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Edição 1 710 - 25 de julho de 2001
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Ninguém agüenta
ver
de novo

Você está certo: nos canais por
assinatura, filmes e séries
são
reprisados à exaustão

Marcelo Marthe

Exibir reprises é uma das razões de ser da televisão paga. Ao repetir cada programa em diversos dias e horários diferentes, os canais prestam um serviço ao assinante, pois oferecem alternativas para ele conferir as atrações que lhe interessam e que às vezes não pode ver. Mas existe um limite além do qual as reprises chateiam. Isso está ocorrendo agora na televisão paga brasileira. A média de reprises nos dezoito canais de filmes aumentou quase 10% entre o primeiro trimestre de 1999 e o mesmo período de 2001, segundo o estudo mais recente da empresa de pesquisas Pay-TV Survey. Já os canais de seriados entraram numa fase brava de entressafra em julho – na Sony, por exemplo, treze programas exibidos no horário nobre já foram ao ar anteriormente, contra apenas dez atrações com capítulos inéditos. Na área de variedades, há reapresentações ostensivas o ano inteiro. Um exemplo é o Discovery Channel, que costuma reprisar blocos inteiros de documentáodo de 2001, segundo o estudo mais recente da empresa de pesquisas Pay-TV Survey. Já os canais de seriados entraram numa fase brava de entressafra em julho – na Sony, por exemplo, treze programas exibidos no horário nobre já foram ao ar anteriormente, contra apenas dez atrações com capítulos inéditos. Na área de variedades, há reapresentações ostensivas o ano inteiro. Um exemplo é o Discovery Channel, que costuma reprisar blocos inteiros de documentários num mesmo dia. "Desse jeito, não há assinante que resista", constata uma alta executiva do meio, a diretora-geral do canal GNT, Leticia Muhana.

O excesso de atrações batidas no segmento de filmes é um problema crônico. Nos últimos anos os principais canais, a HBO e o Telecine, tentaram aumentar a quantidade de títulos exibidos. O esforço foi modesto. Em suas programações não é difícil achar filmes que são transmitidos sete, oito, nove vezes ao mês (veja quadro). No caso da HBO, se forem somadas as sessões que vão ao ar com algumas horas de diferença no canal cuja função é retransmitir sua programação, a HBO2, chega-se até a dezesseis reprises – marca que será atingida ao final de julho, por exemplo, por Pokémon – O Filme. O Telecine, por sua vez, costuma transferir as fitas que já fizeram sucesso em seu canal principal, o Premium, para um dos quatro outros da grife. Detalhe: nesse processo, como num passe de mágica, os filmes velhos voltam a ser considerados "estréias". Outro truque generalizado é recuperar programação antiga em "festivais", "semanas especiais" e "maratonas". E tome repetecos. "Para melhorar a situação, o setor precisaria investir mais na aquisição de novos filmes, o que deve acontecer à medida que o mercado da TV paga crescer", avalia Otavio Jardanoviski, diretor-geral da Pay-TV Survey. Os canais alegam que a eles só resta mesmo reprisar. "Como os direitos de um filme são caros e têm duração de cerca de um ano, é necessário concentrar as exibições nesse período", diz Sérgio Leemann, gerente de programação do Telecine.

As repetições de seriados decorrem de fatores sazonais. Entre julho e setembro, meses do verão no Hemisfério Norte, praticamente não há estréia de programas do gênero nas redes de TV americanas. Elas limitam-se a reapresentar os episódios que já haviam exibido em estações anteriores. Há um motivo econômico por trás disso. Cada capítulo de um seriado de primeira linha custa um dinheirão. Por isso, as emissoras não produzem mais do que vinte a 25 episódios por ano e reaproveitam esse material o máximo possível. Essa estratégia, claro, reflete-se sobre os canais que retransmitem os programas no Brasil. Na Sony, cuja temporada de reprises vai deste mês até outubro, a política é reexibir cada episódio até três vezes ao mês. Em setembro, a Fox também iniciará seu período de vacas magras. E a Warner, que exibe nesta semana os capítulos finais de seis séries americanas, como O Fugitivo e Gilmore Girls, só terá requentados até o longínquo mês de novembro. "Neste ano a entressafra será ainda pior, pois não tivemos estréias em junho, como às vezes acontece", desculpa-se Regina Malfatti, supervisora de marketing do canal. Prepare-se para ver tudo de novo.

   
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