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Você está certo: nos canais
por
assinatura, filmes e séries são
reprisados à exaustão
Marcelo Marthe
Exibir reprises é uma das razões de ser da televisão
paga. Ao repetir cada programa em diversos dias e horários diferentes,
os canais prestam um serviço ao assinante, pois oferecem alternativas
para ele conferir as atrações que lhe interessam e que às
vezes não pode ver. Mas existe um limite além do qual as
reprises chateiam. Isso está ocorrendo agora na televisão
paga brasileira. A média de reprises nos dezoito canais de filmes
aumentou quase 10% entre o primeiro trimestre de 1999 e o mesmo período
de 2001, segundo o estudo mais recente da empresa de pesquisas Pay-TV
Survey. Já os canais de seriados entraram numa fase brava de entressafra
em julho na Sony, por exemplo, treze programas exibidos no horário
nobre já foram ao ar anteriormente, contra apenas dez atrações
com capítulos inéditos. Na área de variedades, há
reapresentações ostensivas o ano inteiro. Um exemplo é
o Discovery Channel, que costuma reprisar blocos inteiros de documentáodo
de 2001, segundo o estudo mais recente da empresa de pesquisas Pay-TV
Survey. Já os canais de seriados entraram numa fase brava de entressafra
em julho na Sony, por exemplo, treze programas exibidos no horário
nobre já foram ao ar anteriormente, contra apenas dez atrações
com capítulos inéditos. Na área de variedades, há
reapresentações ostensivas o ano inteiro. Um exemplo é
o Discovery Channel, que costuma reprisar blocos inteiros de documentários
num mesmo dia. "Desse jeito, não há assinante que resista",
constata uma alta executiva do meio, a diretora-geral do canal GNT, Leticia
Muhana.
O excesso de atrações batidas no segmento de filmes é
um problema crônico. Nos últimos anos os principais canais,
a HBO e o Telecine, tentaram aumentar a quantidade de títulos exibidos.
O esforço foi modesto. Em suas programações não
é difícil achar filmes que são transmitidos sete,
oito, nove vezes ao mês (veja
quadro).
No caso da HBO, se forem somadas as sessões que vão ao ar
com algumas horas de diferença no canal cuja função
é retransmitir sua programação, a HBO2, chega-se
até a dezesseis reprises marca que será atingida
ao final de julho, por exemplo, por Pokémon O Filme.
O Telecine, por sua vez, costuma transferir as fitas que já
fizeram sucesso em seu canal principal, o Premium, para um dos quatro
outros da grife. Detalhe: nesse processo, como num passe de mágica,
os filmes velhos voltam a ser considerados "estréias". Outro truque
generalizado é recuperar programação antiga em "festivais",
"semanas especiais" e "maratonas". E tome repetecos. "Para melhorar a
situação, o setor precisaria investir mais na aquisição
de novos filmes, o que deve acontecer à medida que o mercado da
TV paga crescer", avalia Otavio Jardanoviski, diretor-geral da Pay-TV
Survey. Os canais alegam que a eles só resta mesmo reprisar. "Como
os direitos de um filme são caros e têm duração
de cerca de um ano, é necessário concentrar as exibições
nesse período", diz Sérgio Leemann, gerente de programação
do Telecine.
As repetições de seriados decorrem de fatores sazonais.
Entre julho e setembro, meses do verão no Hemisfério Norte,
praticamente não há estréia de programas do gênero
nas redes de TV americanas. Elas limitam-se a reapresentar os episódios
que já haviam exibido em estações anteriores. Há
um motivo econômico por trás disso. Cada capítulo
de um seriado de primeira linha custa um dinheirão. Por isso, as
emissoras não produzem mais do que vinte a 25 episódios
por ano e reaproveitam esse material o máximo possível.
Essa estratégia, claro, reflete-se sobre os canais que retransmitem
os programas no Brasil. Na Sony, cuja temporada de reprises vai deste
mês até outubro, a política é reexibir cada
episódio até três vezes ao mês. Em setembro,
a Fox também iniciará seu período de vacas magras.
E a Warner, que exibe nesta semana os capítulos finais de seis
séries americanas, como O Fugitivo e Gilmore Girls, só
terá requentados até o longínquo mês de novembro.
"Neste ano a entressafra será ainda pior, pois não tivemos
estréias em junho, como às vezes acontece", desculpa-se
Regina Malfatti, supervisora de marketing do canal. Prepare-se para ver
tudo de novo.
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