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dinos-papões
Na falta de programa melhor, dá
até para se
divertir com Parque
dos Dinossauros III
Isabela Boscov
Divulgação
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| Um
bichão ataca: não dava mesmo para ser pior do que o segundo filme |
Quando
o paleontólogo Alan Grant diz que não há força
"no céu ou na terra" que o faça pisar de novo numa ilha
cheia de dinossauros, não resta a menor dúvida: em dez minutos
de filme ele estará lá, correndo dos bichos com toda a velocidade
que as suas pernas permitam. É o caso, porém, de desculpar
o doutor Grant. Graças à saborosa mistura de humor e rabugice
do neozelandês Sam Neill, que o interpreta, Parque dos Dinossauros
III (Jurassic Park III, Estados Unidos, 2001) é
uma continuação bem mais tolerável do que a segunda
parte da franquia. O cenário da nova aventura, desde sexta-feira
em cartaz, é o mesmo: a ilha Sorna, uma zona clandestina de reprodução
para os bichões. O incauto Grant vai parar lá porque, em
nome da ciência, aceita um cheque polpudo de um casal de milionários
(William H. Macy, de Fargo, e Téa Leoni, a mulher de David
Duchovny). O detalhe que ele ignora é que seu contrato inclui pousar
na ilha, e não apenas sobrevoá-la como guia de luxo.
Esse clichê o dos ricaços que não medem conseqüências
para satisfazer seus caprichos e alguns outros são rapidamente
desarmados pelo diretor Joe Johnston, a quem Steven Spielberg legou sua
batuta. Johnston chefiou os efeitos especiais de Os Caçadores
da Arca Perdida e dirigiu filmes como Jumanji e o ótimo
O Céu de Outubro. Seu bom senso o fez descartar todos os
roteiros que lhe haviam sido apresentados um deles, diz, parecia
um episódio do seriado Friends na Pré-História.
Ele optou por uma história simples. O grupo chega à ilha,
tenta localizar um garoto perdido ali e trata de dar o fora o mais rápido
possível. É um enredo banal, ainda mais se comparado ao
do primeiro filme, que despertou polêmicas no meio científico.
Mas, apesar do final risível, funciona como aventura. Há
ainda os bons atores, a salutar ausência de Jeff Goldblum e algumas
sacadas espirituosas, a cargo de uma dupla de roteiristas que o diretor
foi buscar no cinema independente. São providências necessárias.
Passados 65 milhões de anos de sua extinção, os dinos
continuam evoluindo de forma notável e parecem cada vez mais realistas
no cinema. Alguns chegam a ser sinistros, como o predador alado pterodonte.
Não há, contudo, como negar que, depois de dar as caras
até no Fantástico, os lagartões já
não conseguem "carregar" um filme sozinhos. Como tudo em Hollywood,
viraram carne de vaca.

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