele, lêem-se coisas como "Só a opressão deve temer o exercício pleno das liberdades". Como se vê, uma espécie de brinde travestido de porrete na ditadura cubana.

 

TRT

Show dos milhões

O TST estima que para recomeçar a obra do faraônico e inacabado prédio do TRT paulista, aquele em que Lalau & Cia. fizeram a festa, seriam necessários 4 milhões de reais. A dinheirama seria usada para trocar o que está enferrujado e botar o prédio em ponto de bala para ser finalmente terminado.

 

AUTOMOBILISMO

Diniz rumo ao pódio na Prost

Menos de um ano depois de ter comprado 40% da equipe Prost de Fórmula 1, Pedro Paulo Diniz, ex-piloto e um dos herdeiros do Pão de Açúcar, tenta nova cartada. Está negociando a compra de mais um pedaço das ações de Alain Prost na escuderia. Se fechar a transação, será o majoritário da Prost.

 

TELEVISÃO

Ibope alto, repercussão nem tanto

A novela Porto dos Milagres vive uma situação peculiar. Tem rigorosamente a mesma audiência de Laços de Família – 43 pontos, nos primeiros 141 capítulos de ambas –, mas padece de baixa repercussão. Ou seja, o Ibope é um colírio para a Globo, mas curiosamente a trama não é comentada a torto e a direito no país inteiro, como sua antecessora.

 
 

 

Foto Photodisc

 

Colaborou: Consuelo Dieguez

 

   
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