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Barulho velho
O
Sepultura foi posto na rua. Sua
ex-gravadora agora vai investir no
estilo "nu metal"
Sérgio
Martins
Road Runner
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Soulfly (foto) e Slipknot: bandas de nu metal adicionam
novos ingredientes à pauleira e começam a ganhar terreno |
Acabou o
sonho internacional do Sepultura. Na semana passada o grupo foi dispensado
sumariamente de sua gravadora, a Roadrunner, mesmo tendo ainda um CD para
gravar pela companhia. O motivo alegado são as fracas vendagens
de Against e Nation, os dois discos que o quarteto gravou
sem o cantor e guitarrista Max Cavalera. O último, segundo a gravadora,
custou vultosos 500.000 dólares para
ser produzido e não chegou a vender 500.000
cópias nos Estados Unidos. Um resultado pífio para uma banda
que já acumulava 8 milhões de discos vendidos pelo mundo
afora. Curiosamente, o Soulfly, grupo que Max formou após sua defecção
do Sepultura, continuará na Roadrunner. Ele embarcou na onda do
nu metal, estilo que está explodindo entre os adolescentes. "Max
pensa no futuro e sabe absorver as novidades do metal. Já o Sepultura
começou a olhar muito para o passado", afirma Santiago Uman, presidente
da Sum Records, que distribuiu a Roadrunner no Brasil.
No início
da década passada, os músicos do Sepultura conseguiram algo
que poucos artistas brasileiros conseguem: tornar-se realmente admirados
no exterior. Seu público é inclusive mais forte nos Estados
Unidos e na Europa do que na terra natal. O ponto alto em sua carreira
foi o CD Roots (1996), aclamado como um clássico por incorporar
batuques afro-brasileiros à pauleira monolítica do heavy
metal. "A partir desse álbum, as bandas de rock pesado perderam
o receio de experimentar", observa o baterista Igor Cavalera. Roots,
pode-se dizer, foi o pontapé inicial no movimento do nu metal (nu
vem de new, que em inglês quer dizer novo). Ele inspirou os músicos
americanos a misturar metal com rap, único estilo negro aceito
pelos cabeludos de lá. Enquanto as bandas mais recentes avançavam
por esse caminho, o Sepultura estacionou. Está sendo derrotado
por seus próprios discípulos.
À
primeira vista, os adeptos do velho e do novo heavy metal têm tudo
a ver. Mas não é assim. As duas tribos são rivais.
Os nu metaleiros aboliram o pretinho básico, vestimenta-padrão
entre os metaleiros originais. Trajam-se como astros do rap, com roupas
ultrafolgadas. Usam tinta no cabelo, maquiagem pesada e esmalte colorido
nas unhas (para meninos e meninas). As letras de suas bandas preferidas
também passam longe dos temas históricos e mitológicos
que caracterizam o heavy metal tradicional: simplesmente gritam "contra
tudo que está aí". Os principais nomes desse novo estilo
são o Korn e o Limp Bizkit. Os primeiros ganharam o ódio
dos roqueiros veteranos ao se recusarem a dividir uma turnê com
o grupo Iron Maiden. O Bizkit tornou-se notório por dar início
a um quebra-quebra na última edição do festival Woodstock,
em 1999. Seu mais recente lançamento, Chocolate Starfish and
the Hot Dog Flavored Water, vendeu mais de 5 milhões de cópias
nos Estados Unidos. A mais bizarra cria do nu metal, entretanto, se chama
Slipknot. Seus integrantes apresentam-se com máscaras horrendas
e têm o hábito de espancar-se durante os shows. O noneto
vendeu 2,5 milhões de cópias de seu álbum de estréia.
Estima-se que venderá o dobro com o próximo lançamento,
que chega às lojas no mês que vem. No Brasil, a resistência
ao nu metal ainda é grande. "Prefiro ouvir axé a me ver
submetido a essas bandas", diz Ricardo Franzin, redator-chefe da Rock
Brigade, publicação dedicada aos metaleiros de primeira
hora. Em alguns lugares, o Sepultura ainda terá seu cartaz mantido.
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